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Correio da Manhã

Desporto
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9043 quilómetros de aventura

Já rola pelos trilhos lusos a 28.ª edição do Dacar, a maior prova de todo-o-terreno do Mundo, a primeira de três a partir da capital portuguesa. Ao todo, serão 9043 quilómetros de pura aventura, adrenalina, sustos, felicidade, tristeza e, acima de tudo, de muito sofrimento.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
E por isso é considerada a mais temida prova de TT, não só pela sua extensão, mas também pelas armadilhas que a natureza proporciona. Nunca esquecendo o factor humano e mecânico.
Uma caravana de ‘monstros’ do TT despede-se assim, até para o ano, do quartel-general pré--competição. As verificações técnicas e todas as burocracias inerentes à competição, que decorreram nos últimos dias em Lisboa, abriram o apetite às 508 equipas (240 motos, 188 carros e 80 camiões) que alinham à partida, já que o desejo de chegar a África e ao deserto é enorme. Mas sempre com um olho colocado em Dacar, capital do Senegal, que vai celebrar a chegada dos ‘sobreviventes’ daqui a duas semanas.
Mas se a aventura a sério só começa em África, certo é que os pilotos vão ter um pequeno aperitivo em terras portuguesas. Hoje, enfrentam uma ‘especial’ de 83 quilómetros na planície alentejana – total da etapa até Portimão perfaz 370 quilómetros. Amanhã, depois de deixarem aquela cidade algarvia e depois de um Ano Novo festivo mas com moderação, rumam a Málaga e depois a Marrocos, não sem antes acelerarem numa ‘especial’ de 115 quilómetros na serra algarvia.
A frota portuguesa, aproveitando a visibilidade da prova sair de Lisboa, triplicou em relação ao ano passado, com 27 equipas lusas a lançarem-se na aventura... com maior ou menos ambição. Aos estreantes resta-lhes rezar para chegar à capital senegalesa, aos repetentes resta-lhes rezar para conseguir melhor que em anos anteriores e a Carlos Sousa – a grande esperança nacional na competição – resta-lhe rezar para finalmente conseguir bater o pé aos bólides oficiais e terminar a competição num lugar do pódio. Como todos sonham... de preferência no degrau mais alto.
Mas a Nissan Navara vai ter de se bater com as poderosas ‘máquinas’ oficiais da Mitsubishi e VW.
Como não poderia deixar de ser, o francês Stephane Peterhansel, vencedor nos dois últimos anos, é o grande favorito nos carros, tendo como rivais os colegas Alphand e Masuoka, bem como Sainz, Saby e Kleinschmidt (VW).
Nas motos, o também francês Cyril Després vai tentar repetir a façanha aos comandos na sua KTM. Já o russo Fridaus Kabirov vai tentar manter o estatuto de campeão em camiões, tripulando o seu gigantesco Kamaz Master.
NANI ROMA SOFRE COM PRSENÇA DA MULHER
Vai ser complicado para o espanhol Nani Roma, da Mitsubishi, concentrar-se totalmente durante as etapas, já que o seu pensamento também vai estar nas motos. E tudo porque Rosa Romero, sua mulher, decidiu estrear-se como ‘motard’ no Dacar. “Quando ela disse que queria participar não gostei da ideia. Mas agora já estou melhor. Apenas tenho algum receio se ela tiver de ficar no deserto à noite, pois já passei por isso”, avançou Nani Roma. “Mas é um sonho que ela persegue há anos e estou contente com ela”.
Certo é que os laços familiares ficaram em Espanha, ao ponto de Rosa Romero ter confirmado que o casal dormiu estes dias em hotéis diferentes. “Espero coisas muito difíceis e manter um bom nível. Apenas receio ficar perdida no meio do deserto sem combustível”, disse a piloto da KTM.
STEPHANE PETERHANSEL CONFIANTE E SOLIDÁRIO
Stephane Peterhansel, em Mistubishi, vencedor do Dacar em 2004 e 2005, é o natural favorito ao triunfo. Não espera facilidades mas acredita que pode chegar ao ‘tri’. “Este ano sinto-me confiante. Mas se posso ambicionar a uma vitória é porque tenho um bom carro e uma boa equipa”, disse o gaulês, que também revelou a sua vertente solidária. “Se ganhar, o prémio do jogo [Euromilhões] será para solidariedade e o do Dacar será dividido entre a equipa da Mitsubishi. Mas claro que ficarei com o orgulho de ter mais um triunfo”.
Agradado com o facto da prova sair de Lisboa – “apesar das boas estradas, não é possível ganhar o Dacar cá, mas é fácil perdê-lo” –, Peterhansel não deu grande atenção a Sousa. “Quando estávamos os dois na Mitsubishi, eu acabei à sua frente. É um bom piloto”.
SCHLESSER OPTIMISTA
O francês Jean-Louis Schlesser, vencedor em 1999 e 2000, diz que quer “morder os calcanhares” aos “gigantes” Mitsubishi e VW.
PADRÃO FECHADO
O Padrão dos Descobrimentos vai hoje estar fechado ao público, devido ao corte do trânsito, segundo informação da edilidade.
CINCO CAMIÕES CHUMBAM
Cinco camiões DAF foram ontem excluídos da prova depois de terem falhado as verificações técnicas. O problema centrou-se na suspensão.
SAMPAIO NA PARTIDA
O Presidente da República, Jorge Sampaio, dá a partida oficial para a primeira edição do Lisboa-Dacar junto ao Mosteiro dos Jerónimos.
CP REFORÇA COMBOIOS
A CP reforça hoje, na linha de Cascais, as viagens de comboio, com a realização de viagens extra a partir da estação de Belém.
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