Empate soube a pouco
É preciso saber apreciar os jogos da Liga dos Campeões e este FC Porto-Chelsea, que acabou empatado a um golo, é um desses casos. São jogos únicos, em que se joga na organização, no rigor defensivo e se aproveita os momentos de abertas, que geralmente são poucos. As equipas mais experientes têm vantagem e por isso o Chelsea saiu do Dragão com mais de meia eliminatória ganha.
O FC Porto voltou ao 4x3x3 habitual, com variações – durante vários períodos Quaresma jogou no meio, depois, quando entrou Bruno Moraes e saiu Fucile, a equipa passou a 4x2x4. O Chelsea foi mais equipa, teve mais bola, mas as melhores oportunidades foram do FC Porto. Mourinho teve de substituir Terry logo aos 13’ (entrou Robben e passou Essien para central) e depois saiu Robben ao intervalo e entrou Mikel para reequilibrar a equipa.
O FC Porto marcou primeiro, aos 12’, num remate de ressaca de Raul Meireles à entrada da área, o Chelsea empatou logo a seguir por Schevchenko, a passe de Robben. Os golos ficaram por aí, as oportunidades de golo foram só mais duas – Lisandro isolado permitiu a defesa de Cech, Quaresma em jeito, de fora da área, atirou à barra, ainda na primeira parte. Drogba ainda teve um remate ao poste, mas não era fácil fazer melhor, pelo ângulo e porque Helton estava lá. Como se vê, se o Chelsea foi mais consistente, os dragões foram mais incisivos.
Foi por isso um jogo de Champions e o FC Porto tentou ganhar com mais avançados, mas era difícil, porque nesta prova ganha-se normalmente com melhores jogadores e isso Jesualdo não tinha no banco – se pudesse ter Anderson outro galo poderia cantar. Tinham entrado também Cech e depois Adriano, mas faltava alguma coisa. A segunda parte dos londrinos foi cínica, de muito pontapé para a frente quando necessário, de esperar atrás sem nunca se descobrir. Robben lesionou-se e saiu ao intervalo, mas Mourinho não colocou outro jogador de ataque, preferiu defender-se. Em Stamford Bridge normalmente o Chelsea ganha – só perdeu um jogo na era do Special One –, mas ainda assim terá de jogar melhor do que ontem. Quem tem Ballack, Schvchenko e Drogba, mesmo a jogarem pouco, pode ganhar a qualquer um.
O FC Porto continua sem perder em casa com equipas inglesas. Mas em Inglaterra a história é outra e o FC Porto tem poucas possibilidades, mesmo que a sua defesa dê cada vez mais garantias. Ontem distraiu-se uma vez e foi punida mas aguentou bem. Já no meio-campo, sobretudo quando teve só Lucho e Assunção, a coisa tremeu muito, porque os avançados já não ajudavam.
FC PORTO: SUPER-QUARESMA
Hélton – Fez tudo o que podia ser feito. Sem culpas no golo, portanto.
Bosingwa – Sentiu dificuldades quando Robben lhe apareceu na frente. Sem o holandês, não aproveitou.
Pepe – Grande sentido posicional evitou males maiores.
Bruno Alves – Começo nervoso, no duelo com Drogba, mas endireitou-se a tempo.
Fucile – Quando o ‘Sheva’ ‘deixou’, o apoio a Quaresma subiu. Mas pedia-se mais.
Paulo Assunção – Futebol geométrico e eficaz.
Raul Meireles – Um excelente golo, com um ‘vólei’ cruzado de fora da área. Eficaz.
Lucho – Makelele e Ballack não lhe deram espaço para brilhar. Ainda assim, manteve um registo de qualidade.
Lisandro López – Falhou um golo na cara de Cech. Que não era de falhar.
Quaresma – O melhor jogador do FC Porto. Uma bola na barra, dois ‘amarelos’ arrancados e excelente dinâmica.
Hélder Postiga – Bom trabalho no lance do 1-0 para o FC Porto. Mas não remata... e os golos tardam.
Marek Cech – Entrada na segunda parte para dar amplitude à equipa. Sem sucesso.
Bruno Moraes – Conferiu velocidade à equipa quando a frescura do conjunto entrou em défice.
Adriano – Último trunfo. Tardio.
CHELSEA: CARVALHO IMPERIAL
Cech – Duas excelentes intervenções: aos 19’, na cara de Lisandro López, e aos 33, a travar remate de Quaresma.
Diarra – Saiu-lhe a fava: Quaresma. Sentiu, por isso, naturais dificuldades no um contra um.
Ricardo Carvalho – Imperial. Bem a defender e sempre disponível para sair com a bola a jogar.
Terry – Seis minutos em campo. Saiu por lesão.
Bridge – Regular. Viu-se mais na segunda parte.
Makelele – Mal no lance do golo portista, com um ‘passe’ a pedir o peito do pé de Meireles. Mas muito bem a ganhar bolas no miolo e a cortar linhas de passe.
Essien – A saída de Terry obrigou-o a recuar para o eixo, onde fez praticamente todo o jogo. Sem problemas.
Lampard – Demasiado discreto. Ballack– Primeira parte mediana, bem melhor no segundo tempo.
Drogba – Jogo fraco. Não fez mossa, como dele sempre se espera.
Shevchenko – Letal. Na cara de Hélton, após assistência de Robben, não falhou o remate cruzado. Sempre em jogo, em várias posições.
Obi Mikel – Trocou com Robben, mas não se viu.
Kalou – Substituição para queimar tempo.
JESUALDO ENVIA RECADO: "FICARAM A SABER QUE NÃO TERÃO TAREFA FÁCIL"
Resultado justo. Foi esta a opinião de Jesualdo Ferreira, treinador do FC Porto, no final do encontro. O técnico ficou agradado com o comportamento global da sua equipa, excepção feita nos minutos que antecederam o tento do Chelsea. Diz que a eliminatória não está ainda decidida e enviou um recado para o balneário do Chelsea...
“Um grande público e um bom jogo. Fizemos uma grande primeira parte, tivemos um bom arranque na segunda metade, mas depois a experiência do Chelsea sobressaiu. Mas o resultado é justo e fico satisfeito pelo comportamento dos meus jogadores, pois a minha equipa deu passos largos para continuar a crescer co-mo equipa”, começou por dizer o treinador dos campeões nacionais, identificando depois o pior momento da sua equipa ao longo dos noventa minutos.
“Até ao nosso golo e antes do tento do Chelsea o jogo estava totalmente dominado. Depois houve uma alteração do lado deles e a nossa equipa foi um pouco ingénua, houve um pouco de desatenção. Foram um ou dois minutos fatídicos”, assinalou o treinador Jesualdo Ferreira.
Dentro de duas semanas o FC Porto desloca-se a Londres para jogar a segunda mão destes oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Os dragões estão obrigados a marcar para não serem eliminados e Jesualdo Ferreira diz mesmo que está optimista para o confronto em Stamford Bridge.
“Está tudo em aberto para a segunda mão em Londres. Vai ser difícil, mas eles ficaram a saber que também não será fácil para o Chelsea. Vou com muito optimismo para Londres. Depois do que fizemos hoje [ontem] não podemos duvidar de que iremos lutar pela vitória no campo do Chelsea”, disse.
MOURINHO E AS DIFICULDADES: "RESULTADO DEIXA-ME BASTANTE SATISFEITO"
Sair do Porto com um empate a uma bola deixou José Mourinho bastante satisfeito, não só pela vantagem que o Chelsea leva para o segundo jogo mas também porque durante o encontro os blues tiveram inúmeras contrariedades, nomeadamente em termos de lesões.
“É um resultado que me deixa bastante satisfeito, uma vez que aconteceram demasiadas contrariedades durante o jogo”, afirmou o técnico, que reconheceu que o filme do jogo ficou marcado pelo primeiro golo do FC Porto, obtido numa altura em que o Chelsea jogava com dez elementos por lesão do capitão Terry. “Não tínhamos centrais no banco, pelo que tivemos de colocar de novo o Essien na defesa. Infelizmente no final da primeira parte Robben lesionou-se e tivemos de modificar tudo outra vez. É uma estratégia que se trabalha durante a semana e em cinco minutos tudo muda. Ficámos debilitados e o FC Porto sentiu a nossa debilidade”, garantiu Mourinho, que no regresso ao Porto elogiou o comportamento dos adeptos portistas: “O público foi educado, esteve bem a apoiar a sua equipa.” Para o jogo da segunda mão Mourinho acredita que o factor casa vai acabar por ser decisivo. “Somos muito fortes em casa e estou convicto de que podemos vencer e seguir em frente”, concluiu o técnico dos blues, que no próximo domingo jogam a final da Taça da Liga, frente ao Arsenal.
"Foi pena que a bola que bateu na barra não tivesse entrado, mas o futebol é assim." Quaresma
"O FC Porto não está habituado a perder, por isso vamos a Inglaterra só a pensar na vitória." Idem
"Foi uma bola que sobrou para a minha zona, rematei e fui feliz. Estou satisfeito com o meu golo, mas preferia a vitória. Jogámos bem e estamos confiantes para passar a eliminatória. Ficou provado de que tudo é possível." Raul Meireles
"Estivemos quase, quase a ganhar. Faltou só um pouco de sorte. Eles têm uma grande equipa, mas nós estivemos melhor." Lisandro
"Shevchenko e Drogba não assustaram. Eu e o Bruno Alves formamos uma excelente dupla de centrais pelo que tentámos impor o nosso jogo." Pepe
COREOGRAFIA
Os adeptos do FC Porto presentearam as três equipas que subiram ao relvado do Dragão com uma coreografia cheia de cor, onde o azul e branco, como não podia deixar de ser, foram as cores dominantes. Destaque ainda para a frase: “Esta noite seremos doze dragões”.
NAMORADA
Presença notada no Dragão foi a nova namorada do presidente do FC Porto. A brasileira Lisa acompanhou Pinto da Costa na tribuna presidencial.
MIKEL PRETERIDO
Numa altura em que o Chelsea se preparava para substituir o lesionado Terry por Obi Mikel, o FC Porto marcou. Certo é que Mourinho preferiu o holandês Robben ao médio nigeriano, Mikel, que curiosamente entrou para o lugar do Robben no início do segundo tempo.
FESTA INGLESA
Eram cerca de dois mil os adeptos ingleses no Dragão. Durante o dia os adeptos dos blues fizeram a festa na Invicta e foram muitos os que utilizaram o metro para chegar ao Dragão.
SUSTO
Quando o Chelsea se preparava para abandonar a unidade hoteleira, onde esteve instalado, na zona da Boavista, rumo ao Estádio do Dragão, um incêndio motivou a evacuação de um prédio em frente ao hotel que acolheu a comitiva liderada por José Mourinho.
CARAS CONHECIDAS
Foram muitas as personalidades ligadas ao futebol que ontem não quiseram deixar de estar presentes no Dragão. Drulovic (ex-jogador dos FC Porto) e Carlos Carvalhal (treinador) foram algumas das presenças.
Local: Estádio do Dragão, no Porto (50.216 espectadores)
Árbitro: Massimo Busacca (Suíça)
FC PORTO: Helton, Bosingwa, Pepe, Bruno Alves, Fucile (Bruno Moraes, 61m), Lucho González, Paulo Assunção, Raul Meireles (Marek Cech, 56m), Ricardo Quaresma, Hélder Postiga (Adriano, 77m) e Lisandro López. Treinador: Jesualdo Ferreira.
CHELSEA: Petr Cech, Diarra, Ricardo Carvalho, Terry (Robben, 12m, Obi Michel, 46m), Bridge, Makelele, Essien, Ballack, Lampard, Shevchenko (Kalou, 88m) e Drogba. Treinador: José Mourinho.
Marcador: 1-0, Raul Meireles (12m); 1-1, Shevchenko (16m)
Acção disciplinar: cartões amarelos – Makelele (36m), Essien (42m), Petr Cech (70m), Ballack (82m) e Pepe (90m)
DECO MARCA MAS BARÇA PERDE
O médio luso-brasileiro dos blaugrana foi peça importante na derrota do Barcelona frente ao Liverpool, ao apontar o único golo dos catalães. Deco surpreendeu com um tento de cabeça após cruzamento de Zambrotta, apagando da memória a expulsão na última jornada da liga espanhola. No entanto, o Liverpool cresceu e deu a volta ao resultado com golos de Bellamy e Riise, os jogadores que, curiosamente, se envolveram em confrontos no estágio da equipa britânica no Algarve. Os actuais campeões europeus têm agora uma missão muito complicada em Inglaterra, precisando, pelo menos, de marcar dois golos e não sofrer nenhum no estádio Anfield Road.
Em Milão, a sequência de vitórias do Inter no calcio foi travada pelo Valência. Cambiasso e Maicon colocaram os nerazurri em vantagem, mas David Villa, primeiro, e Silva, já perto do fim, deram o empate ao clube ché, deixando o clube espanhol com um pé nos quartos-de-final da liga milionária.
Em Roma, o clube local e o Lyon, do português Tiago, protagonizaram o único duelo que ficou em branco na jornada de ontem da Liga dos Campeões.
JOGOS DISPUTADOS ONTEM
FC Porto (Por) / Chelsea (Ing), 1-1
AS Roma (Ita) / O. Lyon (Fra), 0-0
Inter Milão (Ita) / Valência (Esp), 2-2
Barcelona (Esp) / Liverpool (Ing), 1-2
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