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Correio da Manhã

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A história não se repete

Se este reality show não funcionar na exacta medida em que a TVI o projectou, há o perigo de a concorrência entrar (ainda mais) por essa brecha.
11 de Março de 2007 às 00:00
Chegou o dia do regresso aos reality shows. Hoje à noite, 15 meses depois do final da segunda edição da ‘Primeira Companhia’, Moniz volta à ‘Real TV’ – anunciando até aquilo que acredita ser uma segunda vaga do ‘Big Brother’. Percebia-se desde o final do Verão de 2006 que isto iria acontecer. A TVI começou aí a sentir dificuldades em conviver com a proximidade da concorrência e Moniz não resistiu à tentação de recuperar o género televisivo que, um dia, resultou na perfeição. O problema é que os tempos mudaram e o que aconteceu com a ‘primeira vaga’ é irrepetível.
‘A Bela e o Mestre’ – o programa que hoje estreia – não vai sequer conseguir modificar a relação de forças que existe actualmente entre os três canais, ainda que possa, nos primeiros dias, causar algum impacto. Estando o público à espera dos tradicionais ‘namoricos’ vigiados por inúmeras câmaras, o que vai poder ver é, no entanto, uma sucessão de situações cómicas. É por aqui que ‘A Bela e o Mestre’ pode provocar alguma surpresa (positiva), que, no entanto, depressa se esbaterá. E, se for o caso, o que acontece a seguir?
José Eduardo Moniz correrá o risco de atirar o programa para as tantas da noite, como fez com o ‘Big Brother 4’ ou, mais recentemente, com ‘Pedro, o Milionário’? Ou, pelo contrário, mantém-no às 21h00 e penaliza todo o seu horário nobre? Se este reality show não funcionar na exacta medida em que a TVI o projectou, há o perigo de a concorrência entrar (ainda mais) por essa brecha. O pior de todos os cenários, para Moniz, é ‘A Bela e o Mestre’ não funcionar e em simultâneo ver desaparecer a ‘válvula’ de segurança que tem sido ‘Tempo de Viver’.
Será fundamental, nesse caso, que a próxima novela a estrear (‘Ilha dos Amores’) tenha um comportamento bastante aceitável. Caso contrário, o domínio do horário nobre será uma questão em aberto. Moniz é bom, mas não é infalível. Também se engana. Enganou-se, por exemplo, no ‘Clube Morangos’. Enganou-se quando desvalorizou de forma algo sobranceira a chegada da ‘Floribella’.
Enganou-se quando pensou que a gala das ‘7 Maravilhas’ poderia fazer mossa aos 50 anos da RTP. E talvez se tenha enganado de novo com a ‘A Bela e o Mestre’. O tempo o dirá. Por agora, a certeza que existe é a de que a TVI não resistiu mesmo ao apelo dos reality shows – 15 meses depois de ter terminado o último e sete depois de ter estreado o primeiro (‘Big Brother’). No mínimo, pode dizer-se que não houve evolução criativa.
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