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Correio da Manhã

Cultura
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UMA VIAGEM DE PAPEL

O Dia Internacional do Livro Infantil comemora-se hoje, aproveitando o aniversário do escritor Hans Christian Andersen, com uma série de eventos, sobretudo da iniciativa do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB).
2 de Abril de 2003 às 00:00
À semelhança dos dias mundiais que este ano se comemoram, também o do Livro Infantil tem por tema “A Viagem”.
E a escolha de cicerones para esta viagem não podia ter sido mais feliz: a escritora Alice Vieira e o ilustrador João Caetano. É deles a elaboração de um Guia Orientador de Leitura a circular pelas bibliotecas da Rede de Leitura Pública e algumas livrarias do País, acompanhado do respectivo cartaz alusivo à data.
E se as ilustrações de João Caetano apetecem, o mesmo é dizer pouco da selecção de livros de Alice Vieira, onde há sempre uma viagem, feita ou por fazer, das “Aventuras de João Sem Medo”, de José Gomes Ferreira, à “Viagem à Flor de Um Mês”, da dupla José Jorge e André Letria, ou à ”Viagem ao Alto de Um Ramo”, de Alexandre Honrado e Simona Traina, ou, ainda, da “Nau Catrineta”, de António Torrado e Paula Soares, às “Naus de Verde Pinho”, de Manuel Alegre e Afonso Alegre Duarte.
Não falta, pois, pretexto para ir atrás da novidade que sempre acompanha a aventura da viagem. Qualquer viagem... Alice Vieira tem a sua, de memória, a começar como começam as melhores: “Era uma vez um tempo em que ainda não havia vacinas (ou havia muito poucas) e os meninos aguentavam semanas na cama, sem poderem ir à escola, desembaraçando-se alegremente de papeiras, varicelas, tosses convulsas e gripes que duravam eternidades. Era também um tempo em que ainda não havia televisão, nem se sonhava com vídeos ou jogos de computadores. Num tempo desses fiz a minha provisão de sonho e aventura: durante uma pneumonia, curada a papas de linhaça, li “A Ilha do Tesouro” e “Moby Dick”, recorda.
Um olhar novo
Aventura original foi a que pensou o IPLB. E se bem pensou... “Propomos que as crianças se desloquem a espaços diferentes dos habituais, onde possam protagonizar novas experiências de leitura, dando-lhes a possibilidade de verem as coisas e as pessoas com um ‘olhar novo’ como acontece quando se visita um lugar pela primeira vez”, desafiam.
E como é que isto se faz? Nada mais simples: “Por exemplo, pode propor-se a grupos de jovens que preparem um conto, um poema, um capítulo sugestivo de um livro de viagens e aventuras e se disponham a ir lê-lo ou encená-lo a crianças mais jovens ou a um lar de idosos ou ainda ao serviço de pediatria do hospital local ou a uma associação desportiva”.
De aventura em aventura, temos “pedipaper” para leitores entre os 8 e os 12 anos e os números falam por si: são 48 bibliotecas e mil crianças inscritas... E nas mensagens a encontrar há perguntas sobre três livros, a saber, “O Feiticeiro de Oz”. de L. Frank Baum, “A Viagem do Caminheiro da Alvorada”, de C. S. Lewis, e “No Coração da África Misteriosa”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.
“Um livro pode ser uma descoberta de novos lugares, novos amigos, novas emoções, bastando para isso que cada um se disponha a partir para a aventura da leitura”. Desafio feito, aventureiros do mundo, façam-se ao livro e... boa Viagem!
VENDAS: SEGREDO BEM GUARDADO
Curiosos da relação de vendas entre o livro infantil e outros géneros e também em conhecer quem vende o quê, quanto e porquê, contactámos tudo e todos mas o segredo é a alma do negócio e é segredo bem guardado... De Viagem, à boleia do lema do dia que hoje se comemora, o percurso começou pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, de onde ouvimos: “Não temos qualquer informação sobre vendas. Esses são dados que ou não existem ou ninguém tem ou não há quem divulgue”. Posto isto, atacámos a congénere, União dos Editores Portugueses, sem melhor sorte. Confirme-se: “A ausência de estatísticas é um problema do sector que dura desde sempre. É bom que isto se diga e melhor ainda que se escreva, pode ser que assim as coisas mudem”... Pode ser, entretanto, rumámos e não por acaso, às editoras responsáveis pela saga de “Harry Potter” e pela série “Uma Aventura”, respectivamente, a Presença e a Caminho. E se da primeira se remetem a um silêncio baptizado de “estratégia comercial”, da segunda, o editor refere equilíbrio de vendas e não mostra números mas nomes: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada e ainda Alice Vieira.
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