Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
7

VÁ PARA FORA E NÃO FIQUE CÁ DENTRO

O título prometia, "Vá Para Fora…cá Dentro", um "slogan" muito em voga em décadas passadas e assaz curioso para a escolha de um estrangeiro. A concertina de Filipe Cal também. Aliás, saldou-se num dos momentos mais interessantes da peça de Romulus Neagu, um romeno que faz parte do elenco da Companhia de Paulo Ribeiro e que, depois de estrear em Viseu, se "aventurou" à capital.
21 de Janeiro de 2003 às 00:00
Convenhamos que o salto também não implicava grandes temores já que, no lugar onde se exibiu, a feia "caixa negra" nas catacumbas do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, não comporta muito mais que umas poucas dúzias de amigos, familiares, conhecidos e um ou outro curioso que se aventura a este tipo de espectáculos!

É pena que uma instituição como o CCB atire a dança contemporânea para o "buraco" quando tinha obrigação de promover no seu Pequeno Auditório (com uma capacidade de público bastante simpática) projectos de "interesse" e as correntes mais inovadoras da dança portuguesa. Adiante…

"Vá Para Fora… cá Dentro" é uma espécie de solo alargado a um ajudante (músico-actor) que assenta numa meia dúzia de lugares comuns que pouco trouxeram de novo ou de verdadeiramente estimulante.

Tal como na dança dita académica do século passado também hoje a chamada contemporânea – com que iniciámos este século – está cheia de "clichés" que vão da utilização do corpo desarticulado à da voz e do rosto (este com caretas e esgares numa deliberada e improvável caracterização), de muitas imagens em vídeo e à introdução de objectos do próprio teatro em cena.

Neagu, mostra durante os 29 minutos do seu trabalho, movimentos de pés e pernas gigantes, entrevistas com pessoas comuns e corredores onde se movem pessoas nebuladas, tudo projectado em vídeo, veste-se e despe-se, traveste-se com uma cabeleira loira e um vestido vermelho-sangue, corta legumes em cima de uma mesa, espalha a "salada" pelo palco e suja tudo com “ketchup” para depois se embrenhar, com o companheiro, na tarefa de tudo limpar sem um aparente objectivo.

A peça parece, desde o início, algo desfocada, pese embora a visível concentração dos dois intérpretes. Vista como um informal "estudo de composição"… a coisa passa.
Ver comentários