Lisboa a arder

As vitórias polémicas sobre o Sporting e o Benfica deixam o Dragão feliz

23 de abril de 2011 às 00:00
Lisboa a arder
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Por ser um jogo de sorte e de azares, o futebol oferece-se como campo de infinitas especulações. Tomemos por exemplo o Benfica-FC Porto, no Estádio da Luz. Há quem defenda a ideia de que o Benfica começou a perder a hipótese de chegar ao sucesso quando Salvio, o seu brilhante extremo argentino, se lesionou com gravidade em Eindhoven e acabou nesse instante a época. Outros garantem que sem Pablo Aimar a jogar de início, o Benfica entra em qualquer contenda com um défice de inteligência muito mais grave do que o défice físico com que o seu genial número 10 normalmente se apresenta à luta.

E, como não podia deixar de acontecer, também há quem explique o descalabro encarnado na razão directa dos erros cometido por Carlos Xistra, o árbitro, que não expulsou Cristian Rodriguez, como devia para logo a seguir validar o segundo golo do FC Porto, marcado por Hulk que arrancou em posição irregular. Mas a análise dos acontecimentos ainda pode ser mais tortuosa. Mentes perversas acreditam que Xistra só inventou aquela grande penalidade a favor do Benfica porque o resultado já estava em 3-0 e um erro do árbitro a favor dos donos da casa permitiria ao Gabinete de Comunicação do FC Porto produzir mais uma série de comunicados assumindo o papel de vítimas do sistema de que, manifestamente, são os maiorais.

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Há também, entre os benfiquistas, quem queira esquecer rapidamente o descalabro da Taça de Portugal e prefira fazer contas ao futuro que há-de vir. E como os tempos não vão de feição na Luz, logo alguns se deitam a pensar na péssima ideia que foi tirar Salvio da cama do hospital onde repousava em Madrid depois da operação a que foi sujeito e fazê-lo viajar até Lisboa para assistir ao jogo da segunda-mão da meia-final da Taça de Portugal. Isto porque o futuro de Salvio, emprestado pelo Atlético de Madrid ao Benfica, é uma incógnita e o próprio jogador parece ter apostado num discurso evasivo quando lhe perguntam se, para o ano, fica na Luz ou se vai engrossar as fileiras do FC Porto, como já foi insinuado repetidas vezes nos jornais.

Se Salvio estava com dúvidas sobre o seu futuro, era preferível ter deixado o rapaz lá longe, no hospital, do que proporcionar-lhe um espectáculo como o de quarta-feira que bem lhe pode ter inclinado a decisão em favor dos vencedores da noite. Porque esta foi uma semana em grande para o FC Porto. E para o seu presidente a quem, em tempos, se atribuiu a frase: “eu só quero Lisboa a arder”. E ardeu mesmo. Lisboa começou a arder no domingo, no não menos polémico FC Porto-Sporting, e o incêndio redobrou de intensidade a meio da semana, no Benfica-FC Porto.

Há semanas assim, felizes para os pirómanos de circunstância. Resta ver agora como é que os bombeiros da Luz e de Alvalade vão resolver os respectivos assuntos.

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ERRAR É HUMANO

A respeitabilidade e a honra

Rui Costa foi suspenso por um mês pelo Conselho de Disciplina da Liga por se ter dirigido ao árbitro Elmano Santos em termos que feriram a sua respeitabilidade e a sua honra. A ocorrência teve lugar logo no fim da primeira parte do Benfica-Beira Mar quando Rui Costa se dirigiu a Elmano Santos protestando pela absurda invalidação de um golo a Pablo Aimar. Não foi a primeira vez que o árbitro madeirense exasperou os benfiquistas neste campeonato.

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Aliás, Elmano tem cumprido as suas obrigações na Liga de 2010/2011 evidenciando uma impressionante regularidade sempre que é chamado a dirigir jogos em que entram os tradicionais candidatos ao título. Arbitra sempre mal. E a isto chama-se regularidade. Rui Costa, no desempenho das suas funções, fez bem em dirigir-se ao árbitro ao intervalo. Mas se o fez usando uma linguagem imprópria, fez bem o Conselho de Disciplina da Liga em castigá-lo porque um director-desportivo tem obrigações de conduta que não pode nem deve ignorar. Está, assim, Rui Costa castigado e afastado. Mas Elmano Santos, que errou grosseiramente no desempenho das suas funções, não vai ser castigado nem suspenso e vamos ter de contar com ele até ao fim desta época, sempre a cumprir com a tal regularidade o último ano da sua carreira de árbitro.

E precisamente por este ser o último ano da carreira de Elmano Santos é muito provável que seja ele o eleito para apitar a final da Taça de Portugal entre o FC Porto e o Vitória de Guimarães. Vejam só do que o Benfica se safou.

POSITIVO 

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Patrício a crescer - Se é verdade que o Sporting poderia ter empatado no Dragão se o árbitro mandasse marcar aquele penalty nos descontos, também é verdade que não saiu de lá goleado porque Rui Patrício fez uma exibição de alto nível.

Ronaldo e o Rei - Mourinho conquistou o seu primeiro título ao serviço do Real Madrid batendo o Barcelona na final da Taça do Rei graças a um golo solitário de Cristiano Ronaldo. Um craque é um craque. E não falha nas grandes ocasiões.

NEGATIVO 

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Jesus acossado -  Duas derrotas praticamente seguidas com o FC Porto na Luz deixam Jorge Jesus numa situação nunca por si vivida enquanto treinador do Benfica. E, assim, o jogo da final da Taça da Liga, com o Paços de Ferreira, assume proporções inimagináveis.

PERÓLA: "Rolando não teve intenção de jogar a bola com a mão", Carlos Carvalho

Os protestos do Sporting tiveram o mérito de chamar à liça o presidente do Conselho de Arbitragem da Associação de Futebol do Porto, em defesa de Artur Soares Dias, árbitro do Porto. Da cidade do Porto, não do Futebol Clube do Porto, entenda-se bem. E Carlos Carvalho tem a certeza absoluta de que não houve caso para grande penalidade.

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