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Correio da Manhã

Cultura
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Virtuosismo em sapateado electrizante

A programação, dita comercial, do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa – que não se prende, naturalmente, com a que leva a chancela dos dinheiros públicos porque resulta do aluguer do Grande Auditório – tem vindo a tornar-se, nos últimos tempos, algo repetitiva e bem menos aliciante.
3 de Fevereiro de 2005 às 00:00
Os empresários têm vindo a apostar em produtos com grande rodagem e muito batidos, mas que costumam resultar em garantidos sucessos de bilheteira. Está neste caso o espectáculo ‘Tap Dogs’ (Cães do Sapateado), com origem na Austrália, e que nos visita pela terceira vez.
Seria incorrecto não considerar a qualidade e rigor do espectáculo, feito apenas por meia dúzia de bailarinos e um discreto músico, com o milimétrico apoio de uns poucos técnicos de palco. E muito menos não mencionar que os intérpretes são exímios bailarinos – naquele estilo –, se esforçam por manter vivas ‘graças’ já gastas e que dão, literalmente, ‘o litro’ durante hora e meia, sem qualquer interrupção.
Para quem aprecia a habilidade bater ritmos desencontrados com cada pé, os sucessivos crescendos sonoros em que o sapateado é tão pródigo, e as dezenas e dezenas de variações sobre um mesmo tema, o espectáculo poderá ser visto repetidamente.
Contudo, a sua frescura inicial já há muito que se desvaneceu. Ao fim de mais de uma década, a dupla Dein Perry (coreógrafo) e Nigel Triffitt (encenador –designer) ainda consegue um excelente resultado com seis rapazes bem parecidos e de óptimo astral; um cenário metálico ‘evolutivo’ onde pontuam o fumo, o fogo e a água; um desenho de luzes irrepreensível e umas sequência de situações que misturam imagens tão contrastantes como operários brutos de rebarbadoras em punho ou um grupo de molhados transeuntes com a ‘finesse’ de Gene Kelly numa cena de ‘Serenata à Chuva’.
O espectáculo, com o selo da produtora UAU, estará em cena até domingo, às 21h00, no Grande Auditório do CCB.
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