Em velocidade de cruzeiro

O FC Porto não desperdiçou a derrota do Sporting no clássico de Lisboa e, vencendo o Boavista no dérbi do Porto, por 2-0, alargou para cinco pontos a vantagem no topo da tabela da Liga. A criatividade de Quaresma, na origem do primeiro golo, mas também de repetidas dores de cabeça para os defesas ‘axadrezados’, e a eficácia de Postiga, que fez o segundo tento e completou uma série de cinco jogos da Liga a marcar sempre, foram providenciais para uma equipa que segue em velocidade de cruzeiro e pode chegar ao Natal ainda com mais razões para festejar se na quarta-feira carimbar o passaporte para a fase seguinte da Liga dos Campeões.

03 de dezembro de 2006 às 00:00
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O FC Porto entrou fortíssimo, com cinco remates nos primeiros 12 minutos, dois dos quais (Quaresma aos 4’ e Postiga aos 7’) a passarem muito perto dos postes de Khadim, com o guarda-redes batido.

Contudo, à medida que o jogo ia progredindo, o Boavista começava a acertar as marcações, feitas bem à imagem das equipas de Jaime Pacheco, com muita pressão individual, empenho e boa ocupação de espaços junto da bola. Daí que, com excepção desse arranque fulgurante, até ao intervalo, o FC Porto só tenha mostrado os dentes nos muitos livres de que foi beneficiando.

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Ao mesmo tempo, timidamente, o Boavista subia no terreno e podia mesmo ter marcado, num remate de Grzelak que Helton não segurou e a cuja recarga Linz quase chegava (36’).

Para a segunda parte, Jesualdo Ferreira trocou o estreante João Paulo por mais um atacante – Lisandro Lopez – deixando a equipa a jogar num sistema muito próximo do 4x2x4 e, antes de se perceber se a alteração era mesmo eficaz, acabou por se ver a ganhar, num lance em que contou com a colaboração de Khadim.

Foi aos 51’, num remate de fora da área de Quaresma, com a bola a ir, não muito rápida, ao poste, e o senegalês a confiar no golpe de vista, tocando-a para as redes no ressalto. A ganhar, Jesualdo pôde fazer repousar alguns titulares habituais – Lisandro entrara ao intervalo, Raul Meireles apareceu apenas nos derradeiros 25’ – e promover o regresso de Adriano, que alinhou no último quarto de hora em vez de Postiga.

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Este, contudo, não saiu sem deixar a sua marca, num oportuno desvio, aos 73’; com o nono golo nos últimos nove jogos (só não marcou ao Sporting) mostrou a diferença que faz a uma equipa ter um avançado concretizador.

POSITIVO: OS SUSPEITOS DO COSTUME

Com um jogador como Quaresma, qualquer equipa tem a possibilidade de ganhar em dias de menor rendimento colectivo, como foi o caso do FC Porto ontem. Se não é com dribles bem criados ou assistências precisas, o extremo portista resolve os jogos ele mesmo, chutando de fora da área. E, quando a ajudá-lo, aparece um goleador de pé quente como é neste momento Postiga, há pouco a fazer.

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NEGATIVO: O PROBLEMA DA BALIZA

Jaime Pacheco sofre para fazer deste Boavista uma equipa à sua imagem, com enfoque na capacidade de luta e de esticar o jogo para os últimos metros. Mas um problema continua por resolver, mesmo com jogadores que restam do plantel campeão: o dos guarda-redes. Khadim impôs-se como primeira escolha, mas esteve ligado à derrota, com culpa no golo e muita hesitação em cruzamentos por alto.

JESUALDO FERREIRA

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Jesualdo Ferreira, técnico do FC Porto, destacou: “Ainda há muito campeonato. Temos uma vantagem boa, mas não nos dá o título.” Já Jaime Pacheco considerou: “Fui muito ousado com um 4x3x3. Estivemos bem na primeira parte. Aquele golo deita por terra a nossa estratégia.”

ESPIÕES NO DRAGÃO

Foram várias as equipas que ‘espiaram’ o FC Porto neste jogo. Entre os espiões estiveram o Arsenal, Anderlecht, Liverpool, Marselha, Chelsea, PSG, Lens e Sp. Braga.

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ESTREIAS

João Paulo e Bruno Moraes estrearam-se ontem a titulares no conjunto ‘azul e branco’. O primeiro entrou para o habitual lugar do brasileiro Paulo Assunção, ao passo que o brasileiro jogou no lugar do argentino Lisandro Lopez, fazendo dupla com o internacional português Hélder Postiga.

Local: (38.729espectadores)

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Árbitro: Elmano Santos (Madeira)

FC PORTO: Helton, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Cech, João Paulo (Lisandro, 46m), Ibson, Lucho, Quaresma, Bruno Moraes (Raúl Meireles, 64m) e Hélder Postiga (Adriano, 76m). Treinador: Jesualdo Ferreira

BOAVISTA: Khadim, Lucas, Ricardo Silva, Cissé, Mário Silva, Tiago (Essame, 79m), Kazmierczak, Ricardo Sousa (Hugo Monteiro, 56m), Zé Manuel, Grzelak e Linz (Fary, 86m). Treinador: Jaime Pacheco

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Marcador: 1-0, Khadim (51m p.b.); 2-0, Postiga (73m)

Acção disciplinar: cartões amarelos - Kazmierczack (21m), Lucas (64m) e Linz (85m)

Melhor jogador: Quaresma

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