Quando tiver 100 anos vou bater os quenianos

A Meia-Maratona de Lisboa deste ano (amanhã a partir das 10h30) vai ter um participante singular. Trata-se apenas do mais velho corredor de maratonas, que conta com 94 anos e muita força de vontade. Fauja Singh, indiano, só precisa de uma ajuda: “Deus ajuda-nos em tudo. Quando corro penso nele.”

25 de março de 2006 às 00:00
Quando tiver 100 anos vou bater os quenianos Foto: Miguel Barreira/Record
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Singh é apenas um dos cerca de 35 mil participantes nesta 16.ª edição da prova. Mas ele, juntamente com mais uma vintena de compatriotas vão marcar a diferença. A começar pela indumentária, denominada os 5 k’s. “Qualquer sikh baptizado terá de ter o kesh [cabelo comprido, sinal de consciência], a kara [uma pulseira que apela à liberdade], a katchera [calções curtos símbolo de pureza], a kangha [um pente sinal de limpeza] e um kirpan [género de punhal que defende a verdade]. Temos que usar todos estes elementos”, adiantou ao CM este atleta, que disputou a sua primeira maratona aos 89 anos e que tem em 5:40 horas (92 anos) a sua melhor marca na maratona. na primeira prova que disputou fez 6:52 horas.

“Quando fui para Inglaterra, há 14 anos, a minha mulher morreu e voltei a praticar desporto”, explicou Fauja Singh. “Só paro de correr quando morrer.” E já deixou um alerta aos melhores. “Quando tiver 100 anos vou bater os quenianos.”

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Este ano, a ‘Meia’, que conta com Paul Tergat (recordista mundial da maratona) e Gharib (bicampeão mundial da maratona) como principais figuras, vai atingir o número recorde de 35 mil atletas. Para combater o favoritismo estrangeiro, Portugal aposta na experiência de Hélder Ornelas (vencedor da Maratona de Milão, em 2:09.59 horas), bem como Luís Jesus (10.º em 2001 e 2002).

TEMPO NÃO ASSUSTA

Carlos Móia, presidente do Maratona e principal organizador da Meia-Maratona de Lisboa, confessou ter recebido nas últimas horas diversos telefonemas questionando-o sobre uma eventual não realização da prova devido às condições meteorológicas adversas. O trânsito na Ponte 25 de Abril esteve condicionado nos últimos dias, mas Móia está convicto que não será preciso alterar nada, nomeadamente o local de partida.

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“Há um plano ‘B’, que eu não vou dizer qual é, mas este não vai funcionar, porque não vai ser preciso. Informei-me e domingo serão apenas alguns aguaceiros que, para quem corre, até são agradáveis”, avançou o responsável. “O São Pedro está connosco.”

CUIDADO COM AS BANANAS

A segurança e as condições atmosféricas parecem não constituir problema de maior para a organização. Mas, em cima da hora, surgiu um entrave inesperado e gastronómico. É que a organização da Meia-Maratona, tentando melhorar as condições dos milhares de atletas que vão correr nesta prova, decidiu este ano montar duas bancas recheadas de fruta ao longo do traçado: uma de laranjas descascadas e outra de bananas para serem distribuídas aos participantes. Foi então que alguém, na sala, fez uma observação a Carlos Móia. “Eu já fiz uma prova em que também eram dadas bananas e a experiência não foi nada boa, já que depois os atletas atiravam as cascas para o chão, o que é bastante perigoso.”

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Perante tal reparo inesperado, Carlos Móia quase que ficou sem palavras. “Não estava nada à espera de ouvir isso”, disse o responsável entre sorrisos. “Acabou de me arranjar mais trabalho, ainda mais nesta altura.” Resta agora saber se vão trocar o tipo de fruta ou se vai haver alguém com a tarefa de descascar as bananas....

PONTE

Firmino Sá, responsável pela Lusoponte, explicou as condições que poderão desviar a ‘Meia’ da Ponte. “Os limites são as rajadas de vento superiores a 50 km/hora. Se forem superiores a 35 temos que ponderar essa hipótese. Há que ver se os ventos são perpendiculares, em especial de Oeste.”

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TRÊS PROVAS

Hoje já terão lugar três provas inseridas na ‘Meia: a corrida Vitalis (09h30, do Padrão dos Descobrimentos aos Jerónimos), o Passeio Avós e Netos (11h30, concentração por baixo do tabuleiro da Ponte) e a corrida EDP (16h00, com partida e chegada ao Museu da Electricidade).

EXPLOSIVOS

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Avaliada com um grau médio de segurança por parte das autoridades, a Meia-Maratona vai estar fortemente vigiada por centenas de elementos da PSP e GNR. Até a Ponte 25 de Abril vai ser alvo de uma busca de explosivos, assim como a zona do Túnel do Pragal e do comboio.

- A Polícia não vai deixar passar atletas com bicicletas ou com animais

- A Ponte fecha às 09h15 em ponto e só reabre depois do meio-dia

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- Vão haver sete pontos de música ao vivo ao longo do percurso

- Dois postos de fruta (laranjas e bananas) vão adoçar a boca dos participantes

- Para matar a sede vão estar disponíveis 180 mil garrafas de água e 100 mil de Powerade

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- A 'Meia' conta com um número recorde de cerca de 5500 inscritos

- Houve um acerto de 28 metros no percurso, devido às obras no Terreiro do Paço

- Pela primeira vez, os participantes da 'Meia' vão utilizar 'chips' descartáveis

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- A apresentação do dorsal possibilita utilizar gratuitamente a Carris, Fertagus, CP e Metro

- A organização conta com 1700 elementos nas mais variadas funções

- O INEM e a Cruz Vermelha, juntos, vão ter 125 elementos no terreno

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- Na 'Mini' vão estar socorristas de bicicleta, a partir dos 4 km (espalhados de 250 em 250 metros)

- Todos os atletas receberão uma T-shirt, uma medalha e lembranças alusivas à prova

- Todos os participantes estão cobertos por um seguro conforme o estipulado por Lei

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CONSELHOS

- Não se esqueça que esta madrugada existe a mudança da hora. Não se atrase

- Leve apenas o indispensável consigo

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- Aproveite a borla dos transportes públicos

- Tome o pequeno-almoço em casa

- Durante a prova, ingira bastantes líquidos para evitar a desidratação

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- Leve roupa velha que possa abandonar. Esta será posteriormente dada a associações de solidariedade

- Não é todos os dias que se atravessa a Ponte. Leve uma máquina fotográfica para mais tarde recordar

- Evite o calçado novo. Este pode criar bolhas nos pés

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- Desfrute de uma das melhores 'Meias' do Mundo

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