NUNO RIBEIRO: NÃO SOU UMA ESTRELA SÓ PORQUE GANHEI A VOLTA

“Espero que esta seja a primeira de muitas vitórias. Estou feliz, mas sem euforias exageradas”. A serenidade manifestada nas onze etapas da Volta a Portugal, continuou acompanhando Nuno Ribeiro no dia seguinte ao triunfo, passado na casa paterna, em Sobrado, município de Valongo. Um dia de folga, sem bicicleta, constantemente interrompido por telefonemas e preenchido por sucessivas entrevistas à Imprensa.

19 de agosto de 2003 às 00:00
NUNO RIBEIRO: NÃO SOU UMA ESTRELA SÓ PORQUE GANHEI A VOLTA Foto: Márcia Lessa
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Apesar de ter voado como uma águia nos altos penedos da Serra da Estrela, o novo ídolo do ciclismo português sabe que ainda está no ‘sopé dos Alpes’ da modalidade. Daí que não queira acelerar a agenda de uma promissora carreira internacional, ao fim de quatro voltas domésticas.

“Não é por ter ganho a Volta que vou passar a ser uma estrela do ciclismo. Claro que no meu horizonte está o desejo de disputar o ‘Tour’, o ‘Giro’, a ‘Vuelta’. Porém, reconheço que tenho de continuar a trabalhar de forma dedicada e disciplinada para atingir essas metas. Se seguir essa trilha, esses momentos vão aparecer”, acredita.

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A poucos dias de completar 26 anos (a 9 de Setembro), Nuno deixa transparecer a ideia que esta vitória na Volta a Portugal era quase um triunfo anunciado, em que o único ponto de surpresa residiu na circunstância de ter chegado já este ano.

“O ano passado eu tinha ameaçado, tendo chegado em terceiro na etapa da Torre, e fiquei em nono na geral. Este ano, vinha com o objectivo de vencer na Torre e obter um lugar nos cinco primeiros”, confessa.

A vantagem alcançada – 1,30 minutos – na etapa rainha e o menor rendimento de Andrei Zintchenko - inferiorizado por uma queda, sofrida três semanas antes da Volta–-, levaram o director desportivo da LA-Pecol, Américo Silva, a apostar todas as fichas no trepador de Sobrado. Aposta ganha e para dar novos frutos no futuro, como Nuno admite: “Tenho mais um ano de contrato com a LA. Essa é uma vantagem para mim. A estabilidade do nosso grupo, o espírito de família que Américo Silva conseguiu instalar, capaz de contestar a hegemonia da Maia, é um trunfo poderoso para que eu possa progredir sem sobressaltos”. Essa disposição fica bem expressa, se realçarmos que Nuno, malgrado os festejos, tem a bicicleta afinada para alinhar amanhã, no Circuito de Alcobaça, “se o director assim entender”.

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SOBRADO VIBROU COM O TRIUNFO

Nuno Ribeiro é o terceiro ciclista de Sobrado a vencer uma Volta a Portugal. Fernando Moreira e Joaquim Leão, nos anos 50 e 60, respectivamente, já tinham colocado a freguesia no mapa do ciclismo português.

“Conheço bem o Joaquim Leão. Até já demos uma entrevista juntos para um jornal aqui de Valongo”, revelou Nuno Ribeiro.

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O novo herói de Sobrado foi ontem de madrugada recebido em casa (solteiro, vive com os pais, agricultores, a quem ajuda no amanho das terras), com uma manifestação de júbilo dos conterrâneos e panos de saudação.

A este tributo popular e espontâneo deve seguir-se uma homenagem da Câmara de Valongo, pois, a determinada altura desta reportagem, Nuno recebeu um enviado da autarquia, que junto do ciclista obteve o seu nome completo e endereço.

O dia de repouso do guerreiro foi também passado na companhia da namorada, Raquel Barbosa. Irmã de Cândido Barbosa, ela namora há quatro anos com Nuno, tendo sofrido e vibrado com a proeza do novo campeão da Volta. “Casamento? Nada está programado. Temos de continuar a reunir as condições necessárias para uma relação sólida”, sustenta Nuno Ribeiro, com a mesma tranquilidade que mostrou nos últimos dias.

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