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Correio da Manhã

Cultura
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Ver a vida no feminino

Christiane Torloni chegou atrasada à conferência de Imprensa, ontem à tarde, no Hotel Tivoli, em Lisboa, mas foi por uma boa razão: “Tive de trocar de meias”, explicou, com um sorriso aberto. “Qualquer coisa estraga um par de meias, não é?”, acrescentou.
8 de Novembro de 2005 às 00:00
Vestida de camisola preta e saia cinzenta, com um toque de vermelho forte (nas botas, de salto bem alto, e num xaile em que se envolvia artisticamente), a actriz brasileira veio falar do espectáculo que a traz à capital portuguesa, 11 anos depois de ter passado por cá a título profissional.
Desta feita, sob a direcção de José Possi Neto, traz-nos ‘Mulheres por um Fio’, um espectáculo construído a partir de textos de Jean Cocteau (a inevitável ‘Voz Humana’), de Dorothy Parker (crónicas de crítica social dos anos 30) e de Miguel Falabella.
Em palco, Torloni dará corpo a três personagens: uma mulher à beira do suicídio por causa do homem que a abandonou; uma outra superfeminina e que, à boa maneira de Marilyn Monroe, se faz de ‘burra’ para melhor seduzir, e, finalmente, uma mulher ‘moderna’, de poder, manipuladora. O verdadeiro pesadelo dos homens.
SURPREENDENTE
José Possi Neto diz que este era um projecto antigo mas que só há dois anos é que a actriz – com quem trabalha há 18 – lhe disse que “sim”. ‘Mulheres por um Fio’ estreou-se finalmente no Brasil em Agosto de 2004, e o encenador conta que a adesão do público foi entusiástica e, de certa forma, surpreendente.
“Não estávamos à espera, mas o espectáculo, que tem uma temática marcadamente feminina, foi muito procurado pelos homens” afirmou. “Também tivemos muitos jovens, adolescentes, que interagiam com o espectáculo, o que, para nós, foi óptimo.”
Christiane Torloni, que anteriormente tinha feito, com o mesmo Possi Neto, um espectáculo sobre Salomé e outro sobre Joana d’Arc, diz que, numa sociedade que se desumaniza, o público procura, cada vez mais, a humanidade profunda das personagens.
“Não há mulher alguma que não tenha sido abandonada. Quantas de nós fomos deixadas pelo namorado através do telefone?”, interrogou. “E o que é que vamos fazer? Suicidarmo-nos com o fio? Não. Vamos sobreviver!”
O espectáculo promete, portanto, três histórias de vida, três caminhos distintos, para rir mas também para reflectir. “Toda a gente sai bem disposta deste espectáculo” garante a protagonista. ‘Mulheres por um Fio’ é para ver de 10 a 27, no Teatro Tivoli.
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