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Correio da Manhã

Cultura
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Unidos pela música

A ideia é simples e mais do que louvável: o músico Carlos Martins, da Associação Sons da Lusofonia, lembrou-se de dar formação aos jovens dos bairros desfavorecidos de Lisboa, proporcionando-lhes uma primeira abordagem à produção de eventos e espectáculos.
20 de Novembro de 2006 às 00:00
Chamou ao projecto ‘Lisboa Mistura’, desafiou uma banda com alguma experiência na área (os Cool Hipnoise) e pediu ajuda a possíveis parceiros. O grupo – que lança hoje o 4.º álbum de originais, chamado, simplesmente, Cool Hipnoise – aderiu logo à iniciativa, assim como a Câmara Municipal de Lisboa e a Gebalis (Empresa Municipal de Gestão de Bairros de Lisboa). O projecto avançou de imediato, havendo, para já, promessa de continuidade até 2009.
“Este é um projecto de solidariedade e de esperança”, explicou ao CM Carlos Martins. “No fundo, o que queremos é fazer educação para a cidadania e promover a mistura entre pessoas que têm origens culturais diferentes, ajudando à integração de todos”, concluiu.
Ao primeiro encontro com os Cool Hipnoise, que aconteceu sexta-feira, na Musgueira, acorreram nada menos do que 80 jovens a partir dos 13 anos, o que deixou a organização em estado de êxtase. “Foi extraordinário”, conta Carlos Martins. “É difícil descrever o ambiente que se criou entre a banda e aqueles miúdos...”
A segunda sessão, que aconteceu ontem no Centro Paroquial de Santa Beatriz da Silva, em Chelas, à qual o CM assistiu, foi menos entusiasmante: por falta de divulgação local, só se inscreveram 18 pessoas. Ainda assim, o resultado não deixou de agradar, pois os jovens – e menos jovens – que apareceram, estavam cheios de vontade de aprender e, sobretudo, tinham talento próprio para mostrar.
Depois de apresentados os elementos constituintes dos Cool Hipnoise, Francisco Rebelo, o porta´-voz, teve oportunidade de explicar alguns procedimentos a ter antes de qualquer concerto e dispôs-se a responder a perguntas que o público quisesse fazer. Depois, a banda interpretou alguns dos seus temas mais conhecidos e presenteou quem esteve com algumas novidades do disco que sai hoje. Um privilégio.
HÁ TALENTO EM CHELAS
O Alexandre esteve quatro anos preso por agressão a um agente da autoridade e garante que não tem vontade de voltar à cadeia. Tem o curso de bate-chapas, é ‘rapper’ nas horas livres e sonha com um disco em nome próprio, mas enquanto isso não acontece vai apoiando as amigas Katia e Noémia, que é como quem diz Kat-Az e Nemmy, duas cantoras cheias de talento. Foi por elas que veio à sessão com os Cool Hipnoise. “Toda a gente tem de começar por algum lado”,
explica, com um encolher de ombros. Respectivamente com 23 e 21 anos, as duas amigas de Chelas já cantam juntas há mais de sete anos e têm exercitado as suas vozes em todo o lado onde podem.
A maior parte das vezes sem receber dinheiro em troca. Escrevem as próprias canções e dizem que o maior sonho das suas vidas é lançar um disco. No fim da sessão, puderam fazer ‘o gosto ao dedo’: cantaram e encantaram, com as suas canções de amor, revolta e apelo à solidariedade.
MAIS ACTIVIDADES
DIAS 22, 24 E 25
Os Cool Hipnoise levarão ‘Lisboa Mistura’ esta quarta-feira ao Bairro Padre Cruz, onde estarão a partir das 18h30; seguindo-se a Ajuda (dia 24, às 16h00) e o Bairro do Armador (25, 14h00).
DEBATES E CONCERTO
A iniciativa inclui ainda um ciclo de debates no Cinema São Jorge, dias 28 e 29, para falar de interculturalidade na cidade e de criação intercultural. Participam Vieira Nery e José Luís Peixoto, entre outros.
DOIS ESPECTÁCULOS
A encerrar a ‘Lisboa Mistura’, haverá espectáculos nos dias 1 e 2 de Dezembro, no Teatro Variedades, Parque Mayer.
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