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Correio da Manhã

Cultura
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Yes ainda dizem sim

Mais de 40 anos depois do começo, os Yes ainda dizem sim. De cabelos brancos e ar de ‘avozinhos do rock progressivo’ mostraram esta quinta-feira à noite, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, que estão à vontade a fazer o que sempre fizeram melhor: boa música.

4 de Novembro de 2011 às 01:07
Plateia aplaudiu temas como ‘Owner of a Lonely Heart’
Plateia aplaudiu temas como ‘Owner of a Lonely Heart’ FOTO: Pedro Catarino

O som de outrora ainda representa uma sólida amostra de guitarra experiente e óptimo baixo – não é por acaso que o baixista Chris Squire é o único que se mantém desde o início da formação…

A plateia saudosista, que não encheu mas compôs muito bem a sala lisboeta, vibrou com a onda de outros tempos e com canções que se elevam por caminhos diversos, abraçam as oscilações de ritmo, entram de frente em ruelas mais estridentes e sinfónicas para depois compensar com solos de guitarra imparáveis ou teclados festivos a lembrar as boas sonoridades dos anos de 1970 e 80.

Na voz, os Yes têm talvez o seu ponto mais fraco, mas também ela é só mais um elemento de um género que se transcende para lá dos anos que passam. O novo vocalista, Benoît David (outrora da banda Mistery), foi quase personagem secundária. No fundo, entendeu bem o seu lugar e não comprometeu o espectáculo.

Quanto ao alinhamento, optaram por ir oscilando entre os clássicos e os temas do mais recente disco, ‘Fly From Here’, editado em Junho. Embalados desde cedo por ‘Yours is No Disgrace’ ou ‘I’ve Seen All Good People’, os fãs ficaram a perceber que ainda há boa música no novo rumo da banda.

Porém o melhor ficou para o fim: ‘Owner of a Lonely Heart’ só ganhou com o tempo e ‘Machine Messiah’ ainda é capaz de levar ao delírio.

Na linha da frente – e a alma de todo o concerto! – esteve mesmo o guitarrista Steve Howe, que se embrenhou no grupo em 1970, se retirou e voltou para dar novo fôlego aos Yes em 1995. A forma como dedilha a guitarra é como a dos melhores contadores de histórias – o momento a solo foi dos mais preciosos de todo o serão. Aos 64 anos, e com um passado que incluiu presenças nos grupos Bodast, The Syndicats, Tomorrow ou Asia, Steve Howe parece muito pouco interessado na reforma. E os anos só dão mais espessura ao seu estilo irrepreensível. É desta matéria que são feitas as lendas do rock.

YES CONCERTO COLISEU LISBOA MÚSICA
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