José Mourinho em boa companhia!
Bob Paisley, treinador do Liverpool, ganhou três títulos europeus de enfiada nos anos setenta. O primeiro foi a Taça UEFA (1976), à custa dos belgas do Brugge, treinados por Ernst Happel (3-2; 1-1).
No ano seguinte, Paisley ganhou a Taça dos Campeões em Roma, numa final extraordinária (3-1) com os alemães do Borussia Moenchengladbach, treinados por Udo Lattek. Em 1977, Paisley e o Liverpool voltaram a bater o Brugge (1-0) de Ernst Happel na final dos Campeões, em Wembley. Consumado o inédito ‘hat-trick’, Bob Paisley teve de esperar apenas três anos para se tornar o primeiro treinador – e único até hoje – a ganhar três Taças dos Campeões. Em Maio de 1981, o Liverpool venceu o Real Madrid de Vujadin Boskov em Paris (1-0) e Paisley tornou-se uma lenda. Ora bem. José Mourinho, ao cabo de três participações completas na Europa, já cumpriu 2/3 do percurso de Paisley. Em 2003, ganhou a Taça UEFA com o Porto em Sevilha (3-2 ao Celtic); no ano passado, em Gelsenkirchen, ganhou para o Porto a Liga dos Campeões (3-0 ao Mónaco). Na terça-feira passada José qualificou o Chelsea para os quartos-de-final da Liga dos Campeões inscrevendo no prodigioso percurso pessoal mais uma vítima de peso – o Barcelona. O jogo foi épico e reforçou a candidatura do Chelsea. E embora José não possa garantir a repetição de Gelsenkirchen porque há outros concorrentes muito fortes em prova – o Milan, o Bayern e a Juventus à cabeça... –, a verdade é que nunca os recordes de Bob Paisley estiveram tão perto de ser igualados. Justamente pelo homem que está a virar o futebol inglês do avesso.
Mas há mais treinadores renomados em vias de partilharem feitos históricos com o recém-chegado José. Por exemplo, até hoje só dois foram campeões europeus com equipas diferentes: Ernst Happel, com o Feyenoord em 1970 e com o Hamburger em 1983, e Ottmar Hitzfeld, com o Dortmund em 1997 e com o Bayern em 2001. Mourinho tem a possibilidade de igualar o feito e tornar-se o primeiro a consegui-lo em anos consecutivos.
A carreira europeia de Mourinho é realmente fenomenal e talvez poucos se lembrem que o homem que hoje comanda a imperial máquina de combate londrina foi co-responsável, na estreia europeia, por um dos piores descalabros da história do Benfica: empate 2-2 com o Halmstad na Luz, a 28 Setembro de 2000, eliminação pelos amadores suecos na 1.ª eliminatória da Taça UEFA. Uma semana antes, o Benfica perdera (1-2) na Suécia e o treinador Jupp Heyckes fora demitido. Mourinho voltou à Europa em 2001-02, substituindo Octávio Machado no Porto, e apanhou novamente a carruagem em andamento: fez quatro jogos na Liga dos Campeões, ganhou um (Panathinaikos) e perdeu três (dois com o Real Madrid, outro com o Sparta Praga). A partir daí, com Mourinho em ‘full-time’, é o que está à vista.
Hernan Crespo, o argentino que eliminou o Manchester United da Liga dos Campeões, pertence ao Chelsea -joga no Milan por empréstimo. Objectivamente, é um sapo para Sir Alex Ferguson engolir e ele até já engoliu uns quantos à “pala” do nosso José. Bom, segundo Crespo, Mourinho telefonou-lhe no dia seguinte a dar-lhe os parabéns e a dizer-lhe que conta com ele para a próxima época. Mourinho não gosta de estrelas feitas, prefere ser ele a fazê-las. Mas o facto é que Hernan Crespo tem um capital de experiência impressionante na Liga dos Campeões. Consulto os meus registos e anoto que Crespo é o único futebolista na história da Liga dos Campeões que marcou golos (22) ao serviço de cinco (!) equipas diferentes. No ano passado Crespo foi semifinalista com o Chelsea, há dois anos foi semifinalista com o Inter... este ano arrisca-se a chegar mais longe... com o Milan. Talvez Mourinho não volte a telefonar ao argentino.
INTER, ÚLTIMA ESPIADELA
O Inter defronta amanhã a Lazio mas, o jogo pouco ou nada interessa aos ‘nerazzuri’ tendo em conta o embate com o FC Porto. É a derradeira oportunidade de espiar a equipa milanesa, que deve apresentar um onze algo diferente do costumeiro. Vieri e Martins continuam tocados e devem ser poupados; Materazzi e Mihaijlovic – ou Zé Maria – são hipóteses para o eixo da defesa tendo em vista o jogo com o Porto.
SCHALKEN-BAYERN, EMOÇÃO
Não há jogos do título à 25.ª jornada, mas o embate promete. Lotação esgotada em Gelsenkirchen, 60 mil para ver o duelo entre Schalke e Bayern. As duas equipas repartem a liderança da Bundesliga com 50 pontos e o Bayern é favorito... não neste jogo, mas no que interessa – o título. Quem viu a demonstração de poder, frieza e eficácia dos bávaros na eliminatória com o Arsenal, sabe que aquilo não aconteceu por acaso.
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