Divergências na estratégia
Quando pelas 6h30 da manhã do dia 20 de Abril de 2004 os 150 homens da Polícia Judiciária iniciaram a operação ‘Apito Dourado’, estavam convencidos de que os alertas lançados por Maria José Morgado sobre a promiscuidade entre futebol e negócios autárquicos iam finalmente ser escalpelizados.
Um ano decorrido, o processo circunscreveu-se à corrupção desportiva, muito por opção do procurador de Gondomar Carlos Teixeira. Com 40 anos, tido como diligente e trabalhador, o procurador ficou exclusivamente com este processo e nunca esmoreceu, apesar do fraco apoio material que lhe foi dispensado pela PGR. A sua estratégia, todavia, não mereceu a concordância do procurador distrital-adjunto que acompanha o seu trabalho, Pinto Nogueira, e que nunca escondeu preferir uma investigação que abrangesse as suspeitas de corrupção com empreitadas e favorecimentos autárquicos.
O núcleo duro da PJ reúne uma quinzena de agentes que deu provas de grande empenhamento e profissionalismo. O facto de terem abalado poderes instituídos valeu-lhes a alcunha de ‘Intocáveis’, e como sobreviveram à mudança de direcção na PJ do Porto – após a saída de Teófilo Santiago e a passagem da orientação geral para Reis Martins – a alcunha adaptou-se a ‘Introcáveis’.
A juíza Ana Cláudia Nogueira, de 33 anos, passa por ser adepta do FC Porto mas não teve dúvidas em cortar a direito quando a investigação atingiu o seu clube. A solidez e pormenorização dos seus interrogatórios é elogiada, embora tenha acabado por ver a sua auréola enfraquecida quando a Relação do Porto foi revogando sistematicamente aos arguidos as medidas de coacção que decretou. A proibição do empresário António Araújo frequentar casas de alterne e prostitutas ou a pesada caução de 400 mil euros a José Luís Oliveira foram algumas das decisões mais polémicas.
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