Filhos imitam os pais
São jovens internacionais com larga margem de progressão, jogam no mesmo sector (defesa), tendo ainda uma outra circunstância em comum: os pais de Ruben (Portimonense) e Vasco Fernandes (Olhanense) actuaram no mesmo clube que eles representam. Hoje, preparam-se para sentir as emoções de um dérbi, vividas noutros tempos pelos progenitores.
Ruben já tem algum traquejo nestes duelos – estreou-se como sénior precisamente diante do Olhanense, na primeira ronda da época passada – e acredita num triunfo do Portimonense. “Está na hora de começarmos a dar a volta a uma situação nada agradável. O grupo tem valor e as vitórias vão surgir”, garante. Se jogar, o defesa conta com os ensinamentos transmitidos pelo pai para anular os atacantes contrários. “Ele era avançado e sabe quais as matreirices utilizadas por quem actua na frente... Conversamos muitas vezes sobre isso.”
Profissional em vários clubes, José Fernandes começou no Portimonense, onde fez a formação, e mudou-se depois para o Olhanense. “Tive a felicidade de servir dois emblemas com pergaminhos e adeptos entusiastas. Participei em vários jogos entre as duas formações, sempre com muito público e um ambiente extraordinário. Oxalá isso se repita agora. O Portimonense está mais necessitado e, por vezes, o mais fraco agiganta-se nestas ocasiões, mas o Olhanense possui um bom grupo.”
Ruben é internacional B e sub-20 e o pai acredita na progressão do filho. “Tem condições para subir mais alguns patamares. Assim a sorte o proteja. Precisa de trabalhar sempre com afinco e faço-lhe sentir isso.”
No Olhanense, Herculano deixou marcas como central. “Estudava Medicina e jogava na Académica [ao lado do actual treinador dos rubro-negros, Álvaro Magalhães]. A vida deu algumas voltas e acabei por mudar-me para o Algarve. Pensava ficar um ano mas... ainda cá estou.” Cumpriu sete épocas como jogador, foi adjunto e, em situações de transição, técnico principal. Licenciou-se em Educação Física e dá aulas numa escola local.
Herculano acompanha os jogos do Olhanense “por ter o futebol no sangue” e por um outro motivo: o seu único filho, Vasco Fernandes, internacional sub-19 e sub-20, é titular no eixo da defesa.
“Treinei-o nas camadas jovens do Olhanense e, sinceramente, havia outros da geração dele mais promissores. Mas perderam-se e o Vasco agarrou as oportunidades e cresceu muito, tem rubricado uma boa época. A passagem pelo Bordéus [na época passada] fez-lhe bem, deu-lhe outra maturidade”, diz o pai, falando sobre o filho.
Vasco Fernandes vai viver o primeiro dérbi algarvio. Na primeira volta ficou de fora e, curiosamente, foi a derrota caseira diante do Portimonense a abrir-lhe as portas da titularidade. “O Balela apostou nele e acredito que o meu filho pode chegar longe. Peço-lhe sempre para manter a humildade e trabalhar todos os dias com empenho”, refere Herculano.
VÁRIAS ESTREIAS EM PERSPECTIVA
O Portimonense regressa a Portimão – não ganha em casa desde 15 de Janeiro de 2006 (2-1 diante do Estoril) –, mas é o Olhanense que deve apresentar novidades no onze, pois o técnico Álvaro Magalhães já pode contar com três reforços, o médio Loukima (ex-Marco) e os avançados David Nunez (ex-Sonacos, Senegal) e Rui Miguel (ex-Gondomar). Outro dos reforços da turma de Olhão, o dianteiro Gomis (ex-Famalicão), continuará ausente, por castigo, enquanto Marco Couto (ex-Beira Mar), que se estreou frente ao Gondomar, deve manter a titularidade. Alexandre está de regresso, após castigo, e Ricardo Silva e Pepa continuam a recuperar de lesões que os levaram à sala de operações.
No lado do Portimonense, o único reforço de Inverno que ainda não fez a sua estreia é o médio argentino Martín Madrid, irmão de Andrés Madrid (Braga). O jogador, contudo, contraiu uma lesão durante a semana e fica de fora. João Pedro e Marco Abreu (castigados), Marco Almeida, Nuno Ricardo e Miran (lesionados) são os outros indisponíveis, com o técnico Luís Martins a ter de mexer no compartimento defensivo. O jogo começa às 16h00, mas haverá animação no estádio a partir das 15h00.
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