Quem desiste não pode fazer oposição
“Surpresa.” Esta foi a palavra mais repetida ontem no Bonfim para comentar a desistência de Fernando Oliveira da eleições do V. Setúbal. Alguns tomaram conhecimento de haver apenas uma lista a sufrágio já depois de chegarem ao estádio para exercer o seu direito de voto.
No exterior do recinto, até ao início da tarde, uma tarja com letras garrafais apelava ao voto na lista A, dando a entender a quem chegava que Oliveira se mantinha na corrida para a presidência. Aliás, o boletim de voto continha as duas listas, mas quem votasse em Fernando Oliveira (lista A) veria o seu voto ser considerado nulo.
Depois da desistência de última hora do antigo dirigente – pelo facto da instituição bancária portuguesa com quem estava a negociar um ‘project finance’ de três milhões de euros não ter dado as necessárias garantias bancárias –, Jorge Santana garantiu desde logo o lugar de sucessor de Chumbita Nunes. Os resultados eleitorais só foram conhecidos pelas 23h00: dos 1360 votos, 1082 foram para Santana, 198 foram nulos e 80 foram em branco. “Por um lado, entristece-me que a outra lista tenha tomado a decisão de desistir e, por outro, sinto-me contente por poder vir a contribuir para o projecto que os vitorianos sonham”, disse Santana ao CM. O arquitecto, de 49 anos, lamenta a inexistência de um adversário. “Eu jamais teria desistido. O objectivo era que os vitorianos tivessem mais do que uma opção de escolha”, considerou. O antigo administrador da SAD refutou ainda as acusações de “demagogia” e “insultos” que elementos da sua lista terão, alegadamente, proferido a Fernando Oliveira. “Não me revejo nessas críticas. Fizemos uma batalha eleitoral leal. Se houve alguma demagogia no processo, não foi nossa. Nunca dissemos que tínhamos investimentos garantidos”, afiançou, sublinhando: “Quem desiste não pode fazer oposição”.
Em relação às promessas de que “não haverá ordenados em atraso” e de que “estão a ser estudadas garantias para estabilizar o clube”, feitas na apresentação da candidatura, Santana mantém o que disse.
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