Pinto da Costa e a camisola rasgada ao leão Rui Jorge
Pinto da Costa terá admitido à juíza Ana Cláudia Nogueira, quando foi interrogado como arguido no processo ‘Apito Dourado’, que José Mourinho poderia ter algo a ver com a camisola rasgada de Rui Jorge, no final do jogo Sporting-FC Porto, na época 2003/2004.
Segundo apurou o CM, o presidente dos portistas terá adiantado à magistrada que, no final da partida, se encontrava no hall de acesso aos balneários ao telefone quando apareceu o técnico dos ‘leões’, Fernando Santos, com uma camisola rasgada nas mãos, observando que, na altura, não reparou se seria a camisola de Rui Jorge. Mas que terá visto e ouvido Fernando Santos admoestar Mourinho com uma frase do tipo: “Ó Zé, isto não é nada”. A juíza do ‘Apito Dourado’ terá ficado também a saber que o treinador do Sporting não viu Mourinho rasgar o jersey n.º 23 e que foi o roupeiro Paulinho quem apontou o dedo ao actual técnico do Chelsea.
Logo a seguir, no interrogatório a que foi submetido no Tribunal de Gondomar, onde esteve durante cerca de oito horas, Pinto da Costa terá revelado que tentou rasgar uma camisola e que não o conseguiu, sublinhando que acreditou em José Mourinho quando ele lhe garantiu que não danificou a camisola de Rui Jorge. Mas fez questão de frisar que o passar do tempo o poderia levar a pensar de forma diferente, ou seja, que, afinal, José Mourinho poderia ter algo a ver com a camisola rasgada de Rui Jorge. E terá vincado que se Fernando Santos lhe dissesse que viu o gesto de que Mourinho foi acusado, acreditaria seguramente nele, por ser uma pessoa que conhece bem.
As declarações de Pinto da Costa foram proferidas em Dezembro de 2004, numa altura em que José Mourinho já tinha trocado o FC Porto pelo Chelsea. O jogo Sporting-FC Porto realizou-se no dia 31 de Janeiro do mesmo ano e terminou empatado (1-1).
DELEGADO DA LIGA MUDA RELATÓRIO
O caso da camisola rasgada ficou ainda assinalado com uma troca de acusações entre o, na altura, técnico do FC Porto e o delegado da Liga ao FC Porto-Sporting. Paulino Leite de Carvalho escreveu no relatório que Mourinho tinha tirado a camisola de Rui Jorge das mãos do roupeiro Paulinho e que depois a rasgou. Quando soube desta declaração, o treinador do FC Porto ameaçou-o com um processo-crime e chamou-lhe mentiroso.
Algum tempo depois o delegado da Liga fez uma adenda ao relatório onde diz que não viu Mourinho rasgar a camisola de Rui Jorge.
JUSTIÇA DESPORTIVA CONDENA E ABSOLVE JOSÉ MOURINHO
No âmbito do caso da camisola rasgada, o então técnico portista José Mourinho começou por ser condenado na justiça desportiva, mas acabou por ser absolvido pelo Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol. A Comissão Disciplinar da Liga não teve dúvidas de que o técnico danificou a camisola do sportinguista Rui Jorge e sancionou-o com dez dias de suspensão e multa de três mil euros.
Algum tempo depois, o Conselho de Justiça da FPF absolveu Mourinho, sustentando a sua posição na “falta de fundamentação no que concerne à prova de facto”.
FORTES INDÍCIOS DE CRIME DE TRÁFICO DE INFLUÊNCIA ACTIVA
A juíza Ana Cláudia Nogueira terá dito a Pinto da Costa que durante a investigação do caso da camisola rasgada tinham sido reunidos fortes indícios da prática do crime de tráfico de influência activa.
A magistrada terá explicado que tinha elementos suficientes que davam conta de que o líder do FC Porto se teria reunido com Valentim Loureiro, presidente da Liga, Adelino Caldeira, dirigente do FC Porto, e Gomes da Silva, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, no sentido de evitar que Mourinho fosse castigado.
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