Quando o bom é inimigo do óptimo
O Sporting está em vantagem nos quartos-de--final da Liga Europa, ao vencer ontem o Metalist, por 2-1, na primeira mão, mas ficou uma sensação um pouco amarga. É que a vantagem de dois golos assentaria melhor aos leões, que sofreram a resposta aos remates vitoriosos de Izmailov e Insúa já em cima do final do jogo, num penálti de Cleiton Xavier.
Foi uma exibição tacticamente consistente dos leões, que dispararam no segundo tempo, depois da primeira parte muito tímida, na expectativa do que o Metalist poderia fazer. Os ucranianos são bons de bola (é uma equipa quase só de brasileiros e argentinos), mas pela frente encontrou um Sporting bravo, robusto e, sobretudo, muito mais prático do que o adversário.
O 1º tempo foi um exercício de xadrez: o Sporting pouco se desposicionou, o Metalist foi anestesiando o Sporting. Oportunidades muito poucas.
Após o intervalo, foi a transformação dos leões – mais rápidos e objectivos nas movimentações. Cedo se percebeu, pois, antes dos 50’, Capel, num grande slalom, foi pela esquerda fora e ofereceu o 1-0 a Izmailov. Não se notou a gastroenterite, que afectou ambos. A equipa ganhou confiança, manteve-se pragmática (muito bem Schaars e Carriço, este a contas com uma infecção na garganta) a limitarem movimentações a Cleiton Xavier) e chegou o 2-0, num livre de Insúa a castigar falta sobre Matías Fernández. O Sporting até esteve perto do 3-0, em boas saídas para o ataque, mas o jogo também transmitia a ideia de que o Metalist podia marcar – Patrício efectuou três estupendas defesas – e fê-lo mesmo perto do fim. O resultado deixa tudo em aberto para a 2ª mão, e ontem ficou a ideia de que o bom por vezes é mesmo inimigo do óptimo.
SPORTING
INSÚA MOSTROU AS GARRAS NA SEGUNDA METADE
Rui Patrício – Cometeu a falta que originou a grande penalidade, única mancha numa excelente exibição, com três intervenções de grande nível (duas aos 74’ e outra aos 81’).
João Pereira – Falhou muitos passes na primeira parte e sofreu com o irrequieto Taison.
Xandão – Impôs o físico, soube jogar em antecipação e ainda tentou a sorte no ataque, mas o remate saiu fraco (13’).
Polga – Começou inseguro. Cresceu e acabou por realizar dois cortes fulcrais na área.
Carriço – Recuperou inúmeras bolas e conseguiu sair a jogar com qualidade.
Schaars – Um jogo com mais transpiração do que inspiração. Lutou muito e construiu pouco. Combativo.
Matías – Só apareceu em grande na 2ª parte e fez a equipa jogar. Arrancou a falta que deu origem ao 2-0 e mostrou pormenores de classe.
Izmailov – Um golo pleno de oportunidade, antecipando-se ao defesa, e a habitual inteligência a ler o jogo. Regular.
Capel – Fulgurante a arrancada no lance do 1-0 e ainda melhor a assistência para Izmailov.
Wolfswinkel – Muito esforçado, mas pouco espontâneo no remate, esteve apagado.
Renato Neto – Perdeu uma bola perigosa na área leonina. Ajudou a segurar a vantagem.
Jeffrén – Um par de cruzamentos, sem seguimento.
Carrillo – Uma boa arrancada.
Insúa – Recuperou a bola no miolo e combinou bem com Capel no lance do primeiro golo do Sporting. Marcou o segundo, de livre. E ainda teve tempo para secar Sosa. Decisivo.
"FIZEMOS UMA SEGUNDA PARTE À SPORTING"
"Vamos optimistas para a segunda mão. Vamos acreditar até ao fim. Estamos muito confiantes", disse ontem Ricardo Sá Pinto, depois do triunfo do Sporting sobre o Metalist, por 2-1. "Fizemos uma segunda parte à Sporting, como eu idealizo. Dou os parabéns à equipa, fez um grande jogo", acrescentou o técnico, que deixou elogios ao adversário: "Tem jogadores com enorme talento, difíceis de parar."
ALVALADE REGISTA SEIS MILHÕES DE ESPECTADORES
O Estádio José Alvalade celebrou ontem o espectador seis milhões desde a sua inauguração (6 de Agosto de 2003). As 40 512 pessoas presentes no embate frente aos ucranianos, nos quartos-de--final da Liga Europa, ultrapassam a recepção ao M. City (1-0), nos ‘oitavos’, que se cifrou em 39 871.
A maior enchente nesta temporada ocorreu no clássico diante do FC Porto (0-0), na 14.ª jornada da Liga: 48 855 espectadores.
SPORTING PERDE NA FPF
O Conselho de Disciplina (CD) da FPF arquivou o inquérito, aberto por denúncia ao Sporting, para averiguar a responsabilidade do Benfica nas alegadas falhas de organização do dérbi de 26 de Novembro de 2011 (1-0, para as águias), que culminou com um incêndio na Luz.
De acordo com o acórdão a que o CM teve acesso, o CD considerou que o Sporting não tinha razão quando se queixou da entrada tardia dos seus adeptos, nem da sobrelotação das bancadas, nem da falta de condições da caixa de segurança.
Os conselheiros federativos (cinco votaram a favor do arquivamento e um sustentou que devia ser aberto um processo disciplinar) frisaram, ainda, que a caixa de segurança onde ficaram os adeptos leoninos tinha sido "devidamente" vistoriada pela Liga, PSP e Bombeiros.
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