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Correio da Manhã

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20 minutos antológicos e o bilhete ficou pago

Bastou o primeiro quarto de hora, pouco mais, para o bilhete de entrada ficar pago. Futebol tu- -cá-tu-lá, emoção, intensidade, golos, ingredientes quanto baste para fazer deste um jogo de loucos. E desde logo, a promessa de um clássico de antologia.
14 de Janeiro de 2013 às 01:00
Colombiano Jackson Martínez aproveita falha do guarda-redes Artur e vai marcar o 2-1 para o FC Porto (14’).
Colombiano Jackson Martínez aproveita falha do guarda-redes Artur e vai marcar o 2-1 para o FC Porto (14’). FOTO: Pedro Ferreira

RECORDE OS PRINCIPAIS LANCES DO JOGO MINUTO A MINUTO

Nos 20 a 25 minutos que durou o encantamento, é impossível e até injusto dizer quem esteve melhor. O FC Porto teve capacidade para se adiantar por duas vezes no marcador, o Benfica mostrou o discernimento, também em dose dupla, para responder e impedir o adversário de embalar e moralizar, para repetir os dois triunfos das duas últimas épocas, na Luz. Ao golo de Mangala, de cabeça, responderam os da casa logo a seguir, com um monumental pontapé em vólei de Matic.

Sem tempo para os adeptos retomarem o fôlego, o FC Porto voltou a marcar, após uma enorme fífia de Artur, que Jackson agradeceu. E de novo o empate, por Gaitán, num lance em que também Helton ficou mal, ao defender um primeiro remate para a frente. E tudo isto em apenas 16 minutos.

Após este carrossel de emoções, o ritmo de jogo baixou um pouco. Nunca mais seria o mesmo até final. Nem poderia ser de outro modo. Ainda assim, manteve-se alto até final do primeiro tempo, mais por conveniência do Benfica do que por agrado do FC Porto. Foi preciso esperar pelos 20 ou 25 minutos para se ver quais eram as estratégias e preferências de cada uma das equipas: dragões a tentar explorar o melhor do 4x3x3, com futebol rápido pelas alas, preferencialmente a esquerda, onde Varela moía o juízo a Maxi Pereira; as águias a tentarem envolver o adversário a partir da superioridade no miolo (cortesia do 4x4x2), graças às movimentações e triangulações de Gaitán, Salvio e Enzo Pérez. O equilíbrio que ameaçava desfazer-se em favor das águias só foi reposto quando Lucho recuou no terreno. Intervalo. Uf.

Na 2ª parte houve muito mais contenção. E por isso o espetáculo baixou de qualidade. Já não era tempo de dar rédea solta aos jogadores e começaram então os jogos de tática e estratégia. Da qual foi difícil a qualquer das equipas escapar. O Benfica esteve mais perto de desfazer a igualdade, quando Cardozo se isolou na cara de Helton, mas o guarda-redes esticou-se e tocou na bola, que ainda resvalou no poste. O FC Porto sai vivo da Luz e sempre que isso sucedeu, nas últimas sete épocas, chegou ao fim da Liga em primeiro.


ARTUR OFERECE OURO AOS DRAGÕES

Artur – Em momento algum tranquilizou a equipa. Tentou fintar Jackson, e o colombiano desarmou-o e marcou. A impaciência chegava às bancadas.

Maxi Pereira – Continua longe da melhor forma. Tanto a defender como a atacar.

Jardel – Ficou a ‘dormir’ no golo de Mangala, permitindo que o central francês atacasse a bola perante a sua passividade.

Garay – Um autêntico bombeiro na defesa, evitou males maiores para a sua equipa.

Melgarejo – Por vezes faltou--lhe o apoio defensivo de Gaitán e, assim, tinha de bater-se com Danilo e Defour. Mas passou mais esta prova de fogo.

Salvio – Atrevido, como sempre, passou muitas vezes por Alex Sandro e por ele começou o lance do golo de Gaitán.

Enzo Pérez – Segurou jogo, envolveu-se na construção de lances de ataque, mas viu um amarelo por palavras ao árbitro, e Jesus não hesitou em substitui-lo.

Gaitán – Marcou um golo de raiva, numa exibição de altos e baixos.

Lima – Vinha de um período de golos consecutivos, mas esteve sempre longe de consegui-lo neste clássico.

Cardozo – Na sua grande oportunidade, rematou, mas Helton toca na bola, que embateu no poste antes de sair.

Carlos Martins – Com ele em campo, o meio-campo foi mais macio.

Aimar – Quase marcava de cabeça.

Ola John – Terá entrado tarde?

Matic – O sérvio está feito um jogador de corpo inteiro. Desarmou, construiu jogadas e marcou um golo espetacular. Até a fazer faltas cirúrgicas, revelou inteligência a jogar.

MANGALA CAUSA CALAFRIOS NA LUZ

Helton – Facilitou o segundo golo encarnado com uma defesa incompleta. Redimiu-se aos 77’, desviando para o ferro um remate a queimar de Cardozo, que daria a vitória às águias.

Danilo – Início brilhante, com movimentos incisivos que surpreenderam o Benfica. Mais discreto após o intervalo.

Otamendi – Ligado ao golo de Gaitán. Não conseguiu atirar para longe e serviu o argentino sem querer. Cortes vistosos e entendimento telepático com Mangala.

Alex Sandro – Trabalho extra para travar Salvio. Ganhou-lhe muitos duelos, com coragem, rapidez e processos simples. Também foi notável no apoio aos colegas da frente.

Fernando – Muito forte fisicamente. Antecipou e varreu muitas jogadas perigosas.

Lucho – Passes a rasgar o Benfica ao meio. Desequilibrou.

João Moutinho – Condicionado por marcações cerradas. Transformou o livre que adiantou a sua equipa.

Defour – Um par de cruzamentos. Dificuldades na adaptação à asa direita.

Varela – Ativo só na 1ª parte. Correu quilómetros no ataque, e até ajudou na defesa.

Jackson – Mais um golo e nova exibição de nível superior. Iludiu as águias no golo de Mangala e ainda fez de James, assumindo o papel de distribuidor.

Izmailov – A referência é pela estreia com a nova camisola. Bateu um livre e entrou tarde.

Abdoulaye – Chegou no fim para fazer número.

Castro – Sem tempo. 

Mangala – Jogo sublime do central. francês. Adiantou os dragões com um desvio oportuno de cabeça e causou vários calafrios na defensiva encarnada, nas bolas paradas.

"SE A LEI FOSSE CUMPRIDA, GANHARÍAMOS"

"Benfica devia ter acabado com nove jogadores. Se a lei fosse cumprida, ganharíamos. Não penso que o João Ferreira tenha agido com intenção, mas se ele é o melhor árbitro para estes jogos, então a UEFA anda distraída", disse Pinto da Costa. "Os primeiros vinte minutos de jogo foram espetaculares, tal como o resto do jogo", vincou.

"OCASIÃO PARA O 3-2 FOI NOSSA"

"A primeira parte foi um jogo de loucos, quatro golos em poucos minutos e as duas equipas com grande poder de finalização. A segunda parte foi mais equilibrada e a grande oportunidade para fazer o 3-2 foi de Cardozo", disse Jorge Jesus.

"Foi um jogo intenso, o FC Porto fez uma pressão muito alta e tivemos dificuldades em ter a bola. Na segunda parte as coisas foram-se alterando e a melhor oportunidade foi do Benfica", acrescentou, deixando elogios ao juiz da partida. "João Ferreira fez um boa arbitragem. Tentou que as duas equipas terminassem o jogo com 11 jogadores. Também vi o FC Porto fazer muitas faltas", vincou.


PEREIRA ARRASA ÁRBITRO

"Três foras de jogo mal assinalados que deixavam em dois deles os nossos jogadores isolados. E duas expulsões claras, uma delas mesmo à minha frente. O Matic devia ter visto o segundo cartão amarelo e o Maxi devia ter visto o vermelho direto", foi desta forma que Vítor Pereira abordou a arbitragem de João Ferreira no clássico na ‘flash interview’.

Sobre a partida, e depois de ter dados os parabéns aos seus jogadores e adeptos, o treinador do FC Porto afirmou: "O que eu vi neste jogo foi uma equipa de qualidade, com personalidade e um grande Benfica a jogar para a frente e as disputar as segundas bolas."

O OLHAR DO ADEPTO

EMPATE ENTRE BENFICA E FC PORTO É JUSTO?

O jogo teve três falhas importantes convertidas em golos, um tento fabuloso do melhor jogador em campo – Matic – e uma bola de Cardozo no poste. O FC Porto fez o melhor jogo até ao momento, o que significa que dificilmente fará melhor até ao final do campeonato. O Benfica, acredito, vai fazer muito melhor daqui para a frente. Dito isto, pedir um resultado mais justo seria exigente. - Francisco Penim, Coordenador CMTV - Benfica

Nunca há justiça no futebol – há talento, e ele esteve quase sempre do lado do FC Porto, que foi prejudicado por uma arbitragem deficiente (foras de jogo abusivos e expulsões não assinaladas na outra equipa). De resto, houve uma boa primeira meia hora e, no fundo, um bom jogo com uma superioridade fatal do nosso meio campo. O FC Porto começa, aqui, a arrancada para o título. - Francisco José Viegas, Escritor  - FC Porto

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