Usain Bolt, uma bala humana

Sem limites. O jamaicano Usain Bolt está a tornar-se num case-study devido à sua velocidade, tornando-se o ser humano mais rápido do Mundo e com registos até então impensáveis. Actualmente já vai em 9,58 segundos, mas a facilidade com que atinge este tempo obriga a prognósticos muito reservados...<br/><br/>

18 de agosto de 2009 às 00:30
Usain Bolt, uma bala humana Foto: Christophe Karaba, STF
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Uma verdadeira força da Natureza. Usain Bolt não luta apenas contra os seus adversários, tem também de combater a sua morfologia. É que os seus 1,95 m não são nada vulgares para um velocista. O director do Laboratório de Biomecânica da Faculdade de Motricidade Humana, António Veloso, considera que Bolt demonstra uma capacidade de aceleração inesperada para um indivíduo com "segmentos inferiores (pernas) tão compridos".

Para António Veloso, devido ao facto de Bolt ser mais alto, seria de esperar que tivesse uma corrida mais lenta no início, o que não se verifica. "Bolt consegue manter uma amplitude de passada muito grande durante toda a corrida e mesmo na fase final, quando normalmente os outros perdem velocidade, ele consegue mantê-la", disse António Veloso à Lusa.

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O especialista em biomecânica considera que o velocista jamaicano tem a dupla característica de atingir a "velocidade máxima muito cedo e depois de conseguir mantê-la" por mais tempo do que os adversários.

A verdade é que é o conjunto destes factores que tornam o jamaicano uma bala humana. Em Berlim, Usain Bolt precisou de apenas 41 passadas para percorrer os cem metros, retirando 11 centésimos ao seu anterior recorde do Mundo, estabelecido em Pequim, há cerca de um ano. Ou seja, cada passada do velocista tem em média 2,44 metros.

Já o norte-americano Tyson Gay, segundo classificado, percorreu a distância em 9,71 (recorde dos Estados Unidos), com 45,2 passadas, enquanto o jamaicano Asafa Powel, terceiro, terminou com 9,84 segundos e um total de 44,5 passadas. Afinal, o tamanho conta!

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PERFIL

Usain St. Leo Bolt nasceu em Trelawny (Jamaica) a 21 de Agosto de 1986 (22 anos). É o actual campeão olímpico, detentor dos recordes mundiais nos 100 m e 200 m, e estafetas dos 4 x 100 juntamente com os compatriotas Asafa Powell, Michael Frater e Nesta Carter.

EVOLUÇÃO DO RECORDE MUNDIAL

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10.6 - Donald Lippincott (EUA) 06.07.1912

10.4 - Charles Paddock (EUA) 23.04.1921

10.3 - Percy Williams (Canadá) 09.08.1930

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10.2 - Jesse Owens (EUA) 20.06.1936

10.1 - Willie Williams (EUA) 03.08.1956

10.0 - Armin Hary (Alemanha) 21.06.1960

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9.95 - Jim Hines (EUA) 14.10.1968

9.93 - Calvin Smith (EUA) 03.07.1983

9.92 - Carl Lewis (EUA) 24.09.1988

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9.90 - Leroy Burrell (EUA) 14.06.1991

9.86 - Carl Lewis (EUA) 25.08.1991

9.85 - Leroy Burrell (EUA) 06.07.1994

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9.84 - Donovan Bailey (Canadá) 27.07.1996

9.79 - Maurice Greene (EUA) 16.06.1999

9.77 - Asafa Powell (Jamaica) 14.06.2005

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9.74 - Asafa Powell (Jamaica) 09.09.2007

9.72 - Usain Bolt (Jamaica) 31.05.2008

9.69 - Usain Bolt (Jamaica) 16.08.2008

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9.58 - Usain Bolt (Jamaica) 16.08.2009

RUI SILVA FALHA FINAL E JÉSSICA ACABA EM 11.º

Rui Silva saiu pela porta pequena dos Mundiais de Atletismo, ao falhar a qualificação para a final nos 1500 metros. O meio-fundista português terminou a sua série das meias-finais no último lugar e estava desiludido com a prestação. "Foi uma saída triste do Mundial. Até à última volta ia a sentir-me bem, mas depois não consegui mudar de velocidade e não reagi quando devia. A 150 metros da meta desanimei por completo. Fico triste", reconheceu o meio-fundista, rejeitando que o mau desempenho estivesse relacionado com uma lesão na anca que lhe limitou a preparação. "Hoje nada senti da lesão. Ela pode ter sido responsável por uma preparação não tão completa quanto desejaria, mas não pela prova de hoje. Saio daqui desiludido", reforçou o atleta, que aos 32 anos não quis dar os Mundiais como o final da carreira. "Não vou estar a decidir nada agora. Mas não vale a pena continuar a ir a provas não estando a 100 por cento".

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Outra atleta que esteve ontem em acção foi Jéssica Augusto, que terminou a final dos 3000 metros obstáculos no 11º lugar.

"Foi a minha despedida dos obstáculos. Não tão boa quanto queria, mas não foi mau, mas agora quero treinar para ser campeã europeia dos 5000 e 1000 metros", disse confiante a atleta que terminou com o tempo de 9,25 minutos. n

NÉLSON ÉVORA: "VOU DEFENDER A MEDALHA DE OURO COM TUDO"

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"Vou defender a medalha de ouro com tudo e quem a quiser arrebatar vai ter de se esforçar muito", foi desta forma que Nélson Évora abordou a final de hoje (18h05) do triplo salto.

O atleta do Benfica é o primeiro português a entrar em acção e tem a missão de defender o título mundial conquistado em Osaka 2007 e o ouro olímpico em Pequim 2008. Nélson Évora está mais motivado do que nunca com o seu salto na qualificação 17,44 metros, bem longe do segundo classificado, o britânico Philips Idowu com 17,32.

Nem a ameaça de chuva que paira em Berlim parece intimidar o campeão olímpico. "Até salto com neve", disparou.

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Como motivação extra, Nélson Évora terá o apoio de Luís Filipe Vieira. O presidente do Benfica já está em Berlim para assistir ao concurso do seu atleta.

APONTAMENTOS

10 MIL METROS

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O português, Rui Pedro Silva, terminou em 23.º a prova de dez mil metros, em 28.51,40 minutos. A vitória foi para o etíope Kenenisa Bekele, que estabeleceu novo recorde dos campeonatos, com 26.51,31 m.

GAY DESISTE

O norte-americano Tyson Gay anunciou ontem que não está em condições de participar na prova de velocidade dos 200 metros nos Mundiais de Berlim devido a problemas nos adutores. Usain Bolt é o principal favorito.

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FRASER CAMPEÃ

A jamaicana Shelly-Ann Fraser sagrou-se ontem campeã mundial dos 100 metros, com a melhor marca mundial do ano (10, 73 seg.). Kerront Stewart (Jamaica) e Carmelita Jeter (EUA) completaram o pódio.

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