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Correio da Manhã

Cultura
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Valentes forcados!

Não terá sido uma grande corrida, a de domingo no Cartaxo, mas teve momentos de emoção, a começar pela mensagem à memória do homenageado, o antigo cavaleiro Gustavo Zenkl, lida no acto das ‘cortesias’. E também a ‘dureza’ da maioria dos toiros lidados (não confundir com bravura!) sobretudo na hora das pegas.
3 de Maio de 2005 às 00:00
Os Amadores do Ribatejo foram também homenageados pelo seu 1º centenário.
O toiro da divisa Prudêncio que abriu a praça, pesava 600 quilos e mereceu do júri o prémio para a ‘apresentação’. Teve comportamento de manso, que Bastinhas resolveu com experiência e arte para cumprir a ‘papeleta’, e chegou à pega inteirinho e ‘matreiro’. O cabo Joaquim Penetra assumiu a responsabilidade e, depois de muito porfiar, lá ficou, à 3ª, com muita valentia e querer. O cavaleiro de Elvas não teve mais sorte com o Ribeiro Telles que logo se ‘enquerençou’ na porta dos curros de onde foi sacado com esforço e saber, mas a lide, apesar de terminar com o par a duas mãos (a pedido), não atingiu brilho. João Carreira ‘dobrou’ Tiago Quintães e conseguiu uma pega difícil e duríssima.
Marco José surpreendeu pelo modo inteligente como tirou partido do seu excelente cavalo árabe para sacar dois curtos de notável execução e remata ao toiro da Condessa de Sobral, de investida curta e suave, terminando com vistoso violino uma lide positiva. Boa pega de Manhacaz à 2ª. O de Lopo de Carvalho foi lidado sob protestos do respeitável e a coisa não teve ‘estória’ ficando para Mário Gonçalves (pega à primeira) a honra da volta que Marco José recusou dignamente.
O primeiro de Ana Batista, de Infante da Câmara, foi o mais voluntarioso da corrida e exigiu da cavaleira toda a sua entrega e saber para o levar toureado, dentro do estilo clássico a que não faltaram adornos toureiros. Pega muito complicada de André Martins, a ‘dobrar’ Eurico Penetra. O toiro que fechou praça (Herdade das Silveiras) tinha ‘pata’, nervo e codicia, mas não era fácil: Ana Batista usou da sua já conhecida arte de levar toureados os mais complicados que se adiantam ao cavalo, e lidou na verdadeira acepção, sem abdicar do toureio frontal e autêntico, justificando inteiramente o troféu atribuído à melhor lide. Pegou à primeira, e com classe, Diogo Gomes, e o prémio para a pega foi atribuído ao grupo, por decisão ajustada do júri.
Emoção houve muita e até ao fim!
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