MORREU OSVALDO SILVA

Morreu ontem, aos 68 anos de idade, vítima de doença prolongada, o avançado brasileiro Osvaldo Silva, que se notabilizou em Portugal ao serviço de equipas como o FC Porto, Leixões e, principalmente, Sporting, onde era conhecido por “fuman-chu” ou “tambor”, devido às semelhanças físicas com o protagonista de um filme da época chamado “Os Tambores de Fuman-Chu”.

15 de agosto de 2002 às 22:54
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Osvaldo Silva está intimamente ligado ao maior feito dos “leões” a nível de competições europeis, que foi a conquista da Taça das Taças em 1964. Nos quartos-de-final da prova, o Sporting perde em Manchester, por 1-4, na primeira “mão”. A reviravolta em Alvalade não passava de um sonho, mas um “diabólico” Osvaldo Silva marca três golos na vitória dos “leões” por 5-0, lançando o Sporting para as meias-finais e a cidade de Lisboa para uma noite de genuína loucura tal a dimensão do feito da equipa portuguesa.

A carreira do avançado brasileiro em Portugal iniciou-se no FC Porto, tendo depois passado para o Leixões, onde venceu a Taça de Portugal de 1960/61, precisamente frente aos “dragões”. Casado com uma portuguesa e pai de três filhos, Osvaldo Silva foi ainda treinador do Sporting em 1974 e adjunto de treinadores como Joseph Venglos, John Toshack, António Oliveira e Di Stefano.

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Nos últimos anos, o Osvaldo Silva dedicou-se às camadas jovens do clube de Alvalade, exercendo funções de treinador na equipa de infantis. Osvaldo tratava alguns dos jogadores mais novos por “pé de chumbo”, mas o respeito esteve sempre presente na relação. Respeito também patente ontem nas palavras de Pinto da Costa, presidente do FC Porto: "Foi uma glória, não só do FC Porto, mas também do Leixões e do Sporting. Esta é uma notícia muito triste, porque mesmo depois de sair do FC Porto ele manteve uma relação de muita estima para com o nosso clube".

O funeral realiza-se hoje à tarde, estando a missa de corpo presente marcada para as 14h00, na Igreja de S. João de Deus, em Lisboa. O cortejo fúnebre tem depois uma passagem pelo Estádio de Alvalade, cerca das 15h00, antes de se dirigir para o Cemitério do Alto de São João.

FERNANDO MENDES: “NÃO TINHA INIMIGOS”

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Fernando Mendes, outra ex--glória do Sporting, foi capitão de equipa de Osvaldo Silva. As recordações que guarda do avançado brasileiro são muitas. “Era um homem muito bom, que não fazia mal a ninguém. Não tinha qualquer inimigo. A morte dele deixa-me a olhar para esta vida e a pensar como é injusto ver partir pessoas tão boas como ele era. Deixa muitas saudades”, recorda Fernando Mendes, que elogia o papel que Osvaldo Silva tinha na equipa “leonina”.

“Ele sempre foi um grande profissional, mesmo numa altura em que o futebol não tinha a exigências, nem as condições, que hoje tem. Era um homem de extrema humildade. Podia-se passar horas a conversar com ele e isso era um dos seus apanágios. O Osvaldo era uma peça muito importante na equipa, graças ao equilíbrio emocional que transmitia”, conclui o ex-treinador do Sporting.

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