"Esperava ter tido mais oportunidades no Sporting"

Diogo Salomão diz que foi CarlosFreitas quem lhe comunicou que era melhor ser emprestado para adquirir mais experiência e que Domingos Paciência nada lhe transmitiu. O extremo vai jogar no D. Corunha mas quer voltar a Alvalade.

09 de julho de 2011 às 00:00
"Esperava ter tido mais oportunidades no Sporting" Foto: d.r.
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Correio Sport - O que o levou a aceitar o convite do Deportivo da Corunha?

Diogo Salomão - Em primeiro lugar, a história do clube. Cai bem a qualquer jogador representar uma equipa com o nome do Deportivo da Corunha. O projecto é de subida.

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- O que é que uma experiência no estrangeiro lhe pode proporcionar?

- Uma vivência diferente, conhecer outro campeonato, adaptar-me a outra realidade e estar numa liga supercompetitiva.

- A imprensa espanhola diz que o Corunha vai ter mais sócios na II Divisão por causa dos reforços. Como se sente por isso?

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- Orgulhoso. Fiquei impressionado porque no dia em que cheguei havia 1500 pessoas à espera para se fazerem sócios, apesar de o clube este ano ir jogar na II Divisão.

- De que forma encarou a decisão do Sporting?

- Com naturalidade e respeito. Carlos Freitas disse-me que estavam a pensar emprestar-me para ganhar mais ritmo competitivo e experiência e depois a Gestifute (do empresário Jorge Mendes), que me representa, falou-me da possibilidade do Corunha, que aceitei, apesar de haver mais interessados, entre eles clubes da I Liga portuguesa.

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- Falou com Domingos?

- Não.

- Acha que ele já lhe perdoou o golo ao Sp. Braga de calcanhar?

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- (risos) Espero que sim. Fiz a minha parte. Foi um golo que me marcou muito, com alguma sorte à mistura, mas intencional.

- Tinha mais para mostrar aos sócios e adeptos do Sporting?

- Acredito que sim e sentia que os sócios e adeptos gostavam de me ter visto mais tempo em campo. Mas o Sporting teve de agarrar o terceiro lugar e aí falou mais alto a experiência.

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- Esperava ter tido mais oportunidades no Sporting?

- No início não mas no final da época devo dizer que sim, que esperava ter tido mais oportunidades. Se as coisas tivessem corrido bem à equipa, provavelmente seria mais fácil eu ter as minhas hipóteses de jogar. Infelizmente, o Sporting teve muitos altos e baixos.

- Do que vai sentir mais saudades?

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- Dos adeptos do Sporting, da força que transmitiram à equipa e da capacidade que sempre mostraram para nos apoiar quando as coisas já não estavam bem. Senti muito apoio deles.

- Como foi representar um grande português?

- Uma honra. Lembro-me muito bem do primeiro jogo oficial em casa, frente ao Nacional (1-1) e do carinho que me transmitiram da bancada. Fiquei a dever-lhes um golo nesse jogo, num remate ao poste.

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- Na época passada e em poucos dias, o Sporting aumentou a sua cláusula de rescisão para 30 milhões de euros e Paulo Sérgio elogiou-o publicamente. O que representou tudo isso?

- Senti-me orgulhoso e serviu para puxar ainda mais por mim. Contudo, nunca me deslumbrei, até porque sinto que tenho todo um percurso a fazer no futebol.

- É verdade que na formação teve um convite para jogar no Benfica?

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- Que eu saiba, não.

- Fábio Coentrão também jogou na II Divisão em Espanha [Saragoça] e agora está no Real Madrid...

- Desejo-lhe desde já a melhor sorte. Claro que qualquer jogador gostaria de ter uma trajectória assim, mas não posso olhar muito para o lado, mas para mim. É evidente, porém, que chegar ao Real Madrid é um ponto muito alto na carreira de um jogador. Da minha parte, a concentração está no Deportivo.

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- O que lhe disse Jorge Andrade sobre o Dep. Corunha?

- Aconselhou-me a ir e disse-me que a Corunha é uma cidade magnífica e que o clube oferece todas as condições para evoluir. Já jantei com o presidente Lendoiro e ele disse-me para me sentir à-vontade e jogar o meu futebol.

- Jogar na II Divisão espanhola pode ser encarado como um passo atrás para dar dois em frente?

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- A minha ideia é sempre a de evoluir. Não penso que esteja a retroceder. Espero é que a experiência no estrangeiro sirva para dar mais passos em frente e para estar mais forte no final da época para, quem sabe, voltar ao Sporting.

- O que espera do Sporting na nova época?

- Que conquiste todas as provas em que está envolvido e que deixe os sócios e os adeptos felizes, pois eles merecem.

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- É internacional sub-21. A Selecção A já está nos seus horizontes?

- Ainda é cedo. Não vivo com essa ideia no pensamento. As coisas vão acontecer como consequência do trabalho forte e de qualidade que espero fazer no Deportivo.

- Onde sente que tem de evoluir?

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- O Sporting, na época passada, já fez um trabalho de reforço muscular comigo. Sinto que ainda tenho de evoluir na parte física e a exigência em Espanha, com cerca de 40 jogos por época, vai-me obrigar a estar no limite.

- Sentia-se com capacidade para fazer parte do plantel do Sporting nesta época?

- Sinto que tinha capacidade para estar no plantel, mas respeito as escolhas, até porque sei que querem o melhor para mim. Espero voltar mais forte ao Sporting.

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- Continua fiel às suas raízes e ao Real Massamá. O que representam este clube e o Damaiense para si?

- As origens, sem esquecer o Estrela da Amadora. Com seis anos pedi aos meus pais para me inscreverem no Estrela, pois os amigos diziam que eu tinha talento. Foi aí que comecei a concretizar o meu sonho de sempre, ser profissional de futebol.

- Se lhe saísse o Euromilhões, comprava estes clubes?

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- Comprar não, porque não me vejo como um Abramovich, mas ajudava o mais que pudesse.

- Qual o seu grande sonho no futebol?

- Ser cada vez melhor, ganhar títulos e ser lembrado como um grande jogador.

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- E o ídolo?

- Ronaldo [o Fenómeno, agora o Gordo]. Não me canso de ver as jogadas dele.

- Qual o melhor momento que viveu na última época?

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- O golo ao Sp. Braga foi especial, mas o primeiro golo que marquei com a camisola do Sporting, diante do Levski, para a Liga Europa, também foi importante.

- E o pior?

- O final da época, em que deixei de ser opção. Como já disse, contava jogar mais.

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- Com que opinião ficou de Paulo Sérgio e mais tarde de José Couceiro?

- A Paulo Sérgio devo muito, pois fui para estágio à experiência e ele deu-me a oportunidade. Também gostei de Couceiro. Só que ele teve de tomar decisões difíceis para que o Sporting ficasse no 3º lugar.

- Já pensou na hipótese de jogar contra o Real Madrid na Taça do Rei?

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- Era lindo. Ia ficar para a história.

- Vai fazer-se acompanhar na Corunha?

- Sim. A minha namorada vai comigo.

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- Como vê a aposta do Sporting em jovens estrangeiros - Rubio e Carrillo - em vez de o fazerem consigo?

- É uma opção. A chegada de estrangeiros acaba por dificultar muito a evolução dos portugueses, mas se acham melhor assim, há que respeitar e seguir a vida.

PERFIL

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Diogo Ferreira Salomão nasceu a 14 de Setembro de 1988 em Cabo Verde, mas tem a nacionalidade portuguesa. O extremo-esquerdo de 22 anos despontou no Real Massamá (II Divisão B) e despertou a cobiça do Sporting, que o contratou no início da época passada. Depois de um início prometedor, foi-se apagando e a falta de estabilidade directiva e técnica acabaram por o atirar para fora das opções de José Couceiro. Na nova época vai jogar no D. Corunha, por empréstimo.

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