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Correio da Manhã

Cultura
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VIGOR EM PROGRAMA ATRACTIVO

Integrada no Festival de Dança de Sintra, apresentou-se, este fim-de-semana, no Centro Olga de Cadaval, a companhia inglesa de Henri Oguike.
18 de Julho de 2004 às 00:00
O trabalho deste coreógrafo, formado pela London Contemporary Dance School e proveniente da Companhia de Richard Alston, não é, de todo, desconhecido das plateias lisboetas, já que se apresentou na Fundação Gulbenkian (em 99) e, posteriormente, coreografou para o grupo de Vasco Wellenkamp, que agora o convida para Sintra.
Antes de mais, o programa exibido – preenchido por quatro peças e que o coreógrafo tem rodado, com êxito, pela Inglaterra – revela-se bastante equilibrado. Além disso, é de notar que o elenco masculino é composto por dois artistas portugueses que nunca dançaram no nosso país: Nuno Campos e Nuno Silva.
O atractivo grupo é composto apenas pelos bailarinos citados e mais cinco bailarinas que se desmultiplicam ao longo de muitos minutos de dança vigorosa e que apela a músculos bem treinados.
A começar, ‘Linha da Frente’, um sexteto para música de Shostakovitch acentuadamente dinâmico e em tons de negro. Rápido no movimento e muito ‘colado’ às cascadas de notas que a partitura para cordas não é parca.
Seguiu-se uma obra de fundo, com mais de meia hora, sobre a belíssima ‘Dido e Eneias’, de Purcell. Os mesmos bailarinos protagonizaram várias personagens do conhecido texto operático sem reproduzir, com clareza, o enredo dramático decorrente dos amores de Dido, rainha de Cartago, por Eneias. O clima das várias cenas revela-se de uma notável economia musical e coreográfica mostrando uma obra de carácter épico, de muito poder e concentração, que culmina na bela ária ‘When I am laid in earth’. Nuno Campos impõe a sua incontornável presença num trabalho em que Sarah Storer e Nuno Silva se responsabilizam pelos papéis titulares.
Seguidamente, Henri Oguike dançou com elegância e suavidade um solo de sete minutos, ‘FSP’, com música de Bill Evans interpretada ao vivo. Nele, basicamente. reproduziu movimentos mais contidos mas em tudo semelhantes aos das peças precedentes.
Com ‘Final’, sobre uma bela e luminosa selecção de temas de René Aubry, os sete versáteis e focados bailarinos terminam em beleza uma ‘soirée’ em que a energia conta e o movimento rápido e generoso transbordou para a plateia que não regateou aplausos a todo o grupo.
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