Lição de professor
Não se exige a um treinador que seja um tribuno. Mas, na idade da comunicação, pede-se que ele não tropece nas suas próprias ideias quando fala.
Jorge Jesus ainda não tem a fluência dos grandes oradores ou a solidez de pensamento dos grandes homens do futebol. Não é Jorge Valdano, não é Arsène Wenger, não é Arrigo Sacchi.
É, sobretudo, um bom treinador. Mas, às vezes, as suas palavras traem o que pensa. Numa aula muito interessante que deu na Faculdade de Motricidade Humana, afirmou: "(os treinadores portugueses) São os melhores do mundo. Não sei se estão 10 ou 20 anos à frente dos outros, mas que estão à frente é garantido. Todos querem aprender connosco".
Palavras destas fazem bem ao ego nacional. Até porque todos ficam a pensar em Mourinho ou Manuel José e nos inúmeros treinadores que emigraram devido às suas qualidades. Ou na nova geração de bons valores que se perfila, como Rui Vitória ou Paulo Fonseca. Mas se os treinadores portugueses são bons, Jorge Jesus escusava de tentar mostrar que é aqui que se está a descobrir a nova táctica que vai revolucionar o futebol global. Sobretudo porque, à excepção de meia-dúzia de casos, é raro ver nos treinadores nacionais um discurso sólido sobre o futebol e que fuja às banalidades da "sorte", dos "árbitros" e do "fomos mais fortes". Compreende-se: muitos treinadores, como Jorge Jesus, subiram a pulso para chegarem ao sucesso. O seu valor vem da prática e da experiência acumulada. Mas se olharmos à volta, veremos que ainda temos algumas coisas a aprender.
Mais do que com professores. Com verdadeiros catedráticos. Que sabem que, no futebol, como nas outras actividades, os melhores líderes constroem as melhores equipas. Não há muitos anos, Sir Alex Ferguson, era escutado regularmente pelo então primeiro-ministro britânico Tony Blair, porque no futebol e na política tudo tem a ver com gerir pessoas e relações e saber construir o futuro. Ferguson, mais tarde, lembrava-se de dizer a Blair: "Enquanto conseguires manter as tudas pessoas fundamentais na mesma sala ao mesmo tempo, estarás seguro". Era uma lição de gestão política e de gestão futebolística. Jorge Jesus ainda não faz parte desse campeonato. Apesar de ser um dos mais sólidos treinadores portugueses, falta-lhe modéstia. Criou já grandes jogadores e, aos outros, fê-los crescer, como ao "selvagem" Ola John. Mas ainda não é Ferguson.
ELEIÇÕES QUENTES
A VIA DA AUSTERIDADE NO SPORTING
Poucas frases sintetizaram tão bem o grande problema do Sporting como a de Virgílio Lopes, candidato na lista de Bruno de Carvalho, ao "Record": "Temos de fazer melhor com menos dinheiro". É esse o dilema: com uma dívida descomunal e sendo impossível continuar a torrar dinheiro como se não houvesse manhã, os candidatos a presidente do Sporting têm prometido pouco. Os bolsos estão vazios e ninguém pode apresentar craques e treinadores mágicos para garantir os votos dos adeptos que desejam sobretudo vitórias. O Sporting ou muda ou torna-se apenas uma memória gloriosa. E deixa de ser um dos "grandes" do futebol português, porque o Braga espreita uma oportunidade. A era da austeridade chegou a Alvalade. A equipa de futebol não poderá continuar a ser um sorvedouro de dinheiro, com contratações milionárias sem sentido, enquanto os jovens craques da Academia saem a preço de saldo. Mais com menos dinheiro e, sobretudo, chegar à Liga dos Campeões, a única árvore das Patacas que pode alimentar a dívida colossal aos bancos. Não será fácil descobrir a fórmula para ultrapassar esta crise e é por isso que os candidatos (excepto Carlos Severino, que pode prometer tudo...) são tão económicos nas suas palavras e promessas. Parece uma guerra de Alecrim e Manjerona entre José Couceiro e Bruno de Carvalho. Mesmo as palavras mais agrestes e intempestivas, hoje em dia, custam dinheiro. Godinho Lopes que o diga.
POSITIVO
CARDOZO DECISIVO
Foi letal e fatal para o Bordéus. Duas oportunidades, dois golos. Levou o Benfica para a fase mais delicada da Liga Europa.
MESSI RENASCEU DAS CINZAS
As notícias sobre o falecimento do Barcelona eram manifestamente exageradas. Sob a batuta de Messi (e Xavi), sem dó nem piedade, o Milan perdeu-se no Camp Nou.
NEGATIVO
O RECEIO DE VÍTOR PEREIRA
O FC Porto tinha tudo para ultrapassar o Málaga. Mas a postura defensiva que Vítor Pereira incutiu à equipa foi-lhe fatal.
APANHA-BOLAS
"Ficaram de ligar-me mas até agora nada e não sei bem porquê", Franky Vercauteren
Vercauteren espera um trim-trim. O problema é que nem há dinheiro, nem presidente, nem cheque. Bem pode desesperar.
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