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Correio da Manhã

Desporto

A FÚRIA GOLEADORA DE VAN NISTELROOY

Todos os jornais e agências noticiaram o facto: o avançado Ruud van Nistelrooy, 28 anos, tornou-se o melhor marcador do Manchester United em competições europeias – 30 golos – ultrapassando definitivamente a marca de Dennis Law (28).
18 de Setembro de 2004 às 00:00
O holandês marcou os dois golos do United em Lyon (2-2) e evitou a Alex Ferguson uma derrota embaraçosa no jogo de estreia dos ingleses na Liga dos Campeões. O que ficou por dizer é que Van Nistelrooy é um fenómeno nas competições europeias. O seu registo goleador é extraordinário – semelhante ao de Gerd Muller, Alfredo Di Stefano e Ferenc Puskas – e resume-se facilmente: em apenas seis participações e 48 jogos na Liga dos Campeões, Van Nistelrooy marcou 39 golos, à média de 0.81 por jogo. Uma proeza nos tempos que correm.
A manter esta cadência, e tudo indica que sim, o ponta-de-lança holandês destronará a curto prazo o hispano-argentino Alfredo Di Stefano, recordista absoluto de golos na Taça/Liga dos Campeões. Van Nistelrooy é o quarto do ‘ranking’ liderado há mais de 40 anos por Di Stefano, que apontou 49 golos em 58 jogos (média: 0.84) pelo Real Madrid. Em segundo lugar mantêm-se o nosso Eusébio (46 golos em 65 jogos pelo Benfica; média: 0.70) seguido pelo espanhol Raul Gonzalez (45 golos em 90 jogos pelo Real; média 0.50).
Em Lyon, Van Nistelrooy igualou o registo do alemão Gerd Muller (39 golos em 43 jogos pelo Bayern; 0.90), deixando para trás o ucraniano Andrei Shevchenko (37 golos).
Raul e ‘Sheva’ também estão na corrida ao recorde, tal como Alessandro Del Piero (33) e, sobretudo, Thierry Henry (31), mas nenhum deles se aproxima da tremenda cadência goleadora do artilheiro Ruud: 9 golos em duas épocas e 15 partidas com o PSV Eindhoven; 30 em 33 com o Manchester United desde 2001.
Há uma semana escrevi sobre Ronaldo e Rooney, as estrelas mais excitantes do Manchester, e disse que, por comparação, Van Nistelrooy era um mono, um chato, um tipo sem carisma. Mas sublinhei, se bem se lembram, que o holandês era “um avançado letal desde que convenientemente servido”. O homem é mesmo letal e merece ser reconhecido como um ‘9’ à antiga. Factos são factos e o Liverpool está na calha.
CINZENTO, CINZENTITO...
A participação global das equipas portuguesas na semana europeia foi cinzenta, cinzentita, e deixa antever uma redução drástica do enorme contingente (de 5 para 2) na Taça UEFA. O Porto tem a desculpa de estar a viver a rearrumação em contra-relógio provocada pela grande e rara asneirada de Pinto da Costa chamada Del Neri. Não vence e não convence mas o pior é que Fernández não tem o perfil que “dava jeito” para esconjurar o fantasma de Mourinho, que tem crescido um bocadinho todos os dias.
O Benfica apanhou o adversário mais modesto e cumpriu a obrigação com brio, mas vamos ver como será perante uma equipa a sério. O Sporting foi uma decepção (o melhor foi mesmo o resultado), assim como o Braga em Edimburgo. Marítimo, apesar da vitória, e Nacional, devem ter o destino traçado.
Realmente, os seis clubes e o 6.º lugar de Portugal no ‘ranking’ da UEFA não espelham a realidade clubística do País, mas apenas os resultados notáveis do FC Porto na última década. Assim como o 11.º lugar no ‘ranking’ da FIFA não ilustra o valor actual da selecção vice-campeã europeia.
AGUENTA CAMACHO
“Horror!”, disse a ‘Marca’. “A culpa é minha”, respondeu Camacho. Bom, a culpa foi sobretudo do Bayer Leverkusen, que jogou muito mais e melhor que o Real Madrid. Por isso ganhou 3-0 com uma perna às costas. Figo foi substituído, Ronaldo e Zidane viraram costas à equipa, Owen parece acabrunhado. O Real desperta para os pesadelos da recta final-Queiroz, mas agora é Camacho a arcar com a responsabilidade. Aguente-se, homem.
(Espanhol-Real Madrid | hoje | directo Sport TV | 18h00)
MOURINHO NAS NUVENS
Lá vamos, cantando e rindo, diz Mourinho. E este, tudo lhe corre bem. O Chelsea deu um recital em Paris (3-0 ao PSG) e começa a convencer a crítica inglesa. Por ora, é impossível a Mourinho igualar o rendimento dessa brilhante orquestra chamada Arsenal, mas Londres tem espaço para dois gigantes. Nenhum deles se chama Tottenham, a equipa onde joga Pedro Mendes e que deve dançar ao ritmo dos ‘blues’ no ‘derby’ de Stamford Bridge.
(Chelsea-Tottenham | 2.ª feira | indiferido Sport TV | 09h40)
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