Liedson a máquina de calcular

Um golo que coloca Liedson um degrau acima dos históricos Manuel Fernandes e Lourenço abriu ontem ao Sporting as portas da segunda fase da Liga dos Campeões, marcando superioridade sobre o Shakhtar Donetsk, seu rival directo na luta pela segunda vaga do Grupo C, face à supremacia esmagadora do Barcelona. O resultado era o mais importante desta jornada e o Sporting atingiu o pleno, ao juntar três pontos ao calculismo de Paulo Bento, graças a essa autêntica máquina de somar que é Liedson.

23 de outubro de 2008 às 00:30
Liedson a máquina de calcular Foto: Sergey Dolzhenko/EPA
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Os dois treinadores não esconderam o seu temor por uma derrota, que dificultaria a abordagem do jogo seguinte, e aceitaram uma toada de equilíbrio, ocupando os 70 metros entre linhas defensivas sem arriscar lances ofensivos de surpresa. O calculismo é inimigo da espectacularidade e também dos lances de golo. Da primeira parte, não ficou um único motivo de interesse, mas merece realce o acerto defensivo do Sporting, estreando um novo esquema, com Rochemback a trinco e Miguel Veloso na lateral esquerda. Se o objectivo era defender bem, foi conseguido, mas não houve qualquer compensação ofensiva, com Moutinho manietado na direita, Izmailov preso à esquerda e Romagnoli sem bola para apoiar os avançados.

Aos 52 minutos, o Sporting deu finalmente um sinal, com Liedson a errar a baliza num cabeceamento fulgurante a um bom cruzamento de Moutinho. Este lance deu origem a uma partida mais intensa, mais aberta, com algumas situações de perigo na área de Patrício, mas igualmente com mais espaço para o Sporting manobrar e chegar ao golo, a 15 minutos do final.

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BENTO: "ESTAMOS A TRÊS PONTOS DOS OITAVOS"

Paulo Bento considerou que a vitória do Sporting foi justa e que, assim, o clube está com um pé nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. "Estamos mais perto de um objectivo, mas falta um jogo muito complicado, com uma boa equipa, em Lisboa", afirmou o treinador leonino, referindo-se à recepção ao Shakhtar. "Podemos dizer que estamos a três pontos dos oitavos-de-final", acrescentou.

Bento reconheceu ainda que a equipa teve de sofrer para garantir os três pontos, mas frisou que se tratou de um "jogo equilibrado". "Na primeira parte, até por erros nossos na transição ofensiva, tivemos pouca capacidade para sair a jogar. Houve mais domínio do Shakhtar, mas sem oportunidades de golo", analisou.

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Para o treinador, a segunda metade teve "maior qualidade" e o "golo abriu mais" o jogo. "No final, revelámos boa capacidade para recuperar a bola no meio-campo contrário."

Sobre a opção de Veloso para defesa-esquerdo, Bento disse tratar-se "mais de uma aposta ofensiva do que defensiva".

A ANÁLISE

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POSITIVO: CALCANHAR E RECORDE

Liedson não desperdiçou a oportunidade de se sagrar melhor goleador europeu da história do clube. Mérito para o passe de calcanhar de Derlei.

NEGATIVO: SEM ATAQUE

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Continuam as variações geométricas no meio-campo, com o sacrifício de Romagnoli e Izmailov: não construíram uma jogada em mais de 60 m.

ARBITRAGEM: FALTAS A MAIS

Arbitragem estranha, com número anormal de faltas (39). Só cartões por protestos ou perdas de tempo. Os faltosos Polga, Moutinho e Liedson não se podem queixar.

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À LUPA

LIEDSON

9m. Sofre falta no flanco direito. Recebe o livre, centra, mas a bola não chega a Derlei.

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25m. Assiste de primeira Abel. O remate do lateral vai contra um adversário.

38m. É lançado por Derlei em velocidade, mas perde espaço para o remate.

52m. Desperdiça de cabeça uma grande oportunidade, a cruzamento perfeito de Moutinho.

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75m. Marca de pé esquerdo, após grande passe de calcanhar de Derlei.

Passes certos: 10

Passes errados: 6

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Recuperações: 4

Faltas sofridas: 3

Faltas cometidas: 5

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Remates: 2

Assistências: 0

Golos: 1 

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POLGA AJUDA RUI PATRÍCIO A BRILHAR

Polga – Ao contrário de boa parte dos companheiros, Polga nunca foi pequeno. Mesmo nos momentos de maior tormento, manteve a calma e o sentido geográfico do jogo. Excelente nas antecipações, enorme na entrega, impecável no tempo de corte. Tanta concentração foi fundamental, quando, aos 23’, salvou um golo em cima da linha. Que Rui Patrício não merecia, de todo, sofrer.

Rui Patrício – Um gigante. Seguríssimo (não largou uma bola), garantiu tranquilidade à equipa quando ela mais precisou.

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Abel – Alternou entre o mal (péssimos passes e falta de velocidade) e o menos mal. Mas foi abnegado e ajudou a fazer dobras aos ‘centrais’.

Tonel – Bom jogo. Menos seguro do que Polga, mais hesitante nas antecipações, mas globalmente bem.

Miguel Veloso – Não começou bem e demorou a acertar o passo, na esquerda da defesa, passou por algumas aflições, mas nos momentos importantes não falhou.

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Rochemback – Fraquinho. Na posição 6 sentiu enormes dificuldades em acompanhar o ritmo de jogo do Shakhtar.

João Moutinho – Grande segunda parte. A sua subida de produção foi responsável pelo crescimento do Sporting.

Izmailov – O jogo não era à sua medida: a bola andou mais na direcção oposta à que gosta de correr.

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Romagnoli – Passou ao lado do jogo. Quase inexistente.

Derlei – A habitual abnegação e uma fabulosa assistência de calcanhar para o golo.

Liedson – Letal. Voltou a resolver, de pé esquerdo, depois de ter ameaçado de cabeça.

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Pereirinha – Manteve posse de bola quando a equipa precisou.

Grimi – Entrou e golo de Liedson.

Postiga– Ar fresco para a equipa respirar.

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A FICHA

LIGA DOS CAMPEÕES – 3.ª Jornada – 22/10/08

Estádio RSK Olympiskiy – Assistência: 23 000

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Shakhtar 0 - 1  Sporting

Golo: Liedson (75’)

SHAKHTAR: Pyatov 6, Srna 7, Kucher 6, Chygrynsky 5, Rat 6, Hubschman 6, Gai (82’) 1, Duljaj 6, Jadson 6, Willian (71’) 2, Fernandinho 7, Moreno 6, Gladkiy (71’) 3, Brandão 6. TREINADOR: Mircea Lucescu

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SPORTING: Rui Patrício 8, Abel 5, Tonel 6, Polga 8, Miguel Veloso 6, Moutinho 7, Rochemback 4, Romagnoli 3, Pereirinha (67’) 4, Izmailov 5, Grimi (72’) 2, Liedson 7, Derlei 7, Postiga (88’) 1. TREINADOR: Paulo Bento

Árbitro: Herbert Fandel (Alemanha) 5

Disciplina: amarelos: Srna (81’), Rui Patrício (85’)

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Classificação do jogo: 5

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