Amadores com salário

O Conselho de Disciplina da Associação de Futebol do Algarve instaurou um processo de averiguações ao Esperança de Lagos, devido a denúncia do Algarve United, que acusou este e outros clubes de não pagar os devidos impostos sobre os salários dos seus futebolistas.

07 de fevereiro de 2006 às 00:00
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“Inscrevem os jogadores como amadores, mas pagam-lhes. Isso é ilegal”, refere Corrado Correggi, presidente do Algarve United. “Quem tem recursos pode compensar os seus atletas da forma que entender, mas inscrevendo-os como profissionais e pagando os impostos e contribuições para a Segurança Social.”

Corrado aponta o Campinense, líder do campeonato da 1.ª Divisão da AF Algarve, como “o campeão dos que não cumprem as regras. Recebe dinheiros públicos de subsídios, paga uma média de 500 euros aos seus jogadores, nenhum dos quais inscrito como profissional, e não há lugar a descontos obrigatórios...”

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O Quarteirense, por sua vez, “fez um negócio com o Louletano: libertou um júnior recebendo por empréstimo um profissional que está inscrito como amador, num quadro de perfeita ilegalidade.”

As denúncias do Algarve United “baseiam-se num aspecto que falseia a competição: concorrência desleal. Quem faz uso desse recurso deverá perder os jogos, pois como cumprimos as regras, não pagamos a amadores, ao contrário do que sucede com os adversários. Se inscrevermos profissionais, somos obrigados ao pagamento de compensações aos clubes de origem, onde detinham o estatuto de falsos amadores...”

Corrado Correggi acredita que, só na 1.ª Divisão da AF Algarve, é movimentado “cerca de um milhão de euros, por época, em pagamentos de salários a jogadores amadores. Poucos clubes escapam a essa situação, o que desvirtua por completo a prova.”

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ACUSAÇÕES GERAM REVOLTA

A presidente do Campinense, Ângela Matias, nega as acusações de Corrado. “Recebemos dinheiro da Câmara para várias modalidades, pois não temos apenas futebol. Aos jogadores são pagos subsídios de presença e prémios de jogo, nada mais. O presidente do Algarve United anunciou que iria chegar à Liga em cinco anos e, como não está a conseguir os seus objectivos, procura denegrir o a imagem e o trabalho dos outros. O que faz ele na vida, o que o trouxe para o Algarve?”, pergunta. Carlos Borlinha, líder do Esperança de Lagos, garante que o seu clube “tem agido sempre dentro da legalidade, seguindo as instruções fornecidas pelo Fisco e pela Segurança Social.” Vários clubes estão na disposição de tomar medidas em relação ao Algarve United – “não vão brincar connosco”, diz Ângela Matias –, o que Corrrado entende como “uma demonstração de receio”. “Querem calar-nos”, frisa.

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