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Correio da Manhã

Cultura
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TUDO POR UMA BOA GARGALHADA

Muita expectativa para ver, no Maria Matos, em Lisboa, mais uma incursão teatral das Produções Fictícias, “Nós Depois Telefonamos”, interpretado por um rol de jovens actores muito “visível” no pequeno ecrã. A saber:
13 de Maio de 2003 às 00:00
Dalila Carmo, Gonçalo Waddington, Cristina Cavalinhos, Sofia Grillo e João Cabral, ao lado de um Francisco Nascimento que tem feito sobretudo cinema, e de Carla Salgueiro, que já tínhamos visto nas “Manobras de Diversão” das mesmas Produções Fictícias.
Tal como o título sugere, “Nós Depois Telefonamos” é uma brincadeira com o teatro. Um grupo de actores faz um “casting” para uma produção do “grande” autor e encenador Vicente Cavalli (Gonçalo Waddington). O elenco aprovado é imediatamente convocado para o primeiro ensaio de leitura, mas o problema é que Cavalli sofre um bloqueio de escritor e não tem peça para lhes dar. Solução: toca a improvisar.
DIVERTIMENTO LIGEIRO
Este é o pretexto para uma sequência de “sketches” que tem como alvo os processos de trabalho do teatro e os seus protagonistas.
Aqui, há ensaios só de pancadaria (!) e as personagens desenham-se a traços grosso: há o actor “gay” que faz telenovelas; a actriz neurótica que não dá um passo sem consultar o psicólogo; a modelo com poucos miolos cujo grande sonho é ser actriz; o encenador de mau feitio, que se aproveita dos talentos alheios para brilhar, etc.
O texto de Mário Botequilha e Patrícia Castanheira revela a proximidade destes criadores com a actividade teatral, notória até ao nível da linguagem usada em cena. No entanto, esta é uma forma algo redutora de olhar o teatro. Do dia-a-dia dos actores e dos encenadores procurou-se apenas o que é risível, aquilo que pode despoletar a gargalhada fácil ao espectador.
O resultado agrada, sobretudo àquele tipo de público que procura divertir-se e pouco mais. Sob a direcção de António Pires, os actores asseguram o entretenimento.
Embora o texto não prime pela coerência interna (às vezes parece querer contar uma história com princípio, meio e fim, outras assemelha--se a uma sequência desgarrada de apontamentos de comédia),a encenação imprime-lhe um ritmo que impede que alguém se aborreça e a energia dos intérpretes faz o resto.
A ver até 25 deste mês e depois, entre 4 e 14 de Junho.
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