A ALMA ESTÁ A PENAR

O popular Salgueiros está de rastos... O facto da equipa de futebol ter sido despromovida à 2ª Divisão B pela falta de pagamento à Liga de Clubes do empréstimo de 650 mil euros que lhe fora concedido - uma descida ratificada pelo Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol -, forçou o Salgueiros a disputar a Zona Norte com o recurso a juniores com contrato de formação.

04 de setembro de 2004 às 00:00
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Os salgueiristas estão impedidos de registar contratos com novos jogadores, até que paguem as dívidas contraídas, por salários em atraso, para com ex-futebolistas e ex-treinadores. De acordo com fontes contactadas pelo CM, o Salgueiros necessita de cerca de 650 mil euros para pôr cobro às sentenças ditadas pela Comissão Arbitral Paritária, numa altura em que o tempo limite para a inscrição de futebolistas profissionais na II B está a esgotar-se (30 de Setembro).

Assim, actualmente o Salgueiros apenas pode recorrer ao quinze juniores com contrato de formação - como aconteceu no domingo passado na derrota por 3-1 diante dos Dragões Sandinenses -, bem como aos quatro jogadores que desde a época passada mantêm vínculo ao clube.

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Um verdadeiro problema para o técnico Luís Miguel Pedrosa, que sucedeu a Luís Norton de Matos depois deste ter abandonado a equipa na sequência da debandada de futebolistas após a despromoção do Salgueiros. O até há bem pouco tempo futebolista do Boavista espera vir a formar um plantel com 23 elementos para atacar o campeonato da Zona Norte, sugerindo que “os jogadores têm que ser um pouco tolerantes e acreditar que vai ser possível no mais curto espaço de tempo resolver as situações”.

Com mais de uma dezena de futebolistas à experiência e ainda sem saberem que futuro os reserva, mesmo assim o treinador do Salgueiros defende que “não se deve dramatizar demais as coisas”, acrescentando que o trabalho está a ser feito para “vencer a apreensão e a reconhecida falta de disponibilidade total”. Pedrosa recupera as contrariedades por que passou no Sporting e Boavista, nomeadamente ao nível de lesões, para antever que “o Salgueiros também vai superar” e garante que “os jogadores não estão à deriva”. Para já, o jogo da 2.ª jornada com o Ribeirão foi adiado, o que permite alguma margem de manobra aos salgueiristas, antevendo que até meio do mês os impedimentos para registar novos contratos vão ser ultrapassados.

APANHADOS DE SURPRESA

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O médio Braga (na foto) é, conjuntamente com o guarda-redes Nuno Oliveira, o lateral Toninho e o centrocampista André Soares, um dos quatro futebolistas seniores que restam no Salgueiros. “Fiquei porque gosto do Salgueiros. Fui formado aqui e disseram-me que contavam comigo”, explicou o futebolista de 21 anos, reconhecendo que “foi um choque tudo o que aconteceu”. “Estávamos na Liga de Honra com o objectivo para subir e, de repente, recebemos a notícia da descida à II B... Todos pensaram logo em ir embora e resolver as suas vidas”.

Nuno Diogo foi o primeiro a abandonar o barco, precisamente no dia da apresentação da equipa e quando o Salgueiros foi confrontado com a descida de divisão. Artur Jorge Vicente, Ricardo Pateiro e Carioca seguiram-lhe as pisadas pouco depois e a ‘bola de neve’ foi crescendo com as deserções de Filó, Gabriel, Carlos Gomes, Ricardo Jorge, Heitor, Loukima, Djalmir, Flávio, Luís Miguel, Marcelo Moreto, Carlos Ferreira, José Fonte, Marco Silva e até o treinador Norton de Matos, que alegou que “não havia condições psicológicas para reconstruir um plantel em 15 dias para II B”.

À debandada geral, acrescenta-se o facto de existirem muitos futebolistas credores do clube, impedindo o Salgueiros de inscrever novos jogadores ou renovar os contratos existentes. São os casos de Basílio, Carlos Andrade, Filipe Azevedo, Iliev, Issufo, Marco Cláudio, Marco Freitas, Nélson, Ricardo Fernandes, Sérgio Ribeiro, Tiago e até o ex-treinador Vitor Manuel.

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‘Linhares Ladrão Rua’, ‘Já chega de Mentiras’ e ‘Rua com os Chulos’ são algumas das inscrições a negro que decoram as paredes que dão acesso aos escassos metros quadrados que o Salgueiros ainda dispõe no espaço que em tempos foi o Campo eng. Vidal Pinheiro e que hoje vê nascer uma estação do Metro do Porto.

Sem estádio próprio - os terrenos de Arca D’Água cedidos pela edilidade estão ao abandono e já se tornaram num dos pontos do roteiro de pesca da Invicta -, o Salgueiros treina diariamente no Parque da Cidade e, quando na qualidade de visitado, joga no campo do Leça, depois de nos últimos dois anos ter utilizado o Estádio do Mar, propriedade do Leixões.

Uma situação que até não é inédita no clube - há dez anos que é campeão de pólo aquático e também não tem piscina -, mas que priva os futebolistas das condições mínimas. No espaço que em tempos foi ocupado por um rinque, estão agora alguns contentores que servem para apoio à equipa como... balneários.

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LINHARES TEM OPOSIÇÃO

José António Linhares é presidente do Salgueiros desde 1995, sucedendo a Carlos Abreu, de quem foi vice-presidente para o futebol. A ambicionada construção do estádio que não passa de projecto e a recente despromoção à II B fez recair sobre o líder o ódio dos salgueiristas, que “não se revêm nesta maneira de gerir o clube”.

Esta quarta-feira, mais de cem assinaturas de sócios chegaram às mãos do presidente da A.G., Montalvão Machado, a solicitar uma reunião magna para que sejam destituídos os actuais corpos sociais: “Estamos apreensivos e muito conscientes que por este rumo o Salgueiros não tem futuro”, explicou Jorge Viana, sócio nº 486, acrescentando que o grupo que avançou para a recolha de assinaturas, também juntou os nomes de mais trezentos associados solidários com o movimento. “O clube não vai cair no vazio”, garante.

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CRONOLOGIA DA CRISE

A Liga de Clubes concede um empréstimo de 650 mil euros ao Salgueiros, através de um contrato mútuo de hipoteca, lavrado no segundo Cartório Notarial de Vila do Conde. O empreéstimo visa dar uma lufada de ar fresco às finanças do clube de Paranhos.

É a data limite para o Salgueiros liquidar o empréstimo contraído junta da Liga de Clubes. A hipoteca recaía sobre prédios a construir junto ao espaço destinado ao novo estádio, o qual foi traçado para substituir o histórico Vidal Pinheiro.

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A Liga de Clubes dá cumprimento ao Artigo 35 dos seus regulamentos e determina a despromoção à do Salgueiros à 2ª Divisão B. O clube portuense reclama por justiça e apresenta um recurso junto do Conselho de Justiça da Federação.

O CJ indefere o recurso do Salgueiros e ratifica a decisão da Comissão Executiva da Liga Clubes de despromover o clube à 2ª Divisão B, por não ter pago o empréstimo de 650 mil euros. O Portimonense toma o lugar do Salgueiros na Liga de Honra.

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