"Dispensa do Benfica deu-me mais força"
O internacional português Sílvio vai reforçar o Atlético de Madrid até 2016. Os espanhóis pagaram oito milhões de euros ao Sp. Braga. Com o início da pré-época na segunda-feira, o extremo promete trabalhar com o mesmo empenho e ambição para vencer.
Correio Sport - O que sentiu quando assinou contrato com o Atlético de Madrid?
Sílvio - Uma enorme alegria por assinar com um clube tão grande, que sempre gostei e acompanhei. Foi um orgulho enorme.
- Na apresentação oficial que decorreu na segunda-feira...
- Percebi que se trata de um clube bem organizado e estruturado, com um bom estádio. Foi uma conferência de imprensa bastante concorrida.
- O que é que o treinador Gregorio Manzano e o presidente do Atl. Madrid, Enrique Cerezo, lhe pediram?
- Acima de tudo, empenho e que seja um bom profissional. E é isso que vai acontecer.
- O facto de já terem passado pelo Atl. Madrid grandes nomes como Futre, Dani, Simão, Tiago e Maniche aumenta a sua responsabilidade?
- Não. Sei que tenho de ir para Madrid com um único pensamento, que é trabalhar muito, ser profissional e tentar vencer como os outros venceram. Nada mais.
- José Mourinho disse que é era um "dos poucos jogadores interessantes" que ainda estão em Portugal. Qual é a sensação de ouvir estas palavras?
- É sempre bom ouvir isso, mas quando se trata de José Mourinho, o melhor do Mundo, tem ainda mais importância e deixa-me muito orgulhoso.
- É mais um incentivo?
- São palavras moralizadoras e muito motivantes. Sem dúvida.
- Cristiano Ronaldo também disse que Sílvio é "um dos melhores jogadores da Europa na sua posição"...
- É muito bom. O Cristiano também é o melhor do Mundo e se ele diz isso é porque sente que eu tenho valor. É óptimo e gratificante.
- Quais são as perspectivas para a nova época?
- Os objectivos da equipa passam por conseguir sempre a melhor classificação possível na Liga espanhola e a presença nas provas europeias. Vamos procurar fazer um trabalho melhor que no ano anterior.
- Vai encontrar um Atl. Madrid em reestruturação. Isso pode dificultar a sua integração?
- É capaz de ser mais difícil do que nos clubes em Portugal. Apesar de perceber o espanhol, não é a minha língua e não estou no meu país. Mas eu tenho facilidade de me adaptar bem às equipas e aos grupos, e o Atl. Madrid não vai ser excepção.
- Quando se falou em valores na ordem dos oito milhões de euros - a transferência mais cara do Sp. Braga -, ficou impressionado, surpreso?
- É um valor alto para um jogador que sai do Sp. Braga, mas isso são negociações que não me dizem respeito. Não sei se é verdade ou não. Não estou preocupado.
- A sua carreira tem sido construída a pulso: Odivelas, Rio Ave, Sp. Braga...
- Em toda a minha vida, nunca deixei de acreditar que podia atingir os objectivos que tracei e tenho vindo a alcançá-los a todos. Não é por ter assinado por um grande clube como o Atl. Madrid que vou deixar de ser ambicioso ou mudar a minha forma de estar na vida.
- E quando foi dispensado pelo Benfica?
- Ainda fiquei com mais força para vencer na vida.
- Foi o pior momento da sua carreira?
- Sim. A partir daí, nunca mais fui dispensado de nenhuma equipa. Passei 13 anos da minha vida na Luz e estava num clube que adorava. Hoje em dia, já não me diz nada.
- A final da Liga Europa (FC Porto-Braga, 1-0) foi o ponto alto da sua carreira?
- Foi. Nunca tinha estado numa competição destas e chegar à final foi a cereja no topo do bolo.
- A derrota em Dublin ficou atravessada?
- Claro. Perder uma final nunca é fácil. Porém, todos sabemos que jogámos contra uma equipa muito forte e muito motivada, que mereceu ganhar.
- Qual foi a chave do sucesso do Sp. Braga?
- Começámos bem, mas a meio da época passámos por alguns problemas. O segredo foi mesmo a união do balneário e a força que os adeptos nos deram. Foram incansáveis no apoio à equipa.
- Domingos Paciência pode ter o mesmo sucesso no Sporting?
- Creio que sim. É um treinador com grandes qualidades e à altura de uma equipa como o Sporting.
- Qual é a principal característica de Domingos Paciência?
- Faz tudo para ter o grupo unido e isso é decisivo.
- A saída de André Villas-Boas para o Chelsea deixa o FC Porto mais fragilizado?
- O FC Porto tem uma grande equipa e, se continuar com a mesma estrutura, qualquer treinador a pode orientar e ganhar.
- E o Benfica?
- É sempre candidato ao título. O favorito continua a ser o FC Porto, embora o Benfica também esteja na corrida. Tem sempre grandes equipas e, mesmo não estando bem, joga sempre para ganhar.
- É verdade que o FC Porto tentou contratá-lo?
- Só soube disso quando li nos jornais. Não houve nada concreto.
- Fazia parte dos seus objectivos uma carreira internacional?
- Sim, se não fosse esta época, tentaria na próxima.
- A Liga espanhola era a prioridade?
- Sem dúvida. É uma grande liga e sinto que me vou dar bem.
- Já imaginou os duelos com o Barcelona e o Real Madrid?
- Não, mas é muito fácil fazê-lo. Serão jogos muito complicados.
- Acredita que vai estar na fase final do Europeu de 2012 (Ucrânia e Polónia)?
- Trabalho para esse objectivo. Gostava muito e ficava muito orgulhoso que o seleccionador Paulo Bento contasse comigo.
- O facto de estar no Atl. Madrid facilita essa chamada à Selecção?
- Acho que o que facilita é eu estar a jogar e ser titular. O Sp. Braga é uma equipa mais pequena, mas eu era titular. No Atl. Madrid, sei que tenho de lutar para ser titular e, se conseguir esse objectivo, a Selecção fica mais perto.
PERFIL
Sílvio Sá Pereira nasceu em Lisboa a 28 de Setembro de 1987 (23 anos). Ingressou no Benfica aos seis anos e foi dispensado aos 18. Perdeu o pai aos 12 anos, quando este assistia a um jogo seu. Como sénior, começou no Atl. Cacém (2006/07), transferindo-se para o Odivelas (2007/08). Mudou-se em 2008 para o Rio Ave e, duas épocas depois, avançou para o Sp. Braga. Foi contratado agora pelo Atlético de Madrid até 2016 e tem uma cláusula de rescisão de 20 milhões de euros.
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