“Mercenário” diz Carvalho

"É muito forte, uma linguagem militar, chamar-me desertor. Com a mesma linguagem, eu podia chamar-lhe mercenário. Quando alguém vai para guerra pago, chama-se mercenário. Eu estou na Selecção por amor, ele é seleccionador porque lhe pagam. Não merecia que me tratasse dessa maneira." Foi desta forma que Ricardo Carvalho respondeu ao seleccionador Paulo Bento, que lhe chamou "desertor" após o abandono do estágio da selecção nacional em Óbidos, na passada quarta-feira.

04 de setembro de 2011 às 00:30
RICARDO CARVALHO, SELECÇÃO, PAULO BENTO, RESPOSTA, POLÉMICA Foto: Carlos Barroso
Partilhar

Em entrevista à RTP, o jogador do Real Madrid reconheceu ter tomado uma decisão "a quente", depois de perceber que não iria ser titular. "Tinha-me treinado bem e senti que era uma injustiça. O meu colega não tinha feito todos os treinos e entrou directamente para o trabalho táctico. Não é nada contra o Pepe, com quem já joguei muitas vezes, mas contra o seleccionador", justificou o jogador.

Acusado por Paulo Bento de "virar as costas à Selecção, aos colegas e ao País", o jogador expressa a sua discordância e diz que o seleccionador está a aproveitar-se da situação para o "pisar e massacrar".

Pub

"Não sinto que virei as costas ao País. Recentemente tivemos problemas na Selecção, que foram públicos, e não abandonei, como colegas meus fizeram", disse.

Ricardo Carvalho, apesar de já ter renunciado à selecção nacional, deixou uma porta entreaberta para um possível regresso à equipa das quinas: "Um dia mais tarde, se acharem que posso ser útil, estou disponível."

O defesa confessa já ter falado com José Mourinho e outras pessoas ligadas ao clube merengue. "Ligaram-me a manifestar apoio. Disseram-me que para eles serei sempre o número um", destacou o jogador de 33 anos e que conta no palmarés com 75 internacionalizações.

Pub

BENTO NÃO QUER QUEIXA

Paulo Bento disse ao jornal espanhol ‘Marca’ que não vai "pedir que se faça queixa à UEFA", pelo abandono de Ricardo Carvalho do estágio da Selecção. "Quero que ele siga o seu caminho que eu sigo o meu", disse o seleccionador nacional. Caso a Federação Portuguesa de Futebol avance com a queixa, o jogador incorre numa pena que pode ir de um a três meses de suspensão, o que impediria de alinhar pelo seu clube.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar