MARIANA ALVES FOI CRUCIFICADA

O mundo do ténis nunca falou tanto de um português como neste Open dos Estados Unidos. À falta de um atleta luso a singrar no ténis mundial, a árbitra Mariana Alves tem ocupado imenso espaço na imprensa norte-americana, infelizmente não pelas melhores razões.

10 de setembro de 2004 às 00:00
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Escalpelizado milimetricamente o seu trabalho no encontro que ditou a vitória de Jennifer Capriati sobre Serena Williams, foram identificados quatro erros, dos quais três não são óbvios e seguem as indicações dos fiscais de linha. Apenas um, o que ocorreu no primeiro jogo do terceiro set, é um erro da sua total responsabilidade, pois contraria a indicação do juiz de linha e o ‘ralentie’ é cabal, mostrando a bola a tocar do lado de dentro da linha.

“Em caso de dúvida, o árbitro deve usar o senso comum”, titula o ‘New York Times’, que não compreende porque é que em caso de dúvida, não pediu ajuda e teimosamente manteve a sua decisão. Não nos lembramos de ver qualquer árbitro voltar atrás numa decisão, mesmo que se dê conta que foi precipitada.

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O ‘New York Post’ publica uma foto de página inteira onde se vê Williams protestar com Mariana e um título a toda a largura da página, “Adeus Mrs. Magoo”, aludindo de forma sarcástica ao boneco animado invisual. Nas páginas interiores, este tablóide sensacionalista vai ainda mais longe, qualificando-a como “a pior decisão da história do ténis”. Nas suas páginas omite, como seria de esperar, as próprias declarações de Serena Williams após o jogo, referindo que tinha cometido demasiados erros não forçados (57) e que a sua exibição esteve longe de ser exemplar, como também reconheceu o seu pai Richard Williams, espectador atento dos jogos das suas filhas.

Não deixa de ser curioso que o director geral da USTA (federação americana), tenha sentido a necessidade de telefonar a Serena Williams a pedir desculpas, facto inédito até porque em todos os torneios acontecem erros de árbitros e não nos consta que pedidos oficiais de desculpa sejam emanados. Abriu-se um precedente que agora exige o mesmo procedimento em casos futuros. A PT cá do sítio agradece...

CARREIRA AUSPICIOSA

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Apesar de o CM ter tentado falar com Mariana Alves, ela preferiu seguir as recomendações de não falar à Imprensa. Com 31 anos e detentora do crachat de prata da Federação Internacional de Ténis – o segundo mais alto na hierarquia –, Mariana tem um percurso profissional de sucesso, como o comprova as palavras de Georgina Clark, supervisora do WTA. “Ela tem feito um excelente trabalho. Todos os árbitros já cometeram um erro destes. Ela vai continuar a ser chamada para dirigir jogos”. Ex-mulher do tenista Emanuel Couto, este é o segundo ano consecutivo em que Mariana participa nos quatro torneios do Grand Slam (Austrália, Roland Garros, Wimbledon e Open dos EUA) e a sua carreira, à semelhança de outros conceituados árbitros lusos, como Jorge Dias, Carlos Ramos e Carlos Sanches, decorria sob os melhores auspícios.

E se o bom senso prevalecer, este episódio não deverá afectar o seu futuro. A decisão de não voltar a arbitrar na presente edição do Open dos EUA é a todos os títulos compreensível e o fatídico erro até já poderia ter sido esquecido se a chuva não teimasse em impedir a realização dos jogos.

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