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Correio da Manhã

Cultura
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Trinta anos à espera

O Palácio de Ficalho, em Serpa, é, desde quinta-feira, Monumento Nacional. E o presidente da Câmara Municipal soube pelo CM da atribuição da distinção: “É uma notícia que me deixa bastante contente”, confessou João Rocha, dando voz a uma ambição da autarquia (e dos proprietários do imóvel) já com 30 anos. “Desde 1980 que se desenrola este processo e que o palácio está inserido no plano de ordenamento classificado de Serpa”, adiantou.
18 de Março de 2007 às 00:00
O Palácio de Ficalho é um dos principais cartões de visita da localidade alentejana
O Palácio de Ficalho é um dos principais cartões de visita da localidade alentejana FOTO: António Dimas
Todavia, a classificação desta propriedade privada – pertence à família brasonada dos Melos desde a construção no séc. XVII – não vai alterar muito o papel do imóvel na região. As portas estão fechadas ao público mas, de acordo com o autarca, a colaboração dos proprietários com as pessoas interessadas em visitá-lo, tem sido “a melhor”. “Sempre que precisámos, o palácio foi aberto”, sublinhou João Rocha.
Esta classificação surge, segundo o decreto do Governo, porque o palácio “é uma das mais importantes casas nobres de Serpa, que evoca a família dos alcaides da vila durante a época moderna – os Melos – estirpe incontornável na caracterização histórica do Alentejo Oriental entre os séculos XVI e XX”.
Situado no interior da cerca medieval da vila de Serpa, do palácio sobressaem dois torreões e uma arquitectura civil de grande austeridade. É um dos principais cartões de visita da localidade e desempenhou um papel importante no contexto das lutas liberais da primeira metade do séc. XIX.
O Palácio Nacional de Belém e o edifício-sede da Fundação Gulbenkian, ambos em Lisboa, são outros dois imóveis para os quais o Governo elaborou projectos de decreto com vista à classificação como monumentos nacionais.
APONTAMENTOS
RECHEIO
O espólio do Palácio de Ficalho é de valor incalculável. É possível encontrar objectos pessoais, obras de arte, armas, roupas e loiças guardadas ao longo de quase 400 anos de história da família Melo.
FOTOGRAFIAS
Das poucas visitas que recebe, não são autorizadas fotografias do interior. A última vez que foi possível ‘aceder’ ao interior do palácio terá sido no programa da RTP ‘Solares de Portugal’, de Nuno da Câmara Pereira (1998).
TURISMO
Sabe-se que uma das intenções de aproveitamento de parte ou da totalidade, deste palácio pode passar por um projecto turístico de qualidade para a região de Serpa, devido à dimensão, património e proximidade com Espanha.
OUTROS MONUMENTOS CLASSIFICADOS
PALÁCIO NACIONAL DE BELÉM
O Palácio Nacional de Belém e todo o conjunto intramuros, ou seja, os jardins e outras dependências, serão alvo de classificação futura, consagrando, assim, o trabalho de reconstrução que sucedeu ao terramoto de 1755. Tratou-se de uma obra da autoria dos arquitectos João Pedro Ludovice e Mateus Vicente de Oliveira e ainda do pintor Máximo Paulino dos Reis. Edifício do século XVIII, de arquitectura civil barroca e neoclássica, exibe uma estrutura mista de paredes autoportantes e é, desde 1911, a residência oficial do Presidente da República Portuguesa.
PARQUE GULBENKIAN
Além do edifício-sede e do Museu, será ainda classificada a zona envolvente ou seja o Parque Gulbenkian, um trabalho dos arquitectos Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Telles. De todo o complexo Gulbenkian, por classificar fica apenas o Centro de Arte Moderna, criado em 1983 pelo arquitecto britânico Leslie Martin. Constituída em 1969 por disposição testamentária de Calouste Sarkis Gulbenkian no lugar antes ocupado pela sua residência, a sede e o museu que lhe herdaram propriedade e nome, foram projectados por três arquitectos, a saber, Ruy Athouguia, Pedro Cid e Alberto Pessoa.
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