Dragão recupera sorriso e estilo
A resposta pedida por André Villas-Boas à primeira derrota da época foi vistosa e pontual. O caminho para a goleada ao Marítimo só foi aberto à bomba, num míssil de Guarín a valer um dos melhores golos desta Liga. Mas o que veio depois desse momento permitiu ao dragão recuperar o sorriso. E, claro, inverter o sentido da pressão que vinha de baixo para cima, devolvendo-a ao Benfica antes do jogo de Leiria.
Sem Falcão, Villas-Boas surpreendeu com a aposta num trio de ataque inédito: James e o regressado Varela nos flancos, Hulk no eixo. Uma escolha que privilegiava mobilidade, em detrimento de presença na área, e que esteve quase a dar frutos nos primeiros lances, com Belluschi e Varela a inquietarem Marcelo.
Obrigado a subir a linha defensiva por falta de referências para os centrais, o Marítimo equilibrou-se nos minutos seguintes, mas sugerindo sempre vulnerabilidade a partir dos flancos e risco nas tentativas de aproveitar o fora-de-jogo.
Moutinho impunha os ritmos com acerto crescente, e a bola girava em permanência no meio campo dos madeirenses. No entanto, a ausência de Álvaro Pereira e a falta de ritmo de Varela tiravam alguma contundência ao FC Porto, que precisou do tal momento de inspiração de Guarín, a mais de 35 metros da baliza, para desbloquear o acesso à baliza de Marcelo. Foi um decisivo virar de página no jogo, e também nas exibições mais apagadas do dragão, que tinham sido regra de Novembro até esta parte.
O remate ao poste de Moutinho, no último lance da primeira parte, anunciou o vendaval ofensivo da segunda parte, também permitido pela atitude orgulhosa do Marítimo. Sem perder há oito jornadas, a equipa de Pedro Martins tentou discutir o jogo no campo todo, e foi abrindo cada vez mais espaços para os sprints de Hulk e James. Já depois do 2-0, o golo de Baba ainda acendeu uma chama de incerteza no resultado, mas Guarín, em noite mágica, assinou de imediato o seu segundo golo da noite. A partir daí, o dragão pôde acabar o jogo com um sorriso nos lábios, reforçado pelo primeiro golo de James na Liga e pelo facto de esta goleada ter coincidido com os regressos de Varela, Fernando e Mariano.
VILLAS-BOAS ORGULHOSO
"Demonstrámos a nossa competência, que tinha sido posta em causa [após a derrota caseira, 1-2, com o Nacional, Taça da Liga]. Era importante ganhar, e os jogadores mostraram-se a um nível elevado, num jogo com uma carga emotiva forte. Foi importante jogar o que jogámos", disse o treinador do FC Porto.
Já Guarín, a figura da partida, afirmou que foi "um jogo em cheio" e explicou que o festejo com um chapéu era alusivo ao seu país [Colômbia].
Pinto da Costa, por sua vez, ironizou sobre o facto de Jorge Jesus ter dito que o FC Porto estava pressionado. "A equipa está a tremer de medo", adiantou, assegurando que a "competência de Villas-Boas nunca foi posta em causa".
FICHA DE JOGO
LIGA - 15.ª Jornada - 08/01/2011
Estádio do Dragão - Assistência: 26 706
FC PORTO: Helton, Sapunaru, Maicon, Otamendi, Rolando, Emídio Rafael, João Moutinho, Guarín, Belluschi, Mariano, Varela, Fernando, Hulk, James Rodríguez
SUPLENTES NÃO UTILIZADOS
Kieszeck, Walter, Souza e Ruben Micael
TREINADOR: ANDRÉ VILLAS-BOAS
MARÍTIMO: Marcelo Boeck, Ricardo Esteves, Robson, Roberge, Alonso, Roberto Sousa, Sidnei, Rafael Miranda, Tchô, Cherrad, Marquinho, Heldon, Baba, Djalma
SUPLENTES NÃO UTILIZADOS
Marafona. L. Amaral, Olim e J. Guilherme
TREINADOR: PEDRO MARTINS
Golos: 1-0 Guarín (37’), 2-0 Hulk (60’), 2-1 Baba (70’), 3-1 Guarín (75’), 4-1 James Rodríguez (79’)
Árbitro: Carlos Xistra (Castelo Branco) 6
Disciplina: amarelos: Robson (16’), Otamendi (20’), R. Esteves (31’), E. Rafael (35’), Djalma (43’), Roberge (66’), Guarín (75’), Sidnei (78’)
Classificação do jogo: 7
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