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Correio da Manhã

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A festa já pode começar

As contas ficaram simples depois de Lucho transformar em golo a grande penalidade assinalada por Lucílio Baptista no último suspiro do jogo. Se ganhar ao Estrela da Amadora no sábado à noite o FC Porto será campeão. A seis jornadas do fim, a festa já pode começar.
31 de Março de 2008 às 00:30
Lucho voltou a ser um dos jogadores mais influentes no meio-campo dos azuis-e-brancos, frente ao Belenenses
Lucho voltou a ser um dos jogadores mais influentes no meio-campo dos azuis-e-brancos, frente ao Belenenses FOTO: Tiago Petinga / Lusa

Como há 15 dias em Matosinhos, o Dragão deu avanço ao adversário. Deu talvez não seja a palavra adequada, uma vez que o Belenenses fez por isso. No estádio onde esta época tinham caído Benfica e Sporting, Jorge Jesus montou bem a estratégia, com um meio-campo sólido no centro e inteligente nas alas, com Silas e José Pedro em excelente plano. Não por acaso, aos 6 minutos Helton teve de fazer uma grande defesa para evitar o 1-0.

Ao jogo, muito agradável do ponto de vista táctico, faltava alguma intensidade. Como se os jogadores estivessem entusiasmados com os seus próprios movimentos, quais xadrezistas. Júlio César segurou duas bolas difíceis na resposta do FC Porto mas a melhor oportunidade foi aquela que Weldon transformou em golo (41’). Excelente a saída do Belenenses pela esquerda, bom cruzamento de Ruben Amorim e golo, com o avançado do Restelo a aproveitar a desatenção de Paulo Assunção. O médio ficou para trás, frustrando a subida para o fora--de-jogo dos colegas da defesa.

A segunda parte trouxe um FC Porto mais forte e só foram necessários três minutos para Lisandro chegar ao empate. Por um instante o Belenenses destapou o centro do meio-campo e o argentino recebeu de Lucho um passe que o deixou cara a cara com Rolando. O resto foi decidido por um pontapé forte.

Sem esmagar o adversário, o FC Porto criou mais oportunidades que só a ineficácia de Farías não transformou em golo. O Belenenses saía agora mais devagar para o ataque e parecia incapaz de incomodar Bruno Alves e Pedro Emanuel. Pura ilusão. Aos 65’ Jesus viu a sua equipa criar três excelentes ocasiões. O campeão sentiu o perigo e o jogo voltou a equilibrar-se. Seguiram-se as substituições, à procura de inspiração.

A coisa parecia encurralada no empate quando numa das suas diversas iniciativas Quaresma entrou na área e foi derrubado por Hugo Alcântara. Estávamos no segundo minuto de compensação. Lucho deu sinal para o início da festa, que muito provavelmente terá o ponto alto já no sábado à noite.

JESUALDO: 'FOMOS OS MELHORES'

'Foi um jogo em que o FC Porto foi melhor durante os 90 minutos. Tivemos mais posse de bola, mais remates e mais agressividade. Quisemos ganhar sempre', disse Jesualdo Ferreira. 'Vamos tentar ganhar no próximo sábado e isso vai acontecer, espero. Queremos marcar uma posição no clube, ou seja, vencer o campeonato cinco jornadas antes do fim. Queremos fazer a festa com os nossos sócios', acrescentou.

Já Jorge Jesus não escondeu o descontentamento com Lucílio Baptista, por este ter assinalado nos descontos o penálti que deu a vitória ao FC Porto: 'Não é pénalti nenhum.' O técnico dos azuis do Restelo sublinhou ainda o equilíbrio no jogo: 'Assistimos a um grande jogo, com duas grandes equipas.' Mal acabou de falar, Jorge Jesus foi abraçado efusivamente por Pinto da Costa, na sala de imprensa do clube do Restelo.

POSITIVO

WELDON OUTRA VEZ

Depois de ter feito um golo notável que derrotou o Benfica no Restelo, Weldon voltou a marcar a um grande, desta vez o FC Porto. Reforçou a ideia de que se trata de um avançado de excelente qualidade que tem tudo para render mais numa segunda época em Portugal.

NEGATIVO

NÃO SAI NADA A FARÍAS

O avançado argentino Ernesto Farías foi o mais apagado na frente e acabou por desperdiçar uma das grandes oportunidades do FC Porto, aos 61 minutos, quando isolado por Lucho não foi capaz de bater o guarda-redes Júlio César.

ARBITRAGEM

BENEFÍCIO DA DÚVIDA NO PENÁLTI

O jogo quase não teve casos e Lucílio Baptista também não os criou. Boa a decisão de mostrar apenas o cartão amarelo a Pedro Emanuel, aos 72’, por falta sobre Weldon. Meireles estava no lance, o vermelho seria claro exagero. No penálti merece o benefício da dúvida.

FICHA DE JOGO

Local: Estádio do Restelo - Assistência: 10 000

Árbitro:  Lucílio Baptista (Setúbal)

BELENENSES:  Júlio César, Amaral ( Fernando 89M), Rolando, Hugo Alcântara, Rodrigo Alvim, Gabriel Gómez, Ruben Amorim, Silas (Rafael Bastos 83m), José Pedro, Roncatto (João Paulo 79m), Weldon.

Treinador: Jorge Jesus

FC PORTO: Helton, Bosingwa, Pedro Emanuel, Bruno Alves, Fucile, Paulo Assunção, Raúl Meireles (Kazmierczak 86m), Lucho González, Quaresma, Farías (Adriano 67m), Lisandro.

Treinador: Jesualdo Ferreira

Marcador: 1-0 Weldon (41m) 1-1 Lisandro (49m) 1-2 Lucho González (90 4m)

Acção Disciplinar:  Amarelos: Pedro Emanuel (72m) Hugo Alcântara (90m 1m)

O Melhor: Lisandro 

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