U.H.F.: AQUI VAMOS NÓS SEM DISFARCES

'La Pop End Rock' é o título do duplo CD com que os U.H.F. celebram 25 anos de carreira. Trata-se de uma ópera-rock ambiciosa que relata o lado de dentro da vida de um artista. Palavra do líder e mentor do grupo, António Manuel Ribeiro
14.06.03
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- Trata-se de um disco que vive sobretudo de memórias...
- Este disco é obviamente uma síntese. Os momentos da nossa carreira estão quase todos aqui, mas claro que por vezes esses momentos foram mais intensos, outras vezes mais caricatos. Também há sarcasmo e ironia no disco, porque é preciso saber rir de nós próprios. Estão presentes as pessoas que foram importantes na vida dos UHF, mas principalmente os fãs. Por exemplo, a música "Os Putos Vieram Divertir-se" fala deles. A foto da capa, uma criança, ilustra o lado 'naïf' do início da banda. E há ainda o palco, que é um altar. Mas o palco é também o nosso grande júri. Todos os dias somos julgados no palco.
- Além da banda, há outras personagens a darem vida a esta ópera. São reais (as personagens) ou há algumas partes ficcionadas?
- Diria que só dez por cento de cada personagem é ficção. Trocámos alguns nomes, para não melindrarmos determinadas pessoas. No contexto de uma vida tão longínqua e rica como a nossa, é natural que haja um historial de coisas que as pessoas não conhecem e por isso congeminam e inventam. No fundo, este disco é também a nossa versão oficial da história.
- A personagem Joad é você?
- É provável que tenhamos muitas semelhanças... e mais não digo. [Risos]
- Quanto ao processo de composição e trabalho em estúdio: qual a diferença entre fazer uma ópera-rock e um qualquer álbum de originais?
- O que me deu mais gozo foi o não ter posto limites orquestrais. O que me apeteceu fazer, fiz. Quer fosse uma peça sinfónica, um fandango com o hino americano ou um fado a gozar com alguns agentes deste País. Fiz rock, blues, declamei e isso deu- -me 'oxigénio', por estar a criar algo sem limites.
- O que significa o título "La Pop End Rock"?
- Define um pouco o estado das coisas e da música pop/rock que se faz em Portugal... com alguma influência estrangeira.
- Esta ópera-rock é certamente para ser levada ao palco...
- Sim. Daqui a alguns meses vamos começar a trabalhar na produção do espectáculo. Por enquanto, estamos ocupados com os concertos deste Verão.
- Como será o espectáculo? Que tipo de recursos vai implicar?
- Queremos levar ao palco tudo aquilo que fizémos em estúdio. Com orquestra, coreografia, intérpretes para as personagens. Será um espectáculo essencialmente destinado a espaços fechados.
- Qual é o balanço destes 25 anos de carreira dos UHF?
- Está expresso neste álbum. Aqui vamos nós, sem disfarces. Honestamente nunca pensei chegar aqui. Gosto de viver um dia de cada vez e nunca pus grandes metas. Mas gostamos disto, é uma forma de vida. Gostaria de ter feito algumas coisas de forma diferente, mas vivo bem com a minha pele e com a dos UHF.
- Que poderá reservar o futuro?
- Por enquanto, bastam-me a música e os livros. Tenho pronto um livro de poesia e estou também a ultimar um romance.

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