Assumi apenas o que se fala nos bastidores
Jorge Coroado, ex-árbitro internacional, lança hoje no mercado o seu livro ‘O Último Cartão’. Nas 203 páginas da publicação o agora comentador de arbitragem conta muitas histórias, que vão desde trocas de favores a tentativas de coacção e corrupção e muito mais. No entanto, o caso que mais polémica parece suscitar são as “mordomias sexuais” que os árbitros tinham em algumas deslocações ao estrangeiro.
O ex-árbitro retrata três experiências e ao Correio da Manhã diz que só assumiu o que há muito se comenta na arbitragem.
“Aquilo que escrevi diz-me respeito só a mim e a mais ninguém. Sempre tive o hábito de assumir o que faço e pelo que passei. Mas não deixa de ser verdade que este assunto é muito comentado no mundo da arbitragem e eu resolvi assumir o que se fala nos bastidores. Fazem-se grandes filmes sobre isto e eu resolvi esclarecer.” Nos tempos que correm as coisas já são diferentes: “Hoje em dia é tudo bastante diferente. É tudo mais rigoroso e transparente. Ou seja, é muito difícil de acontecer, mas não acredito que seja impossível, registe-se”.
Confrontado pelo CM de quem vinham estas “mordomias sexuais”, Jorge Coroado iliba o organismo máximo do futebol europeu, a UEFA, e diz que eram os clubes que tratavam de tudo. “Na minha altura eram pessoas ligadas aos clubes que nos ofereciam favores sexuais. Uma pessoa esperava-nos no aeroporto e tratava de tudo.”
O nosso jornal ouviu também alguns ex-árbitros internacionais e antigos responsáveis por instituições do futebol português que confirmaram ser “habitual” nas deslocações ao estrangeiro existir este tipo de “mordomias sexuais”. Contudo, ao contrário de Coroado, ninguém quis dar a cara. Ainda assim, o ex-árbitro António Garrido quebrou o silêncio. Para nada dizer: “Fui um árbitro de ‘top’. Não tenho de falar sobre essas histórias rocambolescas”.
Coroado não quis revelar se já foi abordado por autoridades competentes, desportivas ou policiais, para esclarecer o teor e os protagonistas de algumas das denúncias apresentadas no livro.
- "Em 1991, na Alemanha, surgiu-me outra oportunidade extra-futebol. (...) À nossa disposição foi-nos colocado um naipe de escolha absolutamente espantoso (...) Diversas mulheres de fazer perder a cabeça.
- Estava na Roménia para apitar o jogo da Liga dos Campeões entre o Steaua de Bucareste e o Salzburgo. No final do jantar a seguir à partida foram-nos apresentadas umas jovens. E que jovens! Confesso que a que me calhou era um esplendor (...) funcionária do Ministério do Exército. (...) Curiosamente ou talvez não, o responsável do Steaua que nos acompanhou era Major e seu superior hierárquico. Percebi que tinha enviado o marido dela, tenente do exército, para os Urais. (...) Com delicadeza, e imenso pesar por não desfrutar daquela obra de arte, abri a porta do quarto e despedi-me dela".
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