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Correio da Manhã

Cultura
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UMA AGRADÁVEL SURPRESA

E quando todos pensavam que já não era possível, eis senão quando a mais popular banda pop da América ressuscita. "Aleluia!" "The Curse of Blondie" (Ed. Sony Music) é o título do novo disco de Blondie, a banda de Deborah Harry, que assim rasga um silêncio de muitos anos.
6 de Outubro de 2003 às 00:00
O novo trabalho dos Blondie levou quatro anos a ser produzido
O novo trabalho dos Blondie levou quatro anos a ser produzido FOTO: d.r.
Na verdade, o novo trabalho levou quatro anos a ser produzido, mas valeu a espera.
Sem ser um álbum brilhante ou "espantástico", "The Curse of Blondie" prima, no entanto, pela surpresa. O que não deixa de constituir um agradável estímulo nos dias que vão correndo. Quem esperava uma pop oxigenada (leia-se artificialmente criada), canções adocicadas à medida das tabelas de vendas ou confortáveis encostos ao "som do momento", desengana-se.
SENTIDO DE IRONIA
"The Curse of Blondie" é, acima de tudo, um belo disco, feito de canções que, não só mantêm intacto o carácter pop da banda como denuncia um apurado e saudável sentido de ironia.
Disso é emblema maior o tema de abertura, "Shakedown", uma espécie de rap & B que só pode ser levado no gozo. Depois, é só deixarmo-nos levar e há muito por onde escolher. Existem, de facto, canções que não enganam e recuperam a típica sonorida-de Blondie, concretamente o single "Good Boys" (assim a modos que como para não se estranhar muito), mas é nas excursões por territórios outros que mais surpreendem.
"Golden Rod" e "Last One in the World" são rock puro e duro, com as guitarras chegadas à frente, "Background Melody (The Only One)" é um calmo embalo temperado com dub/reggae, enquanto a balada "Desire Brings me Back" lembra "Cautious Lip", só que agora com laivos jazzy.
Pelo diapasão "free" afina ainda outra balada, "Songs of Love". Mas há mais. Uma homenagem ao conterrâneo (de Nova Iorque) Joey Ramone, "Hello Joe", uma leitura de uma canção folk, "Magic (Asadoya Yunta)", e até uma mistura de "Golden Boys" da responsabilidade de Giorgio Moroder. E outras pequenas pérolas há a descobrir.
Quais 'zombies' regressados da tumba, os Blondie provam com o presente registo que a pop não morrerá nunca. A variedade - que poderia significar falta de identidade - impera em "The Curse of Blonde", mas que importa isso. É apenas 'pop music'. Boa, por sinal!
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