DACAR 2003:ARMADILHA DAS DUNAS DEIXA SHINOZUKA EM COMA
A etapa de ontem do ‘Dacar’, percorrida entre Ghat e Sabha, na Líbia, ficou marcada pelo grave acidente de que foi vítima a dupla Kenjiro Shinozuka/Thierry Delli-Zotti, em tudo semelhante ao que o piloto japonês e o português Carlos Sousa sofreram na edição de 2000.
Face à gravidade dos ferimentos, Kenjiro Shinozuka, que sofreu traumatismo crânio-facial (continua em coma e com diagnóstico de “muito grave”), e o seu navegador foram de imediato transportados de helicóptero, pelos médicos da prova, para Sabha, segundo o comunicado da organização, no qual se adiantava que assim que “o estado de saúde estabilize, serão transferidos para Tunes, de avião”.
Aconteceu tudo ao quilómetro 373 da “especial” (de 497 quilómetros), numa sequência de sete a oito dunas altas, tendo sido na última que Kenjiro Shinozuka “voou” para o “precipício” com a sua Nissan Pick-Up. “Nas informações fornecidas ao piloto, a marcação da distância não estava correcta, o piloto entrou depressa de mais e mergulhou no ‘abismo’. Foi a repetição do que lhe sucedera quando ele e o Carlos Sousa tiveram o acidente, em 2000”, adiantou ao CM Rui Faria, que está a acompanhar este ‘Dacar’.
“Pelos contornos que teve este acidente, é uma situação que em termos psicológicos é extremamente complicada para Carlos Sousa, tanto mais que esta não é a primeira vez que são detectados erros, mesmo com ele, ainda na Tunísia, onde se deu o acidente do Volkswagen Tarek do alemão Dieter Depping”, acrescentou.
No entanto, esta até foi uma etapa que correu bem ao português, concluindo-a na oitava posição, o que lhe permitiu subir para sétimo na classificação geral.
Para Paulo Marques a etapa foi para esquecer, não se sabendo à hora do fecho desta edição se continuaria em prova ou não, estando a decisão dependente dos exames que o piloto de Famalicão tinha de fazer ainda ontem à noite. Uma queda deixou marcas profundas, tanto de ordem física como na moto, e no final da etapa os médicos aconselharam-no, inclusive, a não continuar em prova.
Quanto as restantes portugueses, Elisabete Jacinto viu-se obrigada a mudar para a categoria T5, o que lhe permite continuar a acompanhar no ‘Dacar’ sem ser em competição. Na etapa de ontem, Ricardo Leal dos Santos foi 111.º e Bernardo Vilar e Carlos Oliveira terminaram em 48.º e 49.º, respectivamente.
Na frente da caravana, o francês Stéphane Peterhansel manteve a liderança nos automóveis, apesar de ter visto reduzir-se a diferença para o japonês Hiroshi Masuoka, o vencedor da etapa, mas nas motos houve mudança de comando, pertença agora do italiano Fabrizio Meoni, já que o francês Richard Sainct atrasou-se, não conseguiu melhor do que sétimo lugar.
Hoje cumpre-se mais uma etapa (a nona) em território líbio, num percurso de 585 km em que 567 correspondem à “especial”, iniciando-se o percurso com uma ligação 6 km, para terminar com outra ligação de 12 km. Trata-se de uma etapa que não difere muito do habitual. As cristas de areia do Murzuk dão lugar às rápidas planícies que se estendem pelos primeiros 300 km da “especial”, surgindo depois a montanha com o maciço vulcânico de Al Haruj. A navegação é difícil, já que são poucas as referências fiáveis.
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