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Correio da Manhã

Cultura
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Uma espiral de emoções

Com uma fantástica prestação dos Tool terminou sexta-feira, em grande, o Primeiro Acto do Festival Super Bock Super Rock (SBSR). O Parque Tejo recebeu quase 40 mil pessoas e, numa bem quente noite de Verão, a multidão pôde assistir a alguns dos melhores concertos dos últimos anos em festivais nacionais.
28 de Maio de 2006 às 00:00
De ‘look’ à ‘Taxi Driver’,  Maynard J. Keenan prometeu regresso
De ‘look’ à ‘Taxi Driver’, Maynard J. Keenan prometeu regresso FOTO: Tiago Sousa Dias
Tool e Placebo foram os responsáveis pelos momentos de maior intensidade emocional, enquanto no palco Quinta dos Portu- gueses o destaque vai para os The Vicious Five, que ainda recentemente abriram para os Arctic Monkeys. Dos X-Wife, registe-se a garra demonstrada, insuficiente, porém, para lhes permitir acabar a actuação. Dapunksportif cumpriram e If Lucy Fell foram uma agradável surpresa, pela maturidade evidenciada.
Mas era nas estrelas internacionais que se concentravam as atenções. Depois dos Alice in Chains e dos Deftones, fortes e a deixar bons indícios para o aguardado regresso, os Placebo inflamaram os ânimos e foram mesmo a banda mais consensual da noite.
Numa prestação marcada pela intensidade do rock pós-punk, o trio acelerou as guitarras, pôs os graves no máximo e deixou os teclados elevar as emoções. As canções do ‘cerebral’ novo álbum ‘Meds’ estiveram em destaque, mas o grupo fez questão de revisitar alguns dos hinos que os projectaram. Temas como ‘Black-Eyed’, ‘Special K’, ‘Every You Every Me’ e ‘Slave To The Wage’, debitadas com um misto de ferocidade e ‘glamour’, contagiaram as hostes e elevaram no ar as vozes no primeiro grande coro espontâneo do festival.
Quanto às novidades, ‘Infra-Red’ e ‘Song To Say Goodbye’ arrancaram tanta ou maior adesão que canções mais ‘velhinhas’, fazendo da passagem dos Placebo um dos concertos mais dinâmicos. Como se não bastasse a energia evidenciada, Brian Molko foi, desta vez, um verdadeiro ‘gentleman’, de palavra fácil com o público e incansáveis agradecimentos a Lisboa.
A fechar a noite, os Tool deixaram meio mundo de boca aberta, com um espectáculo que foi uma espiral de emoções. Puro delírio sónico e visual, numa genial simbiose de som e imagem. Em início de digressão, o quarteto conheceu problemas com dois dos quatro ecrãs, mas o metal psicadélico (exótico mesmo) desde cedo que deixara a assistência como que siderada! Do novo ‘10 000 Days’ tocaram ‘Jambi’ e Vicarious’, mas foi com temas como ‘Sober’, ‘Lateralus’ e ‘Aenima’ que o grupo mais impressionou. Maynard (voz), de ‘look’ à ‘Taxi Driver’, prometeu regresso no final do ano e lembrou os 40 anos do baterista dos Alice In Chains, celebrados em Lisboa.
À MARGEM
SEM REDE
A rede móvel ‘foi abaixo’ e as caixas multibanco deixaram de funcionar. A organização, contudo, promoveu ‘excursões’ em autocarro até às caixas mais próximas.
MOSQUITOS
Depois do vento forte da véspera foi a vez do calor. Só que, à boleia da canícula, milhares de mosquitos invadiram o recinto, atacando as peles desnudadas.
ÁGUA A RODOS
O calor provocou, naturalmente, um aumento do consumo de bebidas, mas, segundo a organização, o maior aumento foi o de consumo de águas.
IVE MENDES ESBANJA SEDUÇÃO
De passagem por Portugal para negociar novo contrato discográfico e agendar uma série de concertos, a sensual cantora brasileira Ive Mendes passou anteontem pelo SBSR para ver os Placebo e esbanjar sedução na área VIP.
A residir em Londres há sete anos, Mendes (já rotulada de a Sade brasileira) confidenciou ao CM que está prestes a “reeditar o álbum de estreia”, homónimo, com uma série de novos extras, que – revelou em primeira mão – servirá de mote para vários concertos em solo luso, nomeadamente na próxima edição dos festivais Cool Jazz (já em Julho) e Sudoeste, em Agosto. Mas nem só de negócios se fez a passagem de Ive Mendes por Portugal.
“Aproveitei também para rever alguns amigos portugueses. Gosto tanto do vosso país que até estou a pensar comprar casa aqui”, disse a cantora. E os portugueses agradecem, pelo menos a avaliar pelo ‘burburinho’ que Ive, de uma simpatia contagiante, provocou ao longo da noite entre a rapaziada cá do burgo!
"GOSTAMOS DE ARREPIAR" (Adam Jones, fundador e guitarrista dos Tool)
Correio da Manhã – Antes de fundar os Tool, foi escultor e designer de filmes como ‘Parque Jurássico’ e ‘Julgamento Final’. É por isso que a música dos Tool é tão cinemática?
Adam Jones – Penso que sim. Adorei trabalhar em ‘Parque Jurássico’ e, na verdade, a nossa música tenta transmitir emoções, uma intensidade para além das canções. Gostamos de arrepiar as pessoas [risos].
– Além de guitarrista é também responsável pelo ‘art-work’ e vídeos dos Tool. Qual o conceito que tenta transmitir?
– Eu só supervisiono o trabalho, que é de todos. Compomos tema a tema, misturamos e depois traduzimo-los para imagens. É um trabalho colectivo que implica consensos. Foi assim para o novo disco, com os ‘óculos’ e aquelas imagens.
– Cada canção funciona, portanto, como um filme?
– É isso mesmo. Cada tema é uma história que visualizamos e transpomos para imagens. ‘10 000 Days’ é uma colecção de histórias com os seus filmes.
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