Bruno de Carvalho: "Acho que os sportinguistas deviam pedir uma AG para eu voltar"
Antigo presidente do Sporting considera que "mexeu com muitos interesses" relacionados com o futebol português, durante o seu mandato, e que tudo o que se passou no seio dos "leões" aconteceu por ser inocente.
O antigo presidente do Sporting Bruno de Carvalho considera que "mexeu com muitos interesses" relacionados com o futebol português e que tudo o que se passou no seio dos "leões" aconteceu por ser inocente. "Era impensável em clubes como o Benfica ou o FC Porto acontecer o que aconteceu", disse numa entrevista à TVI, esta quinta-feira.
"Como cidadão, fiquei completamente horrorizado com o que aconteceu em Alcochete, mas também fiquei horrorizado com o que aconteceu em Guimarães uns meses antes", acrescentou, dizendo que este segundo caso foi ignorado pelo País e pelas autoridades.
Durante a entrevista, BdC defendeu, ainda, que considera que a leitura do processo "não é o fim de nada". "Infelizmente, é o início de qualquer coisa. Isto foi tão pesado. Estes dois anos foram tão pesados, para mim e para a minha família. Foi um assassinato de caráter tão grande que esta decisão não elimina tudo", confessou, acrescetando: "Enquanto cidadão, enquanto pai e enquanto filho não tenho esse sentimento de que foi feita justiça Foi um assassinato de caráter tão grande que vai demorar a resolver".
"Acho que os sportinguistas deviam pedir uma assembleia-geral para eu voltar", defendeu também quando questionado sobre a sua relação com o clube - "que amo", disse -, de que foi expulso numa reunião magna convocada pelos sócios do Sporting para o efeito. Para Bruno de Carvalho, o diretor da segurança da Academia de Alcochete devia ter-se demitido na sequência das agressões.
O ex-dirigente dos "leões" foi, esta quinta-feira, absolvido de todos os crimes, incluindo a autoria moral, no caso da invasão à Academia de Alcochete, em que vários jogadores e elementos técnicos da equipa de futebol sénior do Sporting foram agredidos por um grupo de adeptos.
Na leitura do acórdão, que decorreu no tribunal de Monsanto, em Lisboa, o coletivo de juízes, presidido por Sílvia Pires, considerou que não foram provados factos contra Bruno de Carvalho, que liderou os "leões" entre 2013 e 2018. Igual conclusão tiveram sobre o líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes, conhecido por Mustafá, e sobre o ex-Oficial de Ligação aos Adeptos (OLA) do clube Bruno Jacinto, que, tal como o antigo presidente, estavam acusados da autoria moral da invasão.
Já nove dos arguidos do processo foram condenados a prisão efetiva e 29 a penas suspensas, por crimes de ameaça agravada e ofensa à integridade física. O coletivo de juízes absolveu ainda todos os arguidos do crime de sequestro e terrorismo, uma vez que tinham um alvo definido, sem interferirem com a paz pública.
O antigo líder da claque Juventude Leonina Fernando Mendes e outros oito arguidos foram condenados a cinco anos de prisão efetiva, 29 foram condenados a penas entre três anos e seis meses e quatro anos e 10 meses, suspensas por cinco anos, enquanto três foram condenados a penas de multa.
O processo do ataque à Academia - onde, em 15 de maio de 2018, jogadores e equipa técnica do Sporting foram agredidos por adeptos ligados à claque 'leonina' Juve Leo -, tinha 44 arguidos, acusados de coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.
Todos os arguidos aguardavam a leitura do acórdão em liberdade - alguns com termo de identidade e residência, apresentações semanais e proibição de frequentarem recintos desportivos -, depois de muitos terem estado em prisão preventiva.
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