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Correio da Manhã

Desporto
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A fasquia de Domingos

A capacidade de concretização é o índice que menos satisfaz o treinador do Sporting ao fim dos primeiros seis meses de evolução da nova equipa
7 de Janeiro de 2012 às 00:00
A fasquia de Domingos
A fasquia de Domingos FOTO: Vítor Mota

Quando os adeptos do Sporting vêem a equipa com potencial para discutir o título a Porto e Benfica, o treinador refreia as expectativas e os dirigentes procuram com afã soluções que possam elevar-lhe as capacidades. A fasquia de Domingos está claramente acima do que tem sido possível realizar.

A fase 'papa Cerelac' ilustrada pelo treinador evidencia algumas debilidades, sobretudo em matéria de definição ofensiva, que se sentem mais na hora das grandes decisões. Foi a falta de concretização que fez diferença no jogo do estádio da Luz e é, de novo, o ataque que está sob pressão frente ao FC Porto, após três jornadas em branco.

 

Domingos Paciência alude directamente a desconcentrações e perdas de bola, que têm tido menor repercussão graças à boa forma do guarda-redes Rui Patrício, mas é na dianteira que o rendimento decepciona o treinador, especialista da matéria.

 

A necessidade de contratar um sétimo avançado em meia dúzia de meses confirma a preocupação, após a decepção com as apostas em Bojinov e Rubio e a pouca eficácia de van Wolfswinkel, em relação às oportunidades que lhe são criadas.

 

Embora com um grau de eficiência idêntico ao de Cardozo (Benfica) e melhor que o de Hulk (Porto), o holandês tem a desvantagem do sistema táctico, pois o 4x3x3 leonino não reparte as finalizações com outros avançados, ficando mais dependente do acerto dele. A falta de experiência também é razão apressar o regresso de Izmailov e de Matias Fernandez, que acrescentam solidez e maturidade. 

MUITO PARA CRESCER NO ATAQUE

O indicador mais explícito da margem de crescimento que ainda se abre é o baixo índice de aproveitamento dos avançados nos números globais da equipa, também evidente quando comparado com os das outras equipas. Apenas metade dos golos do Sporting foram apontados por avançados, quando a percentagem normal deve rondar os 70 ou 75 por cento. Fazer golos é tarefa prioritária dos avançados, aqui e ali acrescentados pelos contributos de médios e defesas, mas no Sporting tem sido o inverso, com avançados ainda em branco ao fim de seis meses. 

EFICÁCIA MÍNIMA

Embora seja a equipa que mais remata à baliza, depois do FC Porto, o Sporting ficou na maior parte dos jogos aquém de um número de golos correspondente, com realce para as jornadas mais recentes: dois golos em 50 remates. O holandês que ganhou o lugar de referência ofensiva está sob pressão, após 7 jornadas consecutivas (desde Setembro) sem conseguir marcar qualquer golo que não seja de grande penalidade.

VAN WOLFSWINKEL

GOLOS: 7

ABSTINÊNCIA: 7 (jornadas da Liga sem marcar golos, à excepção de penaltis) 

TALENTO ESBANJADO

Considerado um dos melhores até agora, o espanhol Diego Capel também está muito aquém do que promete em matéria de lances decisivos. Marcou um golo muito importante em Guimarães, outros dois (de cabeça) na goleada ao Gil Vicente, mas é no capítulo das assistências que tarda em corresponder: apenas duas, em Vila do Conde, à 5.ª jornada. Soma menos passes decisivos no campeonato do que na Liga Europa (3), o que não é normal.

DIEGO CAPEL

ASSISTÊNCIAS: 2

ABSTINÊNCIA: 8 (Jornadas da Liga sem fazer qualquer passe para golo).

DEMASIADO PESO DO SECTOR DEFENSIVO

Raramente um sector defensivo tem tanto peso relativo no rendimento atacante como se verifica com o Sporting. E não são os defesas que estão mal, desde que cumpram as suas tarefas prioritárias à retaguarda, mas sim os outros sectores da equipa, cujo défice de rendimento acaba por expor e tornar até a equipa algo dependente dos contributos dos homens da defesa, quer em matéria de finalizações, no centro da área, quer em cruzamentos e passes decisivos, com realce para os laterais.

INFLUÊNCIA DOS DEFESAS

Os laterais do Sporting têm sido preponderantes no ataque, com o dobro dos passes para golo dos adversários correspondentes.

MEIO-CAMPO POUCO CONSTRUTOR

Os médios do Sporting têm evidenciado uma capacidade de finalização acima da média, com 10 dos 26 golos da equipa, mas em contrapartida participam muito menos do que está planeado na construção de lances capitais: apenas três assistências, uma de cada um dos jogadores mais utilizados, bastante abaixo da concorrência.

INFLUÊNCIA DOS MÉDIOS

Exemplo do jogador com características de definidor, Matias Fernandez já marcou mas ainda não se estreou a assistir os colegas.

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