“Defendo o aumento dos clubes da Liga de 16 para 18”

Mário Silvares de Carvalho Figueiredo tem 45 anos (nasceu no dia 9 de Agosto de 1966, em Coimbra). É casado e tem três filhos. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, tem um MBA (Master Business Administration). É sócio da sociedade de advogados portuense Gil Moreira dos Santos, Caldeira, Cernadas & Associados. A Lista B apresenta André Dinis de Carvalho como candidato para presidir à mesa da assembleia geral da Liga e Júlio Manuel Vieira Gomes para a liderança da comissão disciplinar.

12 de janeiro de 2012 às 01:00
LIGA, ELEIÇÕES, MÁRIO FIGUEIREDO, ENTREVISTA
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1. É a crónica de uma morte anunciada, com um impacto terrível. A legislação em vigor é obsoleta e tudo faremos para que seja actualizada, seguindo o modelo francês que é pioneiro na Europa.

2. O nosso projecto para a Liga visa uma reformulação da distribuição de receitas. Primeiro, aumentando o bolo global e, depois, introduzindo mecanismos de solidariedade a favor dos pequenos e médios clubes (PMC). Isso vai tornar o futebol mais competitivo, mais atractivo, e conduzirá ao aumento dos espectadores e das receitas dos PMC. Só com 18 clubes verdadeiramente competitivos a Liga pode aspirar a conquistar o interesse de mais adeptos, a crescer e a internacionalizar-se para mercados que estão por desbravar.

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3. Foi totalmente errada a decisão tomada, em meados da década passada, de diminuir o número de clubes da primeira Liga. A primeira medida que vou tomar será no sentido do alargamento, com a aprovação imediata do aumento dos clubes da Liga, de 16 para 18, a vigorar já na próxima época.

4. Não se pode limitar a entrada de jogadores estrangeiros, isso seria matar o nosso futebol, que vive muito da formação de talentos. O que é preciso é criar as condições para valorizar positivamente os jogadores formados localmente. A via não pode ser a da limitação e da repressão, mas sim a do incentivo pela positiva, com a aposta na formação, com investimentos nas infra-estruturas e através da descida do salário mínimo no primeiro contrato do jogador nacional com menos de 21 anos, também na 1ª Liga. Esta medida concreta permitirá aliviar o peso dos salários nos orçamentos dos PMC e facilitar a aposta no jogador português.

5. A teoria económica diz--nos que centralizando a negociação na Liga os clubes ganham um poder negocial que nunca teriam isoladamente, o que conduz ao aumento das receitas do conjunto. Isso permite introduzir uma almofada para os que descem de divisão e duplicar as receitas dos pequenos e médios clubes.

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6.Muito mais do que isso. A Liga tem agora a oportunidade de se focar naquilo que deve ser o núcleo duro da sua actividade: defender os interesses de todos os clubes no sentido da competitividade, da sustentabilidade e da internacionalização.

7. Desde há 10 anos que a minha actividade já estava em grande medida relacionada com o direito desportivo e com os problemas da Liga. Mas o que impulsionou esta candidatura foi o desafio lançado pelos pequenos e médios clubes por um futebol mais unido, sustentável e competitivo.

8. Lembremo-nos do exemplo de Inglaterra. Na década de 80, o futebol inglês era associado ao hooliganismo. Hoje, com o equilibrar da partilha financeira dos lucros, propiciador de uma enorme competitividade, tornou-se no melhor campeonato do Mundo.

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9. As receitas dos direitos televisivos são actualmente repartidas em 50% para os ‘três grandes’, 30% para a Olivedesportos e 20% para os restantes 29 clubes. É um desequilíbrio brutal, e é uma margem excessiva para o monopolista. Como a Olivedesportos tem participações relevantes nos ‘três grandes’, o que está a acontecer é que os quatro principais beneficiários referidos estão unidos à volta da candidatura do meu opositor. Temos de mudar este paradigma. O meu projecto beneficia os clubes de futebol aumentando de forma muito significativa o total das receitas dos pequenos e médios clubes e por isso, pela primeira vez na história da Liga, há uma eleição que irá ser ganha pelo candidato sem o apoio da Olivedesportos.

10. Nasci e estudei em Coimbra. Como é evidente, tenho uma costela da Briosa. Mas acredito vir a ser o presidente de todos os clubes.

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