Barrigana foi um dos meus ídolos
Foi um dos ídolos da minha infância. Perde-se uma glória da sua geração, mas nunca se perderá a memória de um guarda-redes fabuloso e de uma excelente pessoa”. Pinto da Costa evocou assim a memória de Barrigana, guarda-redes do FC Porto nas décadas de 40 e 60, que faleceu no passado sábado devido a problemas pulmonares.
O funeral de Barrigana realiza-se hoje, às 18h30, com saída do cortejo da igreja de Barrô, Águeda, para o cemitério local. Amigos, antigos companheiros ou apenas adeptos vão dizer adeus pela última vez àquele que ficou conhecido pelos ‘Mãos de Ferro’ e ainda é um dos jogadores com mais partidas de campeonato feitas com a camisola do FC Porto. Apenas Vítor Baía o suplantou.
Frederico Barrigana fez-se jogador de futebol no Unidos do Montijo, perto da terra que o viu nascer, Alcochete. No início de 1943 o Sporting avançou para a sua contratação, mas a baliza leonina, nessa altura, era propriedade exclusiva de João Azevedo, um ‘monstro sagrado’ das redes. Por isso, nunca chegou a debutar de leão ao peito.
Ainda nesse ano, um acontecimento de cariz político, com remoques cinematográficos, marcou a vida de Barrigana. Conta-se assim: O guarda-redes do FC Porto, Bela Andrasik, húngaro de nascimento, desapareceu misteriosamente. Veio a saber-se depois que era um espião antinazi e que fugira do país com medo que tal se descobrisse pela polícia secreta no país de Salazar. Com a baliza vazia, os dirigentes do FC Porto pediram encarecidamente ajuda ao Sporting, que emprestou Barrigana. Chegado ao Porto, o guarda-redes pode finalmente provar o seu valor. Pegou de estaca e já não regressou ao Sporting. Durante 12 anos mostrou qualidades invulgares na baliza portista (também na Selecção), com destaque para a segurança com que saía de entre os postes.
Frederico Barrigana nasceu em Alcochete em 28 de Abril de 1922. Começou a jogar no Unidos do Montijo, ingressou no Sporting aos 21 anos e uma época mais tarde mudou-se para o FC Porto, onde defendeu a baliza dos dragões durante 12 épocas, sem contudo ter ganho campeonatos. Na parte final da carreira, após sair do FC Porto, jogou três anos no Salgueiros. Foi internacional em 12 ocasiões, com estreia num Espanha-Portugal.
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