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Correio da Manhã

Desporto
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A distância da teoria à prática

De Queiroz a Ruben Amorim. Algumas questões altamente patrióticas da semana.

17 de Setembro de 2011 às 00:00
A distância da teoria à prática
A distância da teoria à prática

Esta não foi uma semana de selecção nacional, foi uma semana de campeonato e de provas europeias mas, mesmo assim, o tema do patriotismo voltou a colocar-se com intensidade nas discussões de café e nas páginas dos jornais por força de pequenos acontecimentos que foram preenchendo o dia-a-dia das coisas da bola.

Comecemos pelo acontecimento patriótico número um. Carlos Queiroz, que é o actual seleccionador do Irão, terá todas as razões para se sentir magoado com a Federação Portuguesa de Futebol pela maneira canhestra como viu os seus serviços dispensados depois da pouco empolgante campanha portuguesa no Mundial de 2010. Queiroz sofreu, enquanto seleccionador, daquele problema que vai da teoria à prática. Hoje está zangado com a direcção da FPF e não desaproveita uma oportunidade de o mostrar.

A propósito do caso Ricardo Carvalho, Carlos Queiroz pronunciou-se questionando a “autoridade moral” da FPF para suspender o internacional português. O ex-seleccionador nacional expressou toda a solidariedade com o jogador seu compatriota e destratou, sem grande fineza e com algum ressabiamento, os luso-brasileiros da selecção, Deco e Pepe, que, pelos vistos, foram as suas bestas negras na África do Sul. Queiroz chama a Deco “um jogador de origem estrangeira”, o que é feio de se chamar a quem quer que seja porque é um discurso preconceituoso e chauvinista.

Estes ajustes de contas tardios têm muitas vezes o condão de revelar publicamente situações ignoradas do grande público, ou dos mais distraídos, e foi o que Queiroz fez. Ficámos assim todos a saber que se Deco não jogou contra o Brasil no Mundial não foi por opção do seleccionador mas sim por conta de uma misteriosa lesão que nunca foi convenientemente explicada. Lá do Irão, Queiroz não esquece também outro jogador de origem estrangeira e, sibilinamente, acusa Pepe de falta de solidariedade com Ricardo Carvalho quando, no ano passado, “saltou logo a defender Deco”. O que José Mourinho deve ter adorado estes recados patrióticos de Carlos Queiroz dirigidos directamente à dupla de centrais do Real Madrid….

Mudando de cenário mas sempre patrioticamente falando, na noite de quarta-feira no Estádio da Luz não foram poucos os adeptos do Benfica que torceram o nariz à inclusão de Rúben Amorim na equipa que defrontou o Manchester porque muito gostam de lamentar o excesso de estrangeiros mas o escândalo maior parecia ser, desta vez, a inclusão de um português que ainda por cima jogou muitíssimo bem. 

Da teoria à prática vai, na verdade, uma grande distância…

Errar é humano - Os efeitos práticos dos protestos

O Vitória de Guimarães considerou-se prejudicado nos jogos que disputou com o FC Porto e com o Benfica e, com toda a legitimidade, pediu uma audiência a Vítor Pereira, presidente da Comissão de Arbitragem. Emílio Macedo, presidente do Vitória, sentindo-se acossado internamente pela ameaça de um despique eleitoral que ainda vem longe – e até o nome de Pimenta Machado veio à liça como seu hipotético rival – levou para o encontro com Vítor Pereira uma comitiva de dirigentes da casa de modo a fazer ouvir os protestos a várias vozes e, também, de modo a impressionar os adeptos vitorianos com a capacidade de acção e de intervenção do seu presidente.

O Vitória de Guimarães queixa-se de Olegário Benquerença que, na primeira jornada, o prejudicou com duas grandes penalidades: uma mão de Rolando perdoada aos campeões nacionais e um penalti discutível que não foi perdoado e que resultou no solitário golo da vitória do FC Porto. Tudo é discutível em futebol, como sabemos. E na Luz, no último sábado, o trabalho de Duarte Gomes voltou a ser pasto de dúvidas. Os vimaranenses queixam-se de duas penalidades a mais e o Benfica queixa-se de uma grande penalidade a menos. Os efeitos práticos destas atitudes de protesto oficial, com direito a audiência, são também muito duvidosos. Irá o Vitória ser ressarcido com duas penalidades de favor já no seu próximo jogo? E, quanto ao Benfica, ficarão os árbitros proibidos de assinalar penaltis a seu favor nos próximos cinco jogos da Liga? Ou nos próximos quinze?

Positivo

Insúa afirma-se - Depois da reviravolta de Paços de Ferreira, o Sporting precisava forçosamente de ganhar em Zurique para se recompor do que já sofreu. O argentino Insúa respondeu ao apelo do emblema, marcou um golo e deu outro.

Óscar Cardozo valioso - O paraguaio Óscar Cardozo cumpriu com um velho hábito e voltou a marcar um golo a uma equipa inglesa. Desta vez foi ao Manchester United. E, nas bancadas, os que o assobiaram no sábado aplaudiram-no na quarta-feira.

Negativo 

Patrício repete-se - Confiante na arbitragem estrangeira, Eduardo Barroso tinha a certeza de que, em Zurique, “ninguém vai marcar livre indirecto contra o Sporting num atraso para o guarda-redes”. Mas Rui Patrício repetiu a brincadeira e o árbitro apitou.

Pérola

“Parece desespero mas não é desespero.”

DOMINGOS PACIÊNCIA

Na véspera do jogo em Zurique, o treinador do Sporting sentiu necessidade de justificar, sobretudo perante os adeptos do clube, a imagem de estupefacção com que tem sido apanhado pelas câmaras indiscretas sempre que apontam para o “banco” quando o resultado é desfavorável aos leões. Mas não foi muito convincente…

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