SCOLARI RECEPTIVO A TRABALHAR COM AGOSTINHO
Luiz Felipe Scolari vê com bons olhos a possibilidade de trabalhar com Agostinho Oliveira no comando técnico da selecção nacional portuguesa, revelou ontem ao CM fonte próxima do treinador.
Felipão tem noção de que para se inteirar da realidade do futebol português precisa da colaboração de um técnico nacional e, mais que isso, já foi informado sobre a competência de Agostinho, não colocando por isso qualquer entrave.
No entanto, o treinador campeão do mundo não deverá abdicar de trazer consigo o seu adjunto e companheiro de trabalho desde há 19 anos, Flávio Teixeira, mais conhecido por Murtosa. Fica ainda por saber se Scolari faz questão de voltar a trabalhar com o preparador físico Paulo Paixão (representa actualmente o Grémio de Porto Alegre), que esteve no Mundial da Coreia e do Japão.
Entretanto, a Federação Portuguesa de Futebol emitiu ontem um comunicado a negar “o pagamento directo por parte dos seus sponsors” ao futuro seleccionador. Recorde-se que o CM noticiou em primeira mão na sua edição de terça-feira que a Nike vai comparticipar no salário de Luiz Felipe Scolari. Com este comunicado a FPF faz questão de esclarecer que esse pagamento não será feito de forma directa, mas o CM sabe que sê-lo-á de forma indirecta: a Nike paga à FPF e esta por sua vez paga a Scolari.
O papel decisivo da Nike na contratação de Luiz Felipe Scolari fez surgir algumas vozes críticas que temem pela independência do futuro seleccionador.
O CM contactou Ana Matias, especialista em marketing desportivo, que desdramatizou a situação, lembrando que este tipo de acordos de patrocínio “já é prática comum em Portugal no futebol e noutras modalidades”. A promotora do célebre ‘logotipo humano’ recorda a relação mantida entre “o Benfica e a Parmalat” e acusa os que se opõem a esta solução de pensarem como “velhos do Restelo”.
Quanto às pressões a que Scolari poderia estar sujeito, Matias defende que o técnico já provou ser imune a isso: “Se se confirmar que a Nike patrocina a contratação de Scolari, podemos estar tranquilos que ele não cederá a pressões. Basta lembrar que não cedeu quando Romário ficou fora do Mundial, ou quando não chamou Jardel para o particular com Portugal, sendo que a selecção do Brasil, Jardel e o próprio jogo eram patrocinados pela Guaraná”.
Para esta especialista, a contratação de Scolari “seria uma decisão correcta em termos de estratégia de marketing”: “Portugal treinado pelo campeão do mundo seria uma mais-valia para a Nike, que ganha dinheiro sempre que alguém compra uma camisola da selecção”.
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