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Correio da Manhã

Cultura
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UMA LIÇÃO DE HISTÓRIA

Aos 94 anos, o mais velho realizador em funções continua a mostrar a sua visão crítica sobre a sociedade. De antes e de agora. Se por um lado o filme é uma lição de história - recuando aos tempos idos de Homero, dos Descobrimentos ou das pirâmides do Egipto - Manoel de Oliveira não esquece a actualidade, com o terrorismo em pano de fundo. Uma viagem de paquete em busca da família ou das origens de cada um de nós é o mote de partida de 'Um Filme Falado', que hoje estreia nas salas de cinema do país.
17 de Outubro de 2003 às 00:00
 Malkovich, à direita, e Deneuve, ao centro, são de novo trunfos num filme do 'mestre' Oliveira
Malkovich, à direita, e Deneuve, ao centro, são de novo trunfos num filme do 'mestre' Oliveira FOTO: d.r.
Lá por fora, a crítica internacional há muito se rendeu aos filmes de Oliveira e não há estreia que não encha a imprensa com os maiores elogios à já vasta obra do realizador português. O 'Libération' diz que 'Um Filme Falado' "deixa o espectador arrebatado", o 'The Guardian' (Inglaterra) rotula-o de "sublime", o 'La Stampa' (Itália) diz ser "impossível descrever a beleza refinada deste filme, a inteligência da sua visão crítica." E isto para citar apenas alguns.
Para o espectador comum, a grande novidade desta película do 'mestre' Oliveira é, sem dúvida, a dinâmica da acção. Se por se tratar de uma lição de história, imagina que se trata de mais um imenso plano-sequência feito de imagens que parecem sempre a mesma (o mesmo é dizer, a acção é 'estática', ao estilo de Oliveira), desengane-se. Será talvez exagero dizer que a trama se desenvolve com celeridade mas, sem dúvida, os planos sucedem-se com uma dinâmica que envolve o espectador, sem o cansar. E depois é de se tirar o chapéu à mestria de Oliveira que, à mesma mesa reúne um elenco de luxo: os já 'habitués' e veteranos John Malkovich (o comandante do navio) e Catherine Deneuve, e ainda Irene Papas, Stefania Sandrelli e Leonor Silveira. Uma mistura de línguas - inglês, francês, grego e italiano, onde quem sai a perder é o português.
Depois do contexto pedagógico da viagem pela cultura mediterrânica, nada melhor do que uma discussão saudável à mesa. Afinal de contas, à boa maneira portuguesa.
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