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Correio da Manhã

Cultura
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‘Vingança’ de Johnnie To no IndieLisboa

De Hong Kong até Lisboa a distância encurta-se quando se fala do cinema deste cineasta muito aplaudido a ocidente pela sua veia sarcástica, estética e domínio da violência
23 de Abril de 2010 às 18:07
O cantor e actor Johnny Halliday
O cantor e actor Johnny Halliday FOTO: D.R.

Em ‘Vingança’, filme em antestreia nacional no IndieLisboa (cinema São Jorge, às 21h45), Johnnie To faz um convite ao espectador, que o aceita, quase sem se dar conta: torcer por um homem que chega a Macau com o propósito de vingar o assassinato de toda a família da sua filha.

Johnny Halliday, Cavaleiro da Legião de Honra francesa, e um herói em terras gaulesas é esse vingador. Mas tem uma bala na cabeça, alojada ali desde os tempos de um passado mercenário subentendido, que lhe vai toldando a memória com o passar do tempo.

Filho de pai belga e mãe francesa, Halliday é considerado o Elvis Presley francês e, mesmo aos 66 anos, mantém o charme de galanteador que fez suspirar muitas adolescentes no auge da sua carreira, nos anos 1960.

Mais velho e repuxado (algumas plásticas ter-lhe-ão moldado o rosto?!), Halliday foi escolhido por Johnnie To para protagonista de ‘Vingança’, um filme irónico que ‘parodia’ a extrema violência, quase aleatória, das tríades chinesas.

De forma quase aleatória foram também escolhidos os três assassinos a soldo, contratados para descobrir e matar os responsáveis pelas mortes violentas do genro e netos de Halliday. Uma selecção que vai se revelar uma cómica  coincidência quando se revela que, afinal, trabalham para o mesmo homem que é o alvo a abater. Cinismo e ironia numa brincadeira cineamatográfica que Johnnie To domina na perfeição.

‘Vingança’ tem como cenário a misteriosa Hong Kong natal do cineasta e faz-se em jeito de western ainda que sem cavalos ou desertos como cenário.

Aliás, o palco da agitada e divertida odisseia do vingador e seus três capangas, faz-se entre a Macau de memórias (e nomes de rua) ainda bem portuguesas e a adrenalina cintilante da noite cheia de becos e corredores da Hong Kong mais marginal. Uma conciliação feliz, como o final do filme, que fica à mercê da imaginação do espectador...

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